HISTÓRIAS 685 - Rui Santos (Deputado do PS e ex- Presidente da CM Vila Real) e a responsabilidade da palavra na política

Chegou recentemente ao meu conhecimento um artigo de opinião publicado em 2009 por Rui Santos, então Presidente da Federação Distrital de Vila Real do Partido Socialista. Anos mais tarde viria a exercer funções como Presidente da Câmara Municipal de Vila Real e, atualmente, é Deputado à Assembleia da República. Nesse texto, produzido no contexto político da época e relacionado com o caso Freeport, foram feitas referências que, embora não mencionassem diretamente o meu nome, deixavam implícita uma associação à minha pessoa. O que mais me surpreendeu foi a referência a uma alegada condenação, algo que nunca aconteceu. Importa deixar claro que nunca fui condenado no âmbito do processo Freeport, nem em qualquer outro processo relacionado com essa matéria. Por essa razão, considero particularmente grave que responsáveis políticos utilizem informações incorretas ou insinuações para sustentar posições partidárias ou defender lideranças políticas. O caso Freeport teve um impacto significativo na minha vida pessoal e profissional durante mais de uma década. Apesar das dificuldades, nunca recuei perante a pressão, nem deixei de defender a minha honra e o meu bom nome. Passados todos estes anos, continuo a considerar que a verdade dos factos deve prevalecer sobre a conveniência política. Aliás, não teria qualquer receio de que a matéria fosse novamente escrutinada, pois sempre defendi que é nos locais próprios, designadamente perante a Justiça, que os factos devem ser apurados. Infelizmente, a política portuguesa tem sido marcada, demasiadas vezes, por carreiras construídas sobre a lógica da fidelidade partidária e da propaganda, em detrimento da seriedade, da competência e do respeito pela verdade. É essa cultura política que contribui para o crescente afastamento dos cidadãos da vida pública. O meu objetivo não é alimentar polémicas antigas, mas sim repor a verdade. Quem exerce funções públicas tem uma responsabilidade acrescida nas palavras que profere e nos textos que assina. A credibilidade da democracia depende, em grande medida, desse compromisso com a verdade e com a honestidade intelectual.

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