terça-feira, 9 de agosto de 2022

HISTÓRIA 92

Estas quedas de água sendo as mesmas, na origem da humanidade, já tiveram nomes diferentes de acordo com a época pré ou pós independência. Importa que no período pós eleições, 24 de Agosto, esta e outras imagens permitam seguir um caminho de crescimento económico e de melhor qualidade de vida a todos. Muitos utilizam argumentos e esquecendo que pouco ou nada se faz num único e curto mandato.

A FALTA DE VERGONHA NA POLITICA PORTUGUESA

https://zap.aeiou.pt/sergio-figueiredo-contratado-por-medina-para-avaliar-politicas-publicas-com-salario-de-ministro-492219 A propósito desta noticia e outras que ocorreram no passado impera a falta de valores nobres na atividade politca. Há promiscuidade entre a política e os gestores de empresas, há anos que impera o servilismo na comunicação social com fontes anónimas e a contratação para comentadores de alguns agentes políticos. Sem esquecer aqueles que deixando de ser Deputados, passam a assessores dos Grupos Parlamentares, em alguns casos até mudando de partido. Não é concebível tudo ser feito e sem revolta do povo. Obviamente, que as contratações, do género das invocadas na notícia demonstram o pagamento de favores, porque convém não esquecer que durante anos na TVI, o agora Ministro era uma picarante falante defendendo o Governo e o seu atual assessor era nem mais nem menos o Diretor de Informação da TVI. Há dúvidas de contratação? Tudo brota da sociedade portuguesa e todos se acomodam porque esperam em receber algumas migalhas um dia mais tarde. Pessoalmente, continuo livre e solto de amarras desta natureza.

segunda-feira, 25 de julho de 2022

CITANDO JACQUES DOS SANTOS

EU, E O PRESIDENTE JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS O título sugere proximidade, quiçá, alguma afinidade. Porém, nada similar existiu na minha distante e fugaz relação com o falecido ex-Presidente, Engenheiro José Eduardo dos Santos. Estive, se tanto, umas três vezes em presença do antigo Chefe de Estado angolano. Nessas ocasiões, em lugares distintos, cumprimentei-o com a cerimónia e o respeito que lhe eram devidos. Aconteceu no período em que exerci o cargo de deputado à Assembleia Nacional, quando era normal e me era permitido andar nas cercanias dos círculos do poder. Ao ser convidado para escrever algumas palavras sobre o ex-Presidente angolano, na hora do registo da sua morte e do preparo do seu funeral, fujo da narrativa comum, aquela que é normal fazer-se em momentos como este. Na verdade, não é fácil falar-se de alguém que foi simplesmente o Presidente do nosso país durante cerca de quatro décadas. O exercício obriga à repetição de chavões obrigatórios ligados à sua eminente figura de Estado e aos seus feitos. Em vez de enveredar por palavras convencionais que ficam bem proferir, preferi utilizar outras para recordar a sua figura em imagens diferentes. Retenho uma delas, em Salvador da Bahia de todos os Santos, nos jardins da residência do empresário brasileiro Emílio Odebrecht, onde foi servido um lanche ou cocktail ao presidente e sua comitiva. Um pequeno grupo de escritores angolanos no qual me incluía esteve presente nesse encontro, acontecido no quadro duma visita feita àquele Estado, com o fim de S.Exa. ser distinguido com o título de cidadão honorário da cidade. Era acompanhado pela primeira-dama e seus dois filhos menores. Corria o mês de Maio do ano de 2005. Lembro-me de um comentário meu, feito a mim mesmo, depois de observá-lo, distante e sereno, com um sorriso discreto nos lábios, em passeio curto pelo bem tratado jardim: este senhor tem tudo para ser um bom homem. Tinha tudo mas não era, porque não quis ou não o deixaram ser, continuei em tom afirmativo o meu solilóquio, porque por essa altura, eu sentia os efeitos da indiferença inexplicável (talvez um certo desprezo mesmo) que o governo manifestava pela intervenção na sociedade angolana de grupos como o que eu liderava na altura. Na verdade, o movimento cívico que há uns anos despontava no país, firmemente determinado a trabalhar a favor da edificação de uma sociedade civil forte e participativa, encontrava dificuldades de se impor, mercê de uma política de exclusão adoptada pela governação. Exclusão para quem defendia os valores democráticos, inclusão plena para os que os desvirtuavam claramente. Eram constantes os insucessos que a organização cultural a que eu estava vinculado ia acumulando nas mais diversas iniciativas de aproximação aos órgãos estatais. Os fracassos eram deliberadamente promovidos por instâncias influentes, quer a nível do Estado como do partido no poder, a quem desagradava nitidamente o nosso posicionamento, face a questões como a democracia, a sociedade civil e o estado democrático e de direito. Lembro ainda que ali mesmo, em Salvador da Bahia, eu e alguns dos meus colegas enfrentamos diariamente e durante o tempo da nossa estadia, manifestações explícitas de um preconceito não escondido que exalava dos comportamentos de certos indivíduos, em exibição de atitudes deploráveis que um dia, em local apropriado, eu terei o gosto de relatar e desmascarar. Não se tratavam de casos isolados, eram acções concertadas, nascidas de atitudes de agentes e governantes. A propósito, lembro um episódio em que um deles, no exercício do seu cargo governativo, numa recepção de uma embaixada estrangeira em Angola, chegou ao desplante de dizer-me, cara-a-cara, que eu e o meu grupo éramos um corpo estranho no mosaico cultural da Angola moderna. Ora, por esses factos insólitos e outros que se seguiram, todos eles resultantes de políticas de Estado conscientes e assumidas, devo neste momento, por força da razão que me assiste, dizer que, se admirei o estadista lúcido que soube com a sua peculiar serenidade manter a integridade territorial do nosso país; se enalteci o político magnânimo que na hora mais difícil escolheu os caminhos da reconciliação nacional, conquistando a opinião pública nacional e internacional; se, como a maioria dos angolanos o apoiei incondicionalmente nesses momentos difíceis, não consegui concordar nunca com muitos dos seus descuidados e levianos gestos administrativos que, para além das facilidades concedidas à prática da exclusão atrás referida e verificada a vários níveis nas estruturas partidário-governamentais, permitiu igualmente a ausência de fiscalização e controlo sobre a gestão da coisa pública, gestos que redundaram no tremendo fracasso que conhecemos e nos empurrou para a situação desesperada, quer do ponto de vista político como económico que bem conhecemos. Deste modo, passado que está o período mais emotivo das manifestações registadas em torno do passamento de José Eduardo dos Santos, o antigo Presidente da República de Angola, direi que temos que voltar à vida, já que a morte é sempre certa. Entretanto, os dias que se seguiram e seguem ao triste acontecimento, têm permitido aferir os sentimentos dos seus entes queridos, os gestos, as palavras, as opiniões mais desencontradas, a paixão, o culto e o desafecto evidenciados em relação ao de cujus. Dos Santos foi uma figura tão idolatrada quanto odiada, resultado do enorme protagonismo político que teve em vida, até na agonia e na própria hora da morte. Principal intérprete de uma vida repleta de assuntos delicados e controversos, de gestos nobres na vida pública e de outros não tanto assim, levou a constante polémica até chegar ao cenário do seu calvário e morte. Um cenário a mostrar aos angolanos e ao mundo que, sobre o muito comentado óbito de Zedú ainda se falará bastante. É, ao fim de tudo, o desígnio que marca e acompanha a vida, para lá da morte, dos homens e mulheres que, pelo seu percurso de combatente e intervenção política como aconteceu com José Eduardo dos Santos, entram, como ele entrou, no bem e no mal, na história dos países e do mundo. O desaparecimento do homem que governou Angola durante 38 anos ininterruptos deixou também, em termos sentimentais, não há como negá-lo, a população angolana visivelmente dividida. De um lado, os que o veneraram com paixão, como se adoram os deuses. Alguns deles espalhando pelos quatro cantos do mundo, encantos e frenesins acerca da sua veneranda figura. Querença compreensível pelo que representou na ascensão política e social na vida dos seus aduladores, nos passos de gigante que lhes proporcionou e permitiram subidas meteóricas na escala social, com poderes conquistados, nunca sonhados. Do outro lado, e não obstante reconhecerem a sua enorme dimensão de estadista, os que amarguraram com desespero o efeito de muitas das suas decisões, marcadas por castigos e condenações incompreensíveis, acções resultantes da sua frieza de carácter e insensibilidade própria da sua natureza, mostrada em variadíssimos momentos. Entre as muitas declarações públicas que ao longo dos anos fiz na comunicação social angolana acerca da situação política e social do país, destaco uma entrevista concedida em finais da primeira década de 2000 ao semanário Novo Jornal, na qual contestei o tipo de vida que se vivia no nosso país. NÃO ESTOU SATIFEITO COM ESTE REGIME, foi a manchete que referia claramente o Presidente José Eduardo dos Santos. Assim mesmo, com letras garrafais saiu a matéria, com a minha fotografia a preencher todo o espaço da capa a cores. Tivesse eu a raiva e a vingança entranhadas no meu espírito, tivesse eu o espírito vingativo que muitos hoje não escondem, estaria eu aqui a integrar-me no exército dos que se atiram agora contra a figura do falecido ex-Presidente, com muitos a evidenciar até um certo pudor no orgulho de ser angolano. Pelo contrário, e a despeito de não olvidar a maldade que o tempo passado forjou, não me esqueço do período difícil em que representou condignamente o nosso país e foi garante da paz e da integridade nacional. Não cultivo o ódio e não exulto com a morte de ninguém. Sempre me comportei assim na hora da morte, no caso, dos que estiveram politicamente expostos. Questão de princípios, de educação. Pugnando sempre, até ao limite das minhas forças, pela instauração da democracia em Angola e pela real implantação do Estado Democrático e de Direito, na expectativa da educação de um povo cioso da sua juventude democrática, assim estarei, na hora da partida dos que falecerem antes de mim. Luanda, 11 de Julho de 2022 Jacques Arlindo dos Santos

quinta-feira, 16 de junho de 2022

HISTÓRIA 90

10 de Junho de 1997. Enquanto alguns comemoravam o Dia de Portugal, outros andavam na Lunda, a trabalhar para a paz em Angola. Mas, sempre dialogando com ambas as partes, circulando com precaução em terreno minado.

domingo, 10 de abril de 2022

HISTÓRIA 88

Dia do Combatente. Simbolicamente um reconhecimento aos que combateram efetivamente e aqueles que participaram em missões de manutenção da paz. Constato que há especialistas sobre doutrinas de guerra de repente, muitos fazem análises sem saber de informações e mais do que avaliarem a contra-informação. Mais do que nunca nos tempos de hoje conclui-se que os políticos promovem a guerra e os militares buscam a paz. Esta obtém-se quando se sentam em conversações os militares. Este é um exemplo vivenciado por mim

segunda-feira, 4 de abril de 2022

HISTÓRIA 87

Abril, mês da paz em Angola. Pergunta que fica é se alguns conflitos que ocorreram no passado e com os meios tecnológicos de hoje teriam o mesmo impacto na comunicação? Se seríamos tão intoxicados? Vivi, estive presente em territórios idênticos ao que são mostrados e ainda proliferam no Mundo, mas como são distantes poucos ligam. O que presenciei em Angola tocou-me muito, mas não desprezo a ajuda aos ucranianos, no entanto convém não esquecer os seres humanos que habitam noutras regiões. Angola vive em paz! Ucrânia terá também paz! Poucos acreditaram nos angolanos, muitos acreditam nos ucranianos. É a humanidade no melhor dos equilíbrios! Eu sou livre penso por mim!

domingo, 27 de março de 2022

HISTÓRIA 85

Num momento em que todas as antenas estão viradas para uma guerra, não posso deixar de recordar amizade desde os anos noventa com o atual PGR de Angola, Gen. Hélder Pitagroz, pelo excelente trabalho que está a fazer em Angola e que num futuro muito próximo será devidamente reconhecido.

quinta-feira, 3 de março de 2022

CITANDO MANKAFI SEGODI MOGOTSI ADISA

A Guerra entre a Russia & Ukrania . Estamos sempre a seguindo os problemas dos outros sem estudar ; entender a sua historia e a verdadeira origem dos seus problemas. Sempre eu disse que eu amo a historia. Mas quando você quiser contar uma história, tente começar a contar desde o início, ou seja, conte toda a história. O que se está a passar entre a Rússia e a Ucrânia tem muito a ver com uma história muito conturbada de união e de separação entre os dois irmaos virados de costas uns aos outros durante séculos de derramamento de sangue, domínio estrangeiro e divisões internas deixaram a Ucrânia numa posição precária entre o Oriente e o Ocidente. O legado partilhado entre estes dois países remonta a mais de mil anos, quando Kiev, agora capital da Ucrânia, estava no centro do primeiro estado eslavo, o Reino de Kiev, berço da Ucrânia e da Rússia. Em 988 d.C., Vladimir I, o príncipe pagão de Novgorod e grão-príncipe de Kiev, ele aceitou a fé cristã ortodoxa e foi batizado na cidade de Quersoneso, na Crimeia. Daquele momento em diante, como declarou recentemente o líder russo Vladimir Putin: “Russos e ucranianos são um povo, unos num todo.” E tanto na Russia e como na Ukrania ha uma pintura do século XIX retrata Vladimir I, o governante do Reino de Kiev – outrora o berço da Ucrânia e da Rússia – a optar pelo cristianismo ortodoxo como a nova religião do estado em 988 d.C. Contudo, nos últimos mil anos, a antiga Ucrânia foi repetidamente fustigada por potências estrangeiras. Guerreiros mongóis vindos de leste conquistaram o Reino de Kiev no século XIII. No século XVI, os exércitos polacos e lituanos invadiram a Ucrânia vindos do ocidente. No século XVII, a guerra entre a Comunidade Polaco-Lituana e o czarismo russo deixou as terras a leste do rio Dnieper sob o jugo imperial russo. A região leste ficou conhecida como a “Margem Esquerda” da Ucrânia; e as terras a oeste do rio Dnieper, ou “Margem Direita”, eram governadas pela Polónia. Mais de um século depois, em 1793, a margem direita (ocidental) da Ucrânia foi anexada pelo Império Russo. Ao longo dos anos que se seguiram, uma política conhecida por russificação proibiu o uso e o estudo da língua ucraniana, e as pessoas foram pressionadas para se converterem à fé ortodoxa russa. A Ucrânia sofreu alguns dos seus maiores traumas durante o século XX. Após a revolução comunista de 1917, a Ucrânia foi um dos muitos países a travar uma guerra civil brutal antes de ser completamente absorvida pela União Soviética em 1922. No início da década de 1930, entao para forçar os camponeses a juntarem-se às quintas coletivas, o líder soviético Josef Estaline orquestrou um plano que matou à fome milhões de ucranianos. Depois, Estaline “importou” um enorme número de russos e outros cidadãos soviéticos – muitos sem capacidade para falar ucraniano e com poucos laços com a região – para ajudar a repovoar o leste. Este legado histórico criou divisões duradouras. Como o leste da Ucrânia ficou sob o domínio russo muito antes do oeste da Ucrânia. Mas as pessoas no leste têm laços mais estreitos com a Rússia . A Ucrânia Ocidental, por outro lado, passou séculos sob o controlo inconstante de potências europeias como a Polónia e o Império Austro-Húngaro . E este é uma das razões pelas quais os ucranianos na região oeste tendem a apoiar mais os políticos ukranianos de tendências pro - ocidentais. A população de leste tende a falar mais russo e a ser mais ortodoxa; E enquanto que no oeste as pessoas falam mais ucraniano e são católicas. Estão a entender ate aqui???? Em 1991, com o colapso da União Soviética, a Ucrânia tornou-se uma nação independente. Mas unir o país não foi uma tarefa fácil. Por um lado, “o sentimento de nacionalismo ucraniano não é tão profundo a leste como é a oeste”, diz Steven Pifer, ex-embaixador na Ucrânia. A transição para a democracia e o capitalismo foi tao dolorosa e caótica. E muitos ucranianos, sobretudo no leste, eles mesmos ansiavam pela relativa estabilidade das épocas anteriores da era sovietica .. Portanto se olharmos pela toda a historia chegamos a conclusao que os habitantes da Rússia e da Ucrânia eles são quase um povo. E este nao ha duvidas se pelo menos quando voltarmos 400 a 500 anos atrás. Mas depois ???? Vamos começar com a historia a seguir o facto de que a Ucrânia moderna foi inteiramente criada pela Rússia, mais precisamente, pelos bolcheviques, a Rússia comunista. Esse processo começou quase imediatamente após a revolução de 1917. Na véspera e após a Segunda Guerra Mundial, Estaline anexou à URSS. E ele transferiu para a Ucrânia algumas terras que antes pertenciam à Polónia, Roménia e Hungria" em 1954, por alguma razão, assim logo depois o Khrushchev [ex-secretário-geral da União Soviética] tirou a Crimeia da Rússia e deu-a à Ucrânia". Foi assim que o território da Ucrânia soviética foi formada". Senao vejamos quando muitos estudantes africanos, estudavam em Odessa nos anos 80, era chamada de cidade da URSS, a união das repúblicas socialistas soviéticas. E esta cidade agora faz parte de um estado chamado Ucrânia. A URSS se separou em 25 de dezembro de 1991 e deu origem a 15 países independentes, incluindo a atual Rússia e a atual Ucrânia. Sim, Putin de ‘cara trancada’ e implacável nas suas declarações, o líder russo não é conhecido pelas suas brincadeiras, mas ele ja manifestou lamentar varias vezes esta explosão da antiga URSS. E nao sera verdade que o seu sonho é ver a Rússia voltar a ser uma força imperialista, como nos tempos da extinta União Soviética. Em Dresden, na então Alemanha Oriental nesta epoca um grupo de manifestantes chegou a invadir a sede da KGB nessa cidade alemã. Na altura, Putin terá persuadido o grupo a afastar-se do edifício (sob ameaça). E ao contactar com uma das sedes do Exército Vermelho para pedir apoio militar para segurar este edifício, o agora presidente russo recebeu uma fria resposta: “Não podemos fazer nada sem ordens de Moscovo, e Moscovo está em silêncio.” Foi assim um momento de fragilidade que, segundo dizem alguns especialistas e que isto moldou para sempre a forma como Putin vê o mundo. Ele naturalmente pode ter saudades, mas ele ja perfeitamente que a União Soviética ja se foi . Conhecido pelo estilo implacável, de personificação do mito, do herói soviético que nada em lagos gelados e ainda domina ursos selvagens sem qualquer dificuldade... ou pelo menos ele ja disse querer respeitar esses países independentes e nunca querer atacá-los. Você pode acreditar, porque ele nunca tentou anexár estes paises. Exceto, quando esses países fazem uma aliança militar liderada pelos americanos chamada OTAN, a Organização do Tratado do Atlântico Norte. Mudamos para entendermos a historia .... Fiquei surpreso que entre os Finladeses houve duas pessoas terem sido governadores do Alasca, mas depressa percebi a lógica: até ser vendido aos Estados Unidos em 1867, o território no noroeste da América pertencia à Rússia. E na época a Finlândia era um novo grão-ducado russo. Habituados ao clima ártico, alguns finlandeses acharam banal servir os czares no outro confim gélido do império. Afinal estes tinham sido tão liberais com essa aquisição tardia que em Helsínquia permanece a estátua de Alexandre II. Hoje a Rússia continua a ser o maior país do mundo. Olhe-se para o mapa-múndi e veja-se como é imensa a distância entre o enclave de Kalininegrado, vizinho da Polónia, e a cidade de Vladivostoque, próxima da Coreia do Norte. E há até no estreito de Bering uma ilha russa que fica a apenas quatro quilómetros de uma ilha dos Estados Unidos. Por isso, os 11 fusos horários. Talvez possa existir no Kremlin alguma nostalgia pelos tempos em que a Rússia ia da Finlândia ao Alasca, território só suplantado pelos impérios mongol e britânico. Mas aquilo que hoje molda a política externa de Moscovo tem referências mais próximas: o fim da União Soviética em 1991, que deu origem à Rússia e a outras 14 repúblicas. Ea União Soviética, sucessora do Império Russo, tinha uma área de 22,4 milhões de quilómetros quadrados. A Rússia agora tem 17,1 milhões de quilómetros quadrados. Nas contas da diferença, constam o Cazaquistão, nono maior país de mundo. E a Ucrânia, maior país da Europa se excluirmos a própria Rússia, euro-asiática. Ao processo que levou à desagregação da União Soviética chamou Vladimir Putin, atual presidente russo, "a maior tragédia geopolítica do século XX". Diz muito esta frase. Apesar de ter sido um agente do KGB, a nostalgia de Putin não é por si pelo sistema comunista que essa polícia secreta defendia dentro e fora de fronteiras. O presidente russo ambiciona sim recuperar um pais enganado pelo o ocidente. Mas tambem para recuperar o país a condição de grande potência que se desvaneceu há três décadas, independentemente de um arsenal nuclear só igualado pelo dos Estados Unidos, do programa espacial e de vastos recursos energéticos. E isso passa por uma redefinição da esfera de influência russa, que não obriga a alteração de fronteiras mas não as exclui, como já se viu em 2014, com a anexação da Crimeia, habitada por uma maioria de russófonos mas reconhecida como ucraniana. Putin tem consciência dos limites do poder russo. Por exemplo, nunca deu ouvidos a ultranacionalistas como Vladimir Jirinovski, que defendia a tomada de parcelas de território cazaque. Também aceitou a integração dos países bálticos na OTAN e na UE em 2004, durante o seu primeiro período como presidente. Nesta atual tensão entre a NATO e a Rússia sobre o destino da Ucrânia é inevitável. A Rússia sempre relembra muito bem a promessa americana ainda naqueles os tempos soviéticos de que depois de integrar a ex-RDA, já parte da Alemanha unificada, a NATO não avançaria nem mais um milímetro para Leste. Mas a Ucrânia ainda recorda que em 2008 quando lhe foi oferecida a entrada na aliança com um piscar de olho. Voltemos sobre à Finlândia um pouco para entender a historia. A finlandia (que em 1918 e sobretudo 1940 mostrou ao Kremlin o quanto prezava a independência) e ao que ela nos pode ensinar sobre relações pragmáticas de proximidade com a Rússia. Durante a Guerra Fria conseguiu ser uma democracia de tipo ocidental abdicando da NATO e mantendo o entendimento com o vizinho russo/soviético. Chamou-se a isso finlandização. É um conceito de Neutralizacao que pode servir de base para negociações hoje sobre uma complexa Ucrânia que tem vocação ocidental mas não deixa de ser herdeira do Rus de Kiev? Estao a entender ate aqui??? Agora vamos continuar a outra parte da historia mas no contexto da guerra fria. Para a reunificação da Alemanha (deutsche Wiedervereinigung) em 1989, a Rússia ja tinha mesmo prometido em não querer se aproximar - ser militarmente de suas fronteiras, se aceitasse essa reunificação. Alguem lembre disto???? Não esqueçamos que parte da Alemanha foi colônia russa desde a 2ª Guerra Mundial até 1989. Em suma, a Rússia aceitou a reunificação da Alemanha. Agora para aonde vamos ?? vamos entender a historia a seguir .. Ocidente se comprometeu com não expansão da OTAN para leste em 1991. Verdade e ou mentira??? Países ocidentais realizaram conversações com a URSS no início de 1991, nas quais foi referido que "a OTAN não se expandirá além do Elba", segundo o jornal Der Spiegel. Um documento classificado de 1991, e que foi obtido dos Arquivos Nacionais do Reino Unido, ele mostra que os países ocidentais se comprometeram com a não expansão da OTAN para leste. O mesmo documento revela conversações entre o então secretário de Estado dos EUA e os ministros das Relações Exteriores dos paises como a Alemanha, França, Reino Unido e URSS em Bonn, em 6 de março de 1991. Segundo o jornal, o texto deste documento mostra que os países ocidentais concordaram que a participação de países do Leste Europeu da OTAN seria inaceitável, o que justifica as atuais queixas da Rússia em relação ao bloco militar. Estao a entender ate aqui???? E os ministros das Relações Exteriores destes paises afirmaram em seguinte: Deixamos claro durante as conversações que a OTAN não se expandirá além do [rio] Elba. Então não podemos [oferecer] filiação na OTAN à Polônia e outros", disse Jurgen Chrobog, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha. Raymond Seitz, secretário de Estado dos EUA, na epoca concordou com Chrobog, segundo o Der Spiegel. Novamente foi repetido em seguinte dizer: Deixamos claro à União Soviética que nós não vamos [aproveitar] a retirada de tropas soviéticas do Leste Europeu [...] E a OTAN não pode se expandir nem oficialmente, nem não-oficialmente", apontou na época. Sobre a violação do direito internacional na parte do ocidente. A partir de 1997, o alargamento da OTAN a Leste é oficializado. Mas apesar de os responsáveis ocidentais terem prometido a Mikhail Gorbatchov que isso não aconteceria. Nos Estados Unidos, personalidades de primeiro plano mostram a sua discordância. George Kennan, considerado o arquitecto da política de contenção da URSS, prevê as consequências tão lógicas quanto negativas de tal decisão: Diza que o alargamento da OTAN seria o erro mais fatal da política americana desde o fim da Guerra Fria. É de esperar que tal decisão atice as tendências nacionalistas, antiocidentais e militaristas da opinião pública russa; que relance um ambiente de guerra fria nas relações Leste-Oeste e que oriente a política externa russa numa direcção que não corresponderá verdadeiramente aos nossos desejos». Em 1999, a OTAN, que festeja o seu cinquentenário com grande pompa, efectua o seu primeiro alargamento a Leste (Hungria, Polónia e República Checa) e anuncia a continuação do processo até às fronteiras russas. Mais ainda, a Aliança (...) Entenderam ate aqui???? Agora passamos na outra fase para entender melhor o inicio dos problemas. A Rússia tem protestado contra a expansão da OTAN desde os anos 1990, considerando que a presença militar do bloco junto de suas fronteiras constitui uma ameaça direta ao país. Quando Putin se tornou presidente da Rússia em maio de 2000, um de seus primeiros passos foi fazer um discurso no Bundestag para parlamentares alemães. Era 25.09.2001. Foi uma mão estendida para os europeus. Ele deixou bem claro que quer o desarmamento, quer cooperação e não gostaria de ter uma guerra com a Europa. Ele mesmo apontou isso muitas vezes e ate hoje ele fala o mesmo. Em vez de ouvi-lo e levá-lo a sério, a OTAN tomava uma decisão de expansão atrás da outra para as fronteiras da Rússia e continuava dizendo que não representava nenhuma ameaça. Mas a Rússia se sente ameaçada. Assim Vladimir Putin, presidente da Rússia, reconheceu que Mikhail Gorbachev, ex-líder da URSS (1985-1991), cometeu um erro ao não converter as negociações sobre o não-alargamento da OTAN em um acordo escrito. Além disso, Moscou tem argumentado que os Estados-membros da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE que nenhum Estado pode adquirir segurança à custa da segurança de outro Estado. E ainda Moscou propôs projetos de acordo com a OTAN, entre cujos pontos principais se incluem o não alargamento da Aliança Atlântica para leste e respetivo regresso às fronteiras de 1997, e a não colocação de meios militares na proximidade entre a Rússia e a OTAN. Estao a entender ate aqui??? Mas por que razão é que os Estados Unidos envolveram em manter a NATO ? E ainda vejamos por que razão é que os Estados Unidos eles mesmos avancaram em colocar depois armamento nuclear na Europa?" "Por uma razão muito simples": Eles Sabem perfeitamente que os russos têm uma grande superioridade num conflito convencional e que só podem ser travados com medidas deste género. É por isso que este conflito entre a Russia e a Ukrania é muito perigoso. A atual crise tem algo em comum com a crise dos mísseis de 1962. só que na altura o confronto entre as duas superpotências era direto. Com a crise dos mísseis em Cuba, na altura o presidente Kennedy disse: ' esperem lá, estão a pôr mísseis à minha porta. Como se atrevem?' O Khrushchev disse: ' desculpe, vocês têm tropas mesmo nas nossas fronteiras. Tem de haver igualdade.' O Putin está a fazer a mesma coisa. Racionalmente os russos eles mesmos entendem a necessidade de a NATO e sabem perfeitamente o que eles querem contra a Russia.. Não vejo que a administração Biden e Vladimir Putin estejam muito interessados em ultrapassar a situação. Pois o Vladimir Putin ja perdeu a confianca com o ocidente para evitar ser enganado pelos os ocidentais. Putin é um jogador que o ocidente não consegue decifrar. O problema entre a Russia e a Ukrania, isto começou quando o presidente americano aumentou o apoio a Kiev e os ucranianos começaram a falar em recuperar a Crimeia pela força. Não posso dizer que os Ukranianos ou os EUA eles queiram um confronto direto com os russos, mas odeiam o Putin, querem vê-lo de joelhos e a pedir perdão. Eu digo que isso nunca vai acontecer. Em 2014, o Putin anexou a Crimeia, mas não foi mais longe. Ele é um jogador e como tal apropria-se do que pensa que pode ter e controlar Mas nao é aqui que eu direi sobre a verdadeira origem de todos os problemas. Meus amigos, imaginem como os Estados Unidos reagiriam se a Russia instalásse os seus mísseis na fronteira EUA-Canadá ou EUA-México? Eles nunca tiveram conflitos? De quem era a Califórnia? De quem era o Texas? Eles esqueceram?",.. Estao a entender aqte aqui??? E ainda como os Estados Unidos reagiriam se um país da América Central, digamos, Venezuela, Cuba ou México, aderisse a uma aliança militar liderada pela Rússia e ou mesmo pela China ???? E se tropas russas ou chinesas com suas bases de mísseis estariam estacionadas lá ??? Estou ainda a falar aqui sobre o atual crise tem algo em comum com a crise dos mísseis de 1962. Exactamente tivemos isso em Cuba em outubro de 1962 e vimos a reação dos EUA. Quase deu início a uma terceira guerra mundial. Estao a entender ate aqui???? O que putin hoje esta a fazer passar as mensagens é em seguinte : Não estamos ameaçando ninguém, são eles que vieram para nossas fronteiras. Essa é a questão subjacente. Portanto sobre o sim e ou nao o alargamento da NATO junto as fronteiras da Russia ; não é a Rússia que deve oferecer garantias, mas sim os EUA." Estao a entender ate aqui???? Nada acontece sem uma razão. O alargamento da NATO é uma questão que não pode ser descurada, face às tensões na Ucrânia. A expansão constante da NATO, na sequência da Guerra Fria, vai contra a nossa época, ou seja, para preservar a segurança comum", "A segurança regional não pode ser garantida pela expansão de um bloco militar. E Isso aplica-se à Europa como a outras regiões do mundo". Referindo-se implicitamente aos Estados Unidos,. Para mim eu nao entendo quando os EUA estao preocupados com a Ukrania, mas nao estao preocupados porque com o seu quintal na América do Sul e no caribe em particular o Haiti que es o pais mais pobre das Americas que no qual eles deveriam ajuda-los a se desenvolver ?? Mudamos.... Assim ficamos a entender que o mundo tem "um país que se recusa a desistir da sua mentalidade da Guerra Fria, que diz uma coisa e faz outra para alcançar a superioridade militar". Em entrevista a jornalistas, Putin afirmou que os EUA têm mísseis "à porta da Rússia" e que o "Ocidente tem vantagens bélicas" em relação ao país eurasiático. . E por lado a Ucrânia tem expressado sua intenção em se converter em um membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança político-militar mais importante do mundo. E a Rússia quer evitar isso a todo custo porque, considera segundo seu presidente, Vladimir Putin, o avanço da Otan até as bordas do seu território representa uma ameaça à sua segurança. Eis aqui o problema dos Estados Unidos e a OTAN.. Mas Moscovo exige um congelamento oficial do alargamento da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) a Leste, a retirada das tropas ocidentais dos países da Europa oriental e o repatriamento das armas nucleares americanas colocadas na Europa. Agora no meio desta crise ou seja o ruído das botas às portas da Europa os europeus eles mesmo deixaram que o Velho Continente voltasse a ser um terreno de confrontos entre as duas potências. Estao a entender ate aqui???? O mal-entendido remonta ao colapso do bloco comunista em 1991. Logicamente, o desaparecimento do Pacto de Varsóvia deveria ter conduzido à dissolução da OTAN, criada para fazer face à «ameaça soviética» A este respeito, deve-se levar muito a sério o fato de que a Rússia, naturalmente, nunca quis este processo de alargamento da OTAN. Eu ouvi a dizer que a Russia matou o processo de paz na Europa. E a Rússia sempre foi criticada por ter colocado seus soldados nas fronteiras ucranianas, e por ter realizado manobras militares lá. Isso sempre foi considerado provocativo. Mas quando a OTAN, quando os americanos fazem suas manobras no Mar Negro, quando milhares de soldados americanos estão estacionados na Europa Oriental, isso é chamado de ato de paz??? Claro que o Putin não é louco e nem um estúpido, ele sabe o que está acontecendo. Para mim a OTAN ja deveria ser extinta. E os Europeus eles deveriam continuar com o seu propio processo da Uniao Europeia, mas sem a OTAN e os Missis dos EUA dentro do do continente Europeu. Eu acredito que sem a OTAN na europa seria possivel haver paz douradoura com uma Russia pacifica e prospera e a questao da ukrania ja estaria resolvido. E ate la convinha propor um novo formato de associacao para esta «outra Europa» refiro-me a Russia que amanha aspirara -se de se aproximar-se na familia Europeia. Estou a falar de uma Russia como estado independente mas com boa vinzinhaca e com relacoes e politicas e economicas reciprocas . O momento parecia tanto mais oportuno no futuro sem a OTAN na Europa. E os Russos de certeza haveriam de aceitar um dia esta formula de paz sem lutar e sem guerras na Europa . Contudo, as propostas neste sentido, formuladas nomeadamente vai depender do Washington se realmente desejaria ou nao de continuar a manter a OTAN na Europa ??? Sem a OTAN na Europa nao significa que lhe fosse roubada a sua «vitória» face a Moscovo. Pelo o contrario sem a OTAN na Europa todos se beneficiariam de paz e a prosperidade mas juntamente com uma Russia pacifica, prospera e moderna. Agora a pergunta é: Vocês foram contra o pacto de Varsóvia, pediram a dissolução da união soviética mas mantém ainda a OTAN ???? E por que os europeus e os EUA estão agindo da maneira que estão agindo? Qual sera o objectivo do OTAN ?? Enfraquecer a Rússia militarmente. Ou seja, querer cercá-lo e atacá-lo um dia. Impedir que o gás russo vá para a Europa e venda gás americano na Europa?? Voces lembram Hillary Clinton em referencia a Libia ??? Ela disse: A guerra contra a Líbia teve como objetivo impedir a soberania econômica da África!" Mudamos.... A quem afirma mesmo que a verdadeira origem de todos estes problemas esta nas maos dos EUA e a OTAN que arrastaram a ukrania neste conflito sem sentido ou uma guerra inventada que nao deveria ter acontecido. E depois a quem afirma que o verdadeiro problema nao é a Ukrania; Nao é a Russia; E muito menos o Putin . Mas assim como muitos infelizmente nao entendem a historia e ou que ignoram; eles mesmos acabam de apontar o dedo ao lado errado dos problemas . Portanto alem do problema que se chama a OTAN e os EUA; E os europeus é deixaram que o Velho Continente voltasse a ser um terreno de confrontos entre as duas potências. O mundo cada vez mais entende que o objetivo dos EUA e a OTAN ser mesmo na verdade nao é so de impedir a independencia e a soberania Politica; econômica e militar da Russia; mas o seu desejo de ser visto como um policia mundial e deste modo controlar o mundo sozinho.. Mas ate quando???? Enfim para terminar eu venho fazer-vos de lembrar que no meio deste actual conflito e as sancoes contra a Russia; Se recuarmos na historia do mundo; o Haiti foi a primeira nação do mundo a ser aplicado a mais longa e duras sanções da sua historia. Porque?? Simplesmente porque quando esta nação conseguiu a sua propia independencia; E o Haiti derrotou tres potencias mundias juntos como a Franca; inglaterra e a Espanha. Logo depois veio as sanções mais longas e duras da historia contra esta nação preta . E depois??? Leia as afirmações do dirigente francês em seguinte dizer: Minha decisão de destruir a autoridade dos pretos em Saint Dominique (Haiti); não tanto baseada em considerações de comércio e dinheiro; como a necessidade de bloquear para sempre a marcha dos pretos no mundo, disse Napoleão Bonaparte. Portanto talvez seja neste mesmo sentido aquilo que os ocidentais estao aplicando com os mesmos metodos de sanções mais duras contra a Russia e assim de impedi-lo marchar politica; economica; militar e tecnologicamente ????

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

CITANDO VICTOR ÂNGELO

https://www.dn.pt/opiniao/europa-e-africa-uma-relacao-muito-complexa-14599639.html Europa e África: uma relação muito complexa Começou ontem e continua hoje em Bruxelas a sexta cimeira entre a União Europeia e a União Africana. Aproveito a ocasião para partilhar algumas reflexões pessoais sobre o relacionamento entre a Europa e um continente que absorveu mais de três décadas da minha vida profissional, incluindo como diretor para África das operações do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Um xadrez que abrange 82 países e à volta de 1,7 mil milhões de pessoas só pode ser bastante complexo. Essa complexidade é agravada pelos desequilíbrios que a história provocou e pelas disparidades de desenvolvimento que existem entre os dois continentes. Por isso, o estabelecimento de parcerias de igual para igual deve ser a prioridade absoluta para ambas as partes. Esta é uma questão extremamente sensível. Nem sempre os dirigentes europeus têm mostrado suficiente tato político. Ainda existe uma lógica que vê doadores, de um lado, e necessitados, do outro. Ou, pior ainda, que olha para África como uma zona de instabilidade, que, conjugada com uma pressão demográfica ímpar, acabará por provocar migrações em massa com destino à UE. Para quem reflete assim, África aparece como um sorvedouro de dinheiro e uma ameaça. A cimeira, prevista para 2020, foi sucessivamente adiada por causa da pandemia. Acontece agora, copresidida pela França e pelo Senegal, por estarem, neste momento, à frente das respetivas regiões. Não é a melhor coincidência. Existe, hoje, um sentimento antifrancês na África Ocidental e Central. E o presidente senegalês, Macky Sall, e mesmo Dakar e a sua elite, são vistos como os parisienses da África subsariana. Isto tem dado azo a que se diga que se trata de mais uma cimeira inspirada pelo Eliseu. Além disso, ficou a impressão de que, durante os trabalhos preparatórios, não se prestou atenção suficiente às preocupações dos países anglófonos e lusófonos. A verdade é que o continente africano é muito diverso. Cada sub-região tem características específicas e até preconceitos profundos em relação às outras. Basta ouvir, como muitas vezes ouvi, o que diz um político da África Austral sobre a situação em certos Estados da África Central ou Ocidental para se perceber que a fachada esconde muitas brechas. Estabilidade e prosperidade resumem as aspirações dos participantes. A estabilidade pede que haja uma governação competente, em sintonia com os anseios das populações e capaz de proteger a sua segurança e os seus direitos. Esta é uma área que exige um diálogo franco entre os parceiros, para definir as responsabilidades de cada um. Desenhar planos em Bruxelas e depois desembarcar para os aplicar no Sahel, ou noutro sítio, acaba por levar à rejeição dessas iniciativas e dar espaço a derrapagens, como está a acontecer no Mali e na República Centro-Africana. Também não se pode aceitar uma junta militar no Chade e dizer que não a outra, no Burkina Faso, por exemplo. Ambiguidades assim só servem para desacreditar a cooperação vinda da Europa. Mais ainda, em matéria de luta contra o terrorismo é imperativo obter resultados visíveis sem demoras. A contínua deterioração da situação de segurança, no Sahel e mais além, pede que se equacione as razões do fracasso e que, com base nas lições apreendidas, se opere de maneira diferente. A prosperidade deve assentar em cinco pilares. Primeiro, na luta contra a corrupção. Segundo, na eletrificação do continente. Bruxelas diz-nos que 50% da população africana não tem acesso à energia elétrica. Esse número está obviamente subestimado. Todos sabemos que as redes elétricas funcionam apenas quando funcionam, ou seja, são mais longos os cortes do que o abastecimento. Terceiro, numa revolução verde, que modernize a agricultura e a pecuária. Quarto, na industrialização, no processamento local das matérias-primas e dos produtos agropecuários. Quinto, na abolição efetiva das barreiras alfandegárias entre os países africanos. As trocas entre esses países não representam mais de 15% do comércio externo do continente. É muito pouco. Vamos, assim, esperar pelos resultados da cimeira. E batalhar com otimismo. Conselheiro em segurança internacional. Ex-secretário-geral adjunto da ONU

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

CITANDO NUNO CARVALHO

https://observador.pt/opiniao/refletir-no-psd-sem-esquecer-os-militantes/