quinta-feira, 18 de julho de 2013

DISCURSO CARLOS DANTAS NA CANDIDATURA J FREGUESIA NO BARREIRO



Caros amigas e amigos,

1.   INTRODUÇÃO
Dar Futuro ao Barreiro, é hoje, mais do que nunca, um imperativo de cidadania ativa.

Assistimos, desde há muitos anos, ao contínuo definhar do Barreiro. Os mais velhos recordar-se-ão de fábricas pujantes, de trabalho para muitos, de clubes desportivos vigorosos, de associações recreativas e culturais dinâmicas, de uma terra em crescimento.

Não é esse, infelizmente a realidade atual do Barreiro. Urge uma vida nova, urge inverter a situação e essa inversão não pode ser feita por quem colocou o Barreiro no seu atual estado.

A minha ligação ao Barreiro é antiga, aqui cresci, aqui estudei, aqui tenho Família e Amigos. Aqui iniciei a minha intervenção cívica e política.

As ruas e as gentes do Barreiro, são as minhas ruas e as minhas gentes.

E porque assim é, entendi aceitar o convite do Bruno Vitorino para encabeçar, como independente, a lista à União das Freguesias do Alto Seixalinho, Verderena e Santo André.

O Barreiro precisa de Futuro, precisa de criar Economia, precisa de promover o Emprego e dignificar o Trabalho.

Hoje, como ontem, e como sempre, continuo a acreditar no Homem como centro do Universo, livre face ao Estado.

Hoje, como ontem, e como sempre, continuo a acreditar que a Família é a base da nossa sociedade e, a querermos que a mesma readquira o seu papel central no fortalecimento e futuro da nossa comunidade, só nos resta, reforçar o seu apoio.  

Hoje, pela experiência vivida no passado, acredito na candidatura do Bruno Vitorino à Câmara Municipal do Barreiro.

O Bruno Vitorino, sempre soube, ao longo dos anos, honrar a sua palavra, sempre soube construir equipas, sempre soube ser uma presença ativa e permanente na defesa dos interesses do Barreiro e das suas populações.

Por tudo isto, e pelos tempos difíceis que atravessamos, entendi que é hora. É a hora de responder PRESENTE!

2. OS CANDIDATOS
Esta candidatura é genuinamente uma candidatura de homens e mulheres livres, empenhados na construção de um melhor Barreiro.

O Bruno Vitorino é disso um garante.   

O PSD, herdeiro das melhores tradições municipalistas, é o grande partido autárquico português e esta candidatura beneficia desse saber acumulado.

Porque mudar é uma necessidade e porque mudar é possível, somos, sem qualquer dúvida, a única alternativa credível. Temos gente competente, gente séria e tecnicamente preparada para os desafios da mudança.

E temos, essencialmente, uma vontade enorme e inesgotável em melhor servir o Barreiro e as suas gentes.

Esta sala demonstra, hoje, os amanhãs que sorriem a esta candidatura.

3.   CAMPANHA
A campanha eleitoral que se vai seguir, por razões diversas que todos conhecemos, será uma campanha dura e difícil. Contudo, temos por nós o Futuro, ou não fosse o passado, aqui, feito pelo Partido Comunista e pelo Partido Socialista.

Por isso, esta campanha que se avista dura e difícil pela conjuntura global, pode e deve ser, aqui no Barreiro, um não à resignação, um não ao baixar dos braços, mas antes uma campanha de braços e peitos erguidos, uma campanha alegre, entusiasta, acreditando na Mudança.

Porque nesta campanha o que vamos discutir será o Barreiro, o seu passado, o seu presente, mas sobretudo discutir e pensar o seu Futuro, um futuro que queremos, necessariamente, muito diferente deste presente…

Será uma campanha feita rua a rua, porta a porta, na certeza de que temos o Candidato mais bem preparado para defender o Barreiro num tempo que se quer de Mudança.

Uma campanha na qual convenceremos, pela razão dos nossos argumentos, os nossos amigos, os nossos conhecidos, os nossos vizinhos, da necessidade de votar no PSD.

4.   CONCLUSÃO
Meus amigos e minhas amigas,

É preciso recolocar o Barreiro no mapa do progresso, do desenvolvimento económico, da requalificação urbanística. É tempo de dar qualidade de vida aos barreirenses, é tempo de derrubar muros e crescer em Liberdade!
                      
Votar no PSD e no candidato Bruno Vitorino é, a 29 de Setembro de 2013, um imperativo categórico para todos os Barreirenses.

Com efeito,

Esta é a candidatura e o candidato que dão voz aos legítimos anseios de mudança para o Barreiro!

Esta é a candidatura e o candidato que dão voz aos legítimos anseios de progresso para o Barreiro!

Esta é a candidatura e o candidato que dão voz aos legítimos anseios a todos os eleitores barreirenses cansados de anos e anos de governação camarária comunista!

Esta é a candidatura e o candidato que dão voz aos eleitores à Direita do Partido Socialista!

Esta é a candidatura e o candidato que “Dão futuro ao Barreiro”!

quarta-feira, 3 de julho de 2013

COMPREEENDER A ATITUDE DE PAULO PORTAS

Se me perguntarem, se Paulo Portas é fiável respondo que não! Apesar de afirmar que o partido é fiável e previsível.


Se me perguntarem, se Paulo Portas é coerente digo que não!

Se me perguntarem, se Paulo Portas é manipulador e usa as pessoas, respondo que sim.

Se me perguntam, se Paulo Portas é confiável digo que não!

Se me perguntam, se Paulo Portas é estratega, respondo que sim e intelectualmente desonesto.

Tantas perguntas e dúvidas que poderiam ser feitas, para ajudar a conhecer quem é esta personalidade que Fiquei a conhecê-lo durante um período em que lidei de perto com Paulo Portas.

Foi o mesmo Paulo Portas que em 2002 me pediu para organizar o partido no distrito de Setúbal, algo que nunca tinha sido feito em 30 anos de democracia e depois do trabalho feito, como discordei de certa tutoria que queria manter, criou as condições para me afastar da liderança distrital.

Foi Paulo Portas que me convidou para um cargo na Administração Pública por considerar que tenho o perfil adequado: incorruptível, pulso forte e disciplinar e responsável, no entanto passado um ano quis afastar-me das funções, porque não pactuei com certos procedimentos menos corretos.

Antes de ir para o governo em 2002, Paulo Portas, combatia a corrupção como bandeira eleitoral em pé de igualdade com os direitos dos combatentes, durante o tempo do governo e após esse período ambas as bandeiras eleitorais caíram, mas não se inibiu de pedir-me que deixasse cair o caso Freeport em troca dos submarinos.

Se me perguntarem o que fiz, respondo que sai do partido porque não senti confiança na liderança, nem coerência nos ideais políticos.

Se me perguntarem porque ele sobrevive na política, respondo que está confinado a dois a três distritos e tem o lobby na comunicação social para o promover.

Se me perguntam porque mantém um restrito número de apoiantes e subordinados, porque descobre fraquezas nestes e coloca-los na sua dependência financeira.

Se me perguntam qual o sonho de Paulo Portas, respondo é chegar a Primeiro-ministro!

Qual a razão desta saída do governo? Utilizou um artifício para criar as condições no intuito que daqui a um ano e estando fora da ação governativa melhor poderá atingir tal sonho ou em último recurso fazer uma aliança com o líder (in)Seguro.

É bom recordar que no governo Santana Lopes e em vésperas de eleições legislativas conferenciava com Sócrates e face à maioria socialista afastou-se da liderança, mas continuou a manipular tudo e todos no seio do partido.

Se me perguntam porque não renunciou no passado ao lugar de Deputado, respondo que não pode perder a imunidade parlamentar.

É a hora dos portugueses não se deixarem embalar pelo canto da sereia.

A verdade e a transparência mantém-se e Portugal tem que se livrar do estatuto do protetorado e afastar políticos que são como os macacos só se coçam para dentro.

DECLARAÇÃO DO PRIMEIRO MINISTRO

DECLARAÇÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO AO PAÍS - 2/7/2013

O País foi surpreendido pelo pedido de demissão do sr. dr. Paulo Portas, Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros e Presidente do CDS-PP.

Eu próprio tenho de manifestar a minha surpresa. Quando ontem propus ao sr. Presidente da República a dra. Maria Luís Albuquerque para Ministra das Finanças, e os seus Secretários de Estado, que incluem um membro do CDS e que tinha sido confirmado pelo dr. Paulo Portas, os acontecimentos de hoje eram evidentemente impensáveis.

É agora claro para todos os Portugueses que a ameaça da instabilidade política, nas atuais circunstâncias, comporta riscos para o País que ninguém pode desejar e que teria consequências muito pesadas.

Seriam dois anos de um grande esforço de todos, de sacrifícios que todas as famílias conhecem, que seriam deitados por terra.

Seria recusar incompreensivelmente os primeiros sinais de viragem que estão finalmente a chegar de forma ainda tímida mas consistente.

Por tudo isto, e pelo facto de o sr. Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros ser Presidente de um partido que suporta o Governo, seria precipitado aceitar esse pedido de demissão. Não pedi, portanto, ao sr. Presidente da República a exoneração do sr. Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.

Numa democracia madura, um Governo de coligação que goza do apoio de uma forte maioria dos representantes do povo não pode ser posto em causa a não ser por divergências de enorme gravidade.

Desde o início que sempre tentei transmitir a todos os Portugueses e a todos os agentes políticos a necessidade imperiosa de colocarmos a prudência, a cabeça fria e o sentido de Estado acima de tudo o resto. Quando começámos este caminho a situação era muito difícil, e as dificuldades ainda não terminaram. Talvez agora todos estejam mais conscientes das exigências que circunstâncias tão delicadas como as nossas impunham. Mas são precisamente esses momentos definidores que mais apelam à serenidade.

Da minha parte poderão contar sempre com essa serenidade. Lucidez nos momentos de crise não é insensibilidade, mas um dever político comum a todos. Comigo o País não escolherá um colapso político, económico e social. Há muito trabalho pela frente e temos de colher os frutos do que semeámos com tanto esforço. O País está primeiro. Esta é uma questão de consciência e de convicção. Os tempos não exigem menos do que isto. E aqui o Primeiro-Ministro representa a esperança de todos os Portugueses de fechar o Programa de Ajustamento e construirmos uma sociedade mais próspera e mais justa.

Quero também dizer-vos que precisamos de clareza. Isso significa que assumo como minha a missão de esclarecer todas as condições de apoio político junto dos partidos que suportam o Governo. Não depende apenas da minha vontade resolver definitivamente este problema. Mas ambos os partidos têm a obrigação de não desiludir o País. Em conjunto, teremos de esclarecer o sentido do pedido de demissão do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros no contexto mais amplo possível: no contexto do nosso projeto comum e no contexto dos perigos que conseguimos evitar.

Essa clareza é também fundamental para manter a credibilidade e confiança internacionais que já conquistámos. Por essa razão irei manter a minha participação amanhã num encontro em Berlim que conta com os chefes de Estado e de Governo da União Europeia e onde continuarei a lutar pelos interesses de Portugal.

Nas próximas horas procurarei junto do CDS clarificar e garantir todas as condições de estabilidade para o Governo e para o País para prosseguirmos a estratégia de superação da crise nacional, agarrarmos um novo ciclo de prosperidade que os Portugueses merecem, e darmos sentido ao grande esforço e sacrifícios de todos. É minha convicção que, sejam quais forem as divergências que estão na base da atual crise, saberemos ultrapassá-las em nome do interesse de Portugal. Estamos cientes de que um Governo de coligação é um compromisso permanente.

É dessa clareza que falo e é essa clareza que espero.

Assumo essa missão com a mesma determinação que desde a primeira hora confrontei todas as adversidades.

Nesse sentido, também eu serei claro. Não me demito. Não abandono o meu País. Abraço, como sempre abracei, o serviço ao meu País com a mesma dedicação e com a mesma esperança. Vivemos num tempo em que não nos podemos assustar diante das adversidades. Como poderia eu assustar-me quando à minha volta vejo exemplos de coragem de tantas centenas de milhares de Portugueses?

Quando atravessamos os problemas colectivos que ainda temos para resolver, o Primeiro-Ministro tem de ser o baluarte da confiança e da tranquilidade. Tem de ser o referencial da persistência e do empenho democrático no único rumo que nos pode fazer sair de uma crise que se arrasta há mais de 10 anos.

O Primeiro-Ministro tem de assegurar a responsabilidade e a energia necessárias para lutar contra todas as adversidades. Tem de representar a vontade colectiva que não se verga nem desiste.

Para tudo isso os Portugueses podem contar comigo.

Nem poderia ser de outro modo quando os Portugueses deram e continuam a dar provas de responsabilidade, de energia e de vontade de lutar.

Nós, políticos e governantes, temos de responder à altura. Porque, afinal de contas, o que está em causa não são as incertezas ou os anseios dos políticos, quer estejam no Governo, quer estejam na oposição, mas o interesse e o bem da nossa comunidade política. Todos desejamos um rápido regresso à estabilidade e à confiança.

Farei tudo, absolutamente tudo, para que assim seja.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

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sábado, 18 de maio de 2013

JEAN MOONS


Descendente de artesãos – agricultores e pedreiros, Jean Mons nasce em Argentat (Corrèze) a 25 de Janeiro de 1906.

Devido à morte de seu pai – no Campo de Honra em 1917, viu-se obrigado a crescer com enorme responsabilidade para consigo e com os que o rodeavam adotando uma postura onde a intrepidez, a constância, a abnegação, a resignação e a firmeza foram constantes que desde então o acompanharam por toda a sua vida.

Começa a sua carreira como professor primário interino, o que o leva a viajar por toda a França com curtas estadias onde é colocado. Jean Mons preocupava-se com o modo de vida dos seus alunos e de suas famílias intervindo socialmente para que pudessem ter o maior bem-estar possível.

Em 1936, já como engenheiro diplomado e Inspetor Principal das Industrias Agrícolas, é chamado para ocupar o cargo de Secretário-geral do Sindicato Nacional das Contribuições.

Em 1940 junta-se à Resistência, no movimento de Libertação-Norte, é nomeado para a Delegação Geral em França do Governo provisório.

Um antigo companheiro seu da resistência, tomando conhecimento da sua forma de pensar e intervir na sociedade, dá-lhe a conhecer os princípios fraternos da Mç:.,

Prossegue a sua imensa carreira politica, em 1944, com 38 anos, é nomeado Perfeito, Secretario geral do Sena, 1946 – Director do gabinete de Léon Blum, 1947 – Director do gabinete Paul Ramadier, ainda em 1947 – Representante Geral de França em Tunes, 1950 – Secretario geral permanente da Defesa Nacional, 1956 – Conselheiro Mestre do Tribunal de Contas, 1970 – Presidente da Câmara do Tribunal de Contas.

A partir de 1965 na G:.L:.N:.F:., continua a sua formação maçónica e o cumprimento dos cargos daí resultantes num contexto rigoroso e de acordo com os seus princípios, tentando criar uma união entre os homens de onde emergisse uma sociedade mais justa e fraterna.

Foi eleito (por unanimidade) 9º G:.M:. da G:.L:.N:.F:. a 6 de Dezembro de 1980

Em 1986 cria as primeiras RR:.LL:. no Burkina Faso, dependentes da G:.L:.N:.F:.

No seu percurso contam-se ainda várias condecorações:

Comendador da Legião de Honra

Medalha da Resistência com Roseta

Cruz de Guerra com Palma

Grande Oficial da Ordem de Mérito

Passa ao Or:. eterno a 8 de Maio de 1989, em Paris

No final da década de 80, um grupo de II:. – inspirados na personagem de Jean Mons – cria, a R:.L:. Jean Mons, o nome surge como homenagem ao Homem pelo seu contributo para a sociedade em geral e para com a Mç:. em particular.

Jean Mons adotou como máxima de vida,

Quanto nasceste, choraste, e à tua volta riam-se de ti constrói a tua vida de tal forma e maneira, que na tua morte rias, e á tua volta chorem

Por M. G.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A COERÊNCIA DE ANTÓNIO COSTA NA CML



Quadro de Pessoal. Percebo agora a grandeza desta metrópole, bem demonstrada pelos 2521 Técnicos Superiores, licenciados ou doutorados que trabalham arduamente para o município, e entre eles: 
- 330 arquitectos
- 101 assistentes sociais
- 73 psicólogos
- 104 sociólogos
- 146 licenciados em... marketing!!!
- 260 engenheiros civis
- 156 historiadores !!!, que se devem desunhar a trabalhar...
- 303 juristas, cujo serviço se supõe que deve ser dar parecer sobre os pareceres que a CML encomenda aos gabinetes de advocacia privados.
 
Ah! Carago! Grande cidade esta!
 

Grande País que alberga tal Câmara no seu Património.

Calculem a inveja dos Holandeses, Alemães, Dinamarqueses, Suiços, Suecos, etc. por não terem esta "vantagem competitiva".Que inveja disto e de coisas similares que estes e os outros europeus não gostam de nos quererem "alimentar" os vícios.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

PARA REFLETIR

sexta-feira, 5 de abril de 2013

ACORDO DE LONDRES SOBRE AS DÍVIDAS ALEMÃS


O Acordo de Londres de 1953 sobre a divida alemã foi assinado em 27 de Fevereiro, depois de duras negociações com representantes de 26 países, com especial relevância para os EUA, Holanda, Reino Unido e Suíça, onde estava concentrada a parte essencial da dívida.

A dívida total foi avaliada em 32 biliões de marcos, repartindo-se em partes iguais em dívida originada antes e após a II Guerra.Os EUA começaram por propor o perdão da dívida contraída após a II Guerra. Mas, perante a recusa dos outros credores, chegou-se a um compromisso. Foi perdoada cerca de 50% (Entre os paises que perdoaram a dívida estão a Espanha, Grécia e Irlanda) da dívida e feito o reescalonamento da dívida restante para um período de 30 anos. Para uma parte da dívida este período foi ainda mais alongado. E só em Outubro de 1990, dois dias depois da reunificação, o Governo emitiu obrigações para pagar a dívida contraída nos anos 1920.

O acordo de pagamento visou, não o curto prazo, mas antes procurou assegurar o crescimento económico do devedor e a sua capacidade efectiva de pagamento.

O acordo adoptou três princípios fundamentais:
1. Perdão/redução substancial da dívida;
2. Reescalonamento do prazo da divida para um prazo longo;
3. Condicionamento das prestações à capacidade de pagamento do devedor.

O pagamento devido em cada ano não pode exceder a capacidade da economia. Em caso de dificuldades, foi prevista a possibilidade de suspensão e de renegociação dos pagamentos. O valor dos montantes afectos ao serviço da dívida nao poderia ser superior a 5% do valor das exportações. As taxas de juro foram moderadas, variando entre 0 e 5 %.

A grande preocupação foi gerar excedentes para possibilitar os pagamentos sem reduzir o consumo. Como ponto de partida, foi considerado inaceitável reduzir o consumo para pagar a dívida.

O pagamento foi escalonado entre 1953 e 1983. Entre 1953 e 1958 foi concedida a situação de carência durante a qual só se pagaram juros.

Outra característica especial do acordo de Londres de 1953, que não encontramos nos acordos de hoje, é que no acordo de Londres eram impostas também condições aos credores - e não só aos paises endividados. Os países credores, obrigavam-se, na época, a garantir de forma duradoura, a capacidade negociadora e a fluidez económica da Alemanha.

Uma parte fundamental deste acordo foi que o pagamento da dívida deveria ser feito somente com o superavit da balança comercial. 0 que, "trocando por miúdos", significava que a RFA só era obrigada a pagar o serviço da dívida quando conseguisse um saldo de dívisas através de um excedente na exportação, pelo que o Governo alemão não precisava de utilizar as suas reservas cambiais.

EM CONTRAPARTIDA, os credores obrigavam-se também a permitir um superavit na balança comercial com a RFA - concedendo à Alemanha o direito de, segundo as suas necessidades, levantar barreiras unilaterais às importações que a prejudicassem.

Hoje, pelo contrário, os países do Sul são obrigados a pagar o serviço da dívida sem que seja levado em conta o défice crónico das suas balanças comerciais

Marcos Romão, jornalista e sociólogo. 27 de Fevereiro de 2013

quarta-feira, 3 de abril de 2013

INTERVENÇÃO NO I CONGRESSO DE CIDADANIA LUSOFONA

PLATAFORMA COOPERAÇÃO, ECONÓMICA E SOCIAL

Senhora Presidente da PASC, Dra. Maria Perpétua

Senhor Presidente do Mil, Dr. Renato Epifânio

Exas senhoras

Exmos senhores

Meus caros companheiros de painel

Uma primeira palavra de louvor a esta excelente iniciativa promovida por duas associações que têm sido um exemplo de energia motivacional para os cidadãos interventivos numa sociedade que por vezes tem que ser abanada para reagir ao comodismo instalado.

Bem hajam, Maria Perpétua e Renato Epifânio!

Através de vós enalteço o empenho de toda a comissão organizadora.

Desde a primeira hora, que aderi à iniciativa deste congresso para debater a temática “lusofonia” nas suas vertentes; faço-o com a toda a paixão e racionalidade de um ser livre e com bons costumes neste mundo global.

Assumo a minha angolanidade e portugalidade na qualidade de cidadão lusófono.

Aqui, uma primeira dificuldade de identidade há muito debatida. Porquê o termo de lusofonia quando estamos perante uma comunidade de cidadãos que falam a língua portuguesa.

Tentarei no tempo que tenho expressar-vos ideias e pensamentos que nem sempre serão como se usa designar “politicamente corretos”. O tempo e a crise internacional impelem-nos a romper com pensamentos padronizados e a sermos criativos, como outros, em séculos anteriores o fizeram e encontraram novos mundos, que hoje nos permitem debater este tema.

Nos dias de hoje mais do que no passado há que ser ousado, corajoso e aventureiro, não ficar sentado à espera que as coisas aconteçam.

O espirito deste congresso visa agitar a sociedade civil para as questões que unem povos e países, com denominadores comuns na sua génese, mesmo quando o cordão umbilical foi cortado.

Os países que integram a comunidade de língua portuguesa possuem uma fronteira comum entre si: as águas oceânicas. Os cidadãos deslocam-se entre estes países por via aérea, como tal, existem condições propícias para criar mecanismos e processos de livre circulação entre os povos.

Neste pressuposto, estão reunidas condições para o estreitar de relações de cooperação económica e social.

É de todo conveniente recordar o modo diferenciado como os portugueses colonizaram os povos espalhados pelo Mundo, ao invés de outros colonizadores europeus.

Também é verdade que Portugal prolongou em demasia uma guerra colonial que levou ao desfecho que se previa: a independência total e global dos novos países lusófonos. Não vou avaliar se poderia ser de outro modo, há erros que não se corrigem, a História ensina-nos a procurar atenuar os efeitos.

Convictamente e por experiências vividas, as gerações mais novas nomeadamente nos países africanos, ultrapassaram com facilidade o estigma do colonialismo, o que durante muitos anos afetou alguns responsáveis políticos portugueses.

A independência dos países africanos de língua portuguesa e mais tarde de Timor retirou a nacionalidade portuguesa a milhões de cidadãos. Outros nascidos naqueles territórios tinham direito às novas nacionalidades também não as obtiveram naturalmente.

Os tempos mudaram, a globalização impôs-se, aumentando a livre circulação de pessoas e bens em certas regiões do mundo, convictamente.

Sendo assim estou convicto que caminhamos para a emissão do passaporte lusófono. Numa era de avanço tecnológico acentuado em que a comunicação é mais célere e fácil, não existirão obstáculos intransponíveis a tal desiderato; terá que haver coesão e vontade política dos governos.

Se no passado houve a imigração em Portugal de cidadãos africanos hoje temos o inverso, e antes que o ciclo se altere façamos o que tem de ser feito e que una mais os povos.

Não tenho dúvidas que a existência de uma estrutura organizacional da natureza como a da CPLP, se diferencia em muito de outras, por exemplo ligadas à anglofonia; porque os laços que unem os nossos povos vão para além das questões materiais; há fortes emoções nestes laços que já perduram desde a independência do Brasil.

Hoje no seio da CPLP temos situações diferentes e acordos de direitos de cidadania antagónicos. Não sou contra o reconhecimento de dupla cidadania entre Portugal e o Brasil pelo contrário, sou favorável aquele acordo; mas deve-se caminhar para iguais acordos entre os restantes países.

O caminho é penoso e estou ciente que há laços de amor e ódio por ultrapassar, mas neste caso deixe-me exemplificar um bom contributo.

Durante a década sessenta ocorreu a guerra colonial.

Vinte anos volvidos, os mesmos agentes (militares) que estiveram em campos de batalha opostos souberam cooperar na formação e desenvolvimento de muitos militares e das forças armadas nos PALOP’s. A cooperação técnica – militar tem sido um bom exemplo do fortalecimento da comunidade de países de língua portuguesa.

Permitam-me que aqui expresse o pensamento há muito enraizado na doutrina militar: as forças armadas são também um fator imposição da paz a todo e qualquer momento, desde que a classe politica e económica assim o queira.

Os países de língua portuguesa vivem em democracia e em todos há progresso social e económico independentemente do seu patamar de origem. Numa comunidade de mais de 200 milhões pessoas repartidas de forma desigual pelos continentes, urge avançar para patamares de partilha económica, social, cultural e até desportiva.

Não nos esquecemos que o desporto é um forte vetor de promoção de paz e coesão social e também de afirmação dos povos.

A comunidade de língua portuguesa será tão mais forte no Mundo e respeitada como tal, se a identidade de cada povo for respeitada.

Permitam-me que deixe uma preocupação ou sentimento. Por que razão se valoriza mais o capital da China para investir em Portugal do que aquele que vem por exemplo de Angola? Não tenho respostas claras para tal tratamento.

Que motivação há para um investidor lusófono investir em Portugal, tendo como chamariz obter a nacionalidade portuguesa atendendo aos critérios recentemente criados, quando outros investidores oriundos de certos paraísos têm a mesma facilidade?

Tenho consciência que procedimentos idênticos existem na reciprocidade entre os países, mas permitam-me que expresse a necessidade de alterar este paradigma.

Vivemos uma crise mundial e não só do desenvolvimento ocidental. Sem colocar de parte acordos internacionais e a integração nas comunidades regionais em que cada país está inserido considero que devem ser adotados mecanismos que permitam medidas excecionais para a circulação do capital de investimento entre os países lusófonos.

É verdade que a diplomacia internacional se faz a um ritmo que nem sempre é o mais adequado, mas numa sociedade da inovação e do conhecimento, há procedimentos que naquela área devem ser reapreciados.

O bem-estar das populações e os direitos humanos, assim o exigem.

Os países da CPLP estão integrados em diversas comunidades regionais sejam elas de que natureza e cariz forem, mas há um fator de desenvolvimento económico a exponenciar, para além dos atrás referidos: é preciso agilizar processos que permitam às empresas investir no espaço lusófono.

Porque não criar um Banco de Desenvolvimento Lusófono?

Uma espécie de Banco Mundial em miniatura. Permitiria acompanhar e selecionar de forma adequada os interesses estratégicos e desenvolvimento dos países que integram esta comunidade.

Todos sabemos que há fundos internacionais que as empresas e outras associações por si só não conseguem cativar, tendo como suporte uma instituição financeira com aquela vertente e uma apertada supervisão sobre a finalidade em si mesma, convictamente seria um fator de desenvolvimento mais justo e equilibrado.

Alertei no início desta intervenção que fugiria ao politicamente correto e tenderia a apresentar contributos inovadores num mundo lusófono e cada vez mais global, mas estou certo que sairei deste Congresso muito mais rico em conhecimento e experiências vividas.

Faço votos que no final dos trabalhos deste Congresso das ideias expressas pelos vários intervenientes se possam extrair conclusões suficientes eficazes, eficientes e aglutinadoras que permitam influenciar tanto quanto possível os governos e os partidos políticos, bem como os muitos agentes económicos e sociais nesta grande comunidade de língua portuguesa.

Permitam-me que nesta fase final vos transmita que a associação que aqui represento é pródiga em procurar descobrir novas ideias, sem ter protagonismos mediáticos procura seguir um caminho discreto e de serviço aos outros, como o que se vai realizar no próximo sábado colocando vários escritores a partilhar o mesmo espaço.

Queremos ir mais longe, não pretendemos ficar pelos escritores, há outros agentes da sociedade civil que não são mediaticamente conhecidos que têm direito ao seu espaço e é isso que nos motiva criar as condições para uma maior partilha.

Não tenhamos dúvidas que o desenvolvimento social e económico faz-se da cooperação entre os grandes e os pequenos agentes, uns não vivem sem os outros.

No final das intervenções é sempre habitual e rotineiro ouvir as palmas de felicitações, ficaria muito grato e de consciência mais tranquila se conseguisse sentir os vossos corações a cintilar as reflexões que aqui vos trouxe.

Muito obrigado pela vossa paciência de me terem escutado!

Lisboa, 2 de Abril de 2013

Zeferino Boal