PENSAMENTOS ABERTOS 224 (CITANDO MARTA MÓNICA)
Murmúrios de mim mesma
Aproxima-te…
devagar…beeem devagar...
não fales alto…sussurra-me ao ouvido...
há coisas em mim
que só despertam
quando o silêncio respira entre nós…
Diz-me…felino...
que amor é este
que me invade
quando te olho…
que sentimento é este
que não me deixa tocar-te
sem que o meu corpo inteiro
estremeça…
Olho-te…
e o mundo…
fica suspenso…
ai… esse teu olhar…
esse teu olhar…
esse teu olhar…
faz-me tremer por dentro
como terra antes do sismo…
como mar antes da maré cheia…
Quero beijar-te…
mas não consigo…
há em mim
um respeito antigo…
um receio doce…
como quem entra
num templo sagrado
e teme profanar o mistério…
Diz-me…felino...
sabes tu acolher
uma mulher que sente assim?
uma mulher que não se entrega
por impulso…
mas por inteiro…
uma mulher que é colo
e tempestade…
que é ventre…
e universo…
Eu sou essa…
a que cuida…
a que envolve…
a que arde em silêncio…
a que ama
com a arte de sentir
antes mesmo de tocar…
E nós…
andamos nisto…
cada vez mais fundo…
cada vez mais intenso…
e eu…
cada vez com mais medo…
porque isto…
é grandioso demais…
Parece um fado…
mas não um fado triste…
um fado antigo…
imenso…
um canto que nasce no peito
e sobe…
e sobe…
até fazer mover
as montanhas dentro de mim…
E eu quase canto…
quase choro…
quase te toco…
mas fico…
a tremer…
no limiar…
de tudo o que posso sentir por ti…
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