PENSAMENTOS ABERTOS E LIVRES - 213 (CITANDO MARTA MÓNICA)
Há pessoas que passam a vida a desejar mal aos outros e a queixar-se de quem apenas tenta fazer o seu melhor. Não é porque essas pessoas sejam más, mas porque a luz dos outros incomoda quem vive na sombra. Incomoda ver alguém que dá amor quando por dentro talvez esteja ferido. Incomoda ver alguém que distribui risos, brincadeira e presença, mesmo quando não está feliz.
O que se passa com essas pessoas? Muitas vezes não suportam o espelho que a atitude do outro lhes mostra. Porque quando alguém tenta superar-se, melhorar-se, crescer, isso revela aquilo que elas próprias não estão a conseguir fazer. Em vez de olharem para dentro e perguntarem “o que posso mudar em mim?”, escolhem apontar o dedo, criticar, diminuir.
A queixa torna-se o abrigo delas. Falar mal do outro dá uma sensação falsa de superioridade, mas é apenas um anestésico para a frustração. A luz do outro lembra-lhes aquilo que perderam: a capacidade de sonhar, de rir sem amargura, de amar sem medo. Por isso irritam-se com quem tenta evoluir, porque a evolução dos outros denuncia a estagnação própria.
Há pessoas que se irritam com quem tenta crescer não porque esse crescimento seja errado, mas porque lhes lembra tudo aquilo que elas próprias deixaram de tentar. A evolução do outro dói como um espelho: mostra a estagnação, o medo, os sonhos abandonados. Em vez de enfrentarem esse vazio, escolhem a crítica. Em vez de mudarem, atacam.
Quando alguém segue em frente, melhora, aprende, cuida dos outros e ainda assim encontra forças para sorrir, isso torna-se uma afronta silenciosa para quem vive preso à frustração. Não é inveja simples, é desconforto profundo. É ver no outro a coragem que não tiveram. É sentir que o tempo passa e nada muda dentro deles.
Por isso tentam apagar a luz alheia com palavras, com julgamentos, com queixas. Mas a luz verdadeira não se apaga com sombras. Quem cresce não o faz para provocar, fá-lo para sobreviver, para não se perder por dentro. E quem aponta o dedo raramente quer justiça, quer apenas fugir de olhar para si.
No fundo, a crítica deles não fala de quem avança, fala de quem ficou parado. Fala da batalha interna que recusam travar. E enquanto uns escolhem levantar-se, outros escolhem sentar-se na amargura. A diferença não é o que têm, é o que ousam ser
Comentários
Enviar um comentário