PENSAMENTOS ABERTOS E LIVRES - 232
As instituições devem ser preservadas. As pessoas devem ser responsabilizadas.
As instituições devem ser sempre salvaguardadas, sejam elas de que natureza ou âmbito forem. A Maçonaria e a Igreja Católica são exemplos de instituições com uma história e uma dimensão próprias, tal como tantas outras organizações de natureza diferente, incluindo os partidos políticos, essenciais ao funcionamento da democracia e à arte de governar.
Nenhuma instituição deve ser julgada exclusivamente pelos comportamentos de alguns dos seus membros. Em todas elas, são os seres humanos que podem dignificá-las, mas também são eles que, movidos por interesses individuais, ambição, poder ou outros objetivos pessoais, podem contribuir para a sua degradação.
É precisamente aqui que importa separar as águas.
O facto de um grupo de indivíduos, eventualmente malfeitores ou movidos por interesses condenáveis, se juntar pontualmente num Governo ou no interior de uma determinada instituição — seja ela a Maçonaria, a Opus Dei, uma Igreja ou qualquer outra organização — não permite concluir que os princípios orientadores dessa instituição sejam, por natureza, maus ou perversos.
Uma coisa são os princípios, os valores e a missão de uma instituição. Outra, bem diferente, são os comportamentos daqueles que dela fazem parte.
O verdadeiro desafio está em criar mecanismos capazes de separar o trigo do joio, responsabilizando quem prevarica sem transformar a instituição inteira em ré por atos praticados por alguns dos seus membros.
O que verdadeiramente prejudica as instituições é a proteção permanente de uma minoria de indivíduos que, estando fora dos padrões éticos e comportamentais que devem orientar qualquer organização, se escondem atrás do prestígio ou da imagem institucional para preservar interesses próprios.
É essa proteção, esse silêncio e essa confusão deliberada entre a instituição e quem dela se serve indevidamente que acabam por contaminar a própria sociedade.
As instituições devem ser respeitadas e preservadas. Mas esse respeito não pode significar impunidade para quem as utiliza em benefício próprio.
Defender as instituições não é proteger os seus maus elementos. É precisamente criar condições para que elas possam afastá-los, responsabilizá-los e continuar a cumprir a sua missão.
É assim que se preservam as instituições e, ao mesmo tempo, se protegem as sociedades democráticas e os valores que sustentam o nosso modelo de vida.
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