sábado, 18 de maio de 2013
JEAN MOONS
Descendente de artesãos – agricultores e pedreiros, Jean Mons nasce em Argentat (Corrèze) a 25 de Janeiro de 1906.
Devido à morte de seu pai – no Campo de Honra em 1917, viu-se obrigado a crescer com enorme responsabilidade para consigo e com os que o rodeavam adotando uma postura onde a intrepidez, a constância, a abnegação, a resignação e a firmeza foram constantes que desde então o acompanharam por toda a sua vida.
Começa a sua carreira como professor primário interino, o que o leva a viajar por toda a França com curtas estadias onde é colocado. Jean Mons preocupava-se com o modo de vida dos seus alunos e de suas famílias intervindo socialmente para que pudessem ter o maior bem-estar possível.
Em 1936, já como engenheiro diplomado e Inspetor Principal das Industrias Agrícolas, é chamado para ocupar o cargo de Secretário-geral do Sindicato Nacional das Contribuições.
Em 1940 junta-se à Resistência, no movimento de Libertação-Norte, é nomeado para a Delegação Geral em França do Governo provisório.
Um antigo companheiro seu da resistência, tomando conhecimento da sua forma de pensar e intervir na sociedade, dá-lhe a conhecer os princípios fraternos da Mç:.,
Prossegue a sua imensa carreira politica, em 1944, com 38 anos, é nomeado Perfeito, Secretario geral do Sena, 1946 – Director do gabinete de Léon Blum, 1947 – Director do gabinete Paul Ramadier, ainda em 1947 – Representante Geral de França em Tunes, 1950 – Secretario geral permanente da Defesa Nacional, 1956 – Conselheiro Mestre do Tribunal de Contas, 1970 – Presidente da Câmara do Tribunal de Contas.
A partir de 1965 na G:.L:.N:.F:., continua a sua formação maçónica e o cumprimento dos cargos daí resultantes num contexto rigoroso e de acordo com os seus princípios, tentando criar uma união entre os homens de onde emergisse uma sociedade mais justa e fraterna.
Foi eleito (por unanimidade) 9º G:.M:. da G:.L:.N:.F:. a 6 de Dezembro de 1980
Em 1986 cria as primeiras RR:.LL:. no Burkina Faso, dependentes da G:.L:.N:.F:.
No seu percurso contam-se ainda várias condecorações:
Comendador da Legião de Honra
Medalha da Resistência com Roseta
Cruz de Guerra com Palma
Grande Oficial da Ordem de Mérito
Passa ao Or:. eterno a 8 de Maio de 1989, em Paris
No final da década de 80, um grupo de II:. – inspirados na personagem de Jean Mons – cria, a R:.L:. Jean Mons, o nome surge como homenagem ao Homem pelo seu contributo para a sociedade em geral e para com a Mç:. em particular.
Jean Mons adotou como máxima de vida,
Quanto nasceste, choraste, e à tua volta riam-se de ti constrói a tua vida de tal forma e maneira, que na tua morte rias, e á tua volta chorem
Por M. G.
quinta-feira, 16 de maio de 2013
A COERÊNCIA DE ANTÓNIO COSTA NA CML
Quadro
de Pessoal. Percebo agora a grandeza desta metrópole, bem demonstrada pelos 2521
Técnicos Superiores, licenciados ou doutorados que trabalham arduamente
para o município, e entre eles:
- 330 arquitectos
- 101 assistentes sociais
- 73 psicólogos
- 104 sociólogos
- 146 licenciados em... marketing!!!
- 260 engenheiros civis
- 156 historiadores !!!, que se devem desunhar a trabalhar...
- 303 juristas, cujo serviço se supõe que deve ser dar parecer sobre os pareceres que a CML encomenda aos gabinetes de advocacia privados.
- 101 assistentes sociais
- 73 psicólogos
- 104 sociólogos
- 146 licenciados em... marketing!!!
- 260 engenheiros civis
- 156 historiadores !!!, que se devem desunhar a trabalhar...
- 303 juristas, cujo serviço se supõe que deve ser dar parecer sobre os pareceres que a CML encomenda aos gabinetes de advocacia privados.
Ah! Carago! Grande cidade esta!
Grande País que alberga tal Câmara no seu Património.
Calculem a inveja dos Holandeses, Alemães, Dinamarqueses, Suiços, Suecos, etc. por não terem esta "vantagem competitiva".Que inveja disto e de coisas similares que estes e os outros europeus não gostam de nos quererem "alimentar" os vícios.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
sexta-feira, 5 de abril de 2013
ACORDO DE LONDRES SOBRE AS DÍVIDAS ALEMÃS
O Acordo de Londres de 1953 sobre a divida alemã foi assinado em 27 de Fevereiro, depois de duras negociações com representantes de 26 países, com especial relevância para os EUA, Holanda, Reino Unido e Suíça, onde estava concentrada a parte essencial da dívida.
A dívida total foi avaliada em 32 biliões de marcos, repartindo-se em partes iguais em dívida originada antes e após a II Guerra.Os EUA começaram por propor o perdão da dívida contraída após a II Guerra. Mas, perante a recusa dos outros credores, chegou-se a um compromisso. Foi perdoada cerca de 50% (Entre os paises que perdoaram a dívida estão a Espanha, Grécia e Irlanda) da dívida e feito o reescalonamento da dívida restante para um período de 30 anos. Para uma parte da dívida este período foi ainda mais alongado. E só em Outubro de 1990, dois dias depois da reunificação, o Governo emitiu obrigações para pagar a dívida contraída nos anos 1920.
O acordo de pagamento visou, não o curto prazo, mas antes procurou assegurar o crescimento económico do devedor e a sua capacidade efectiva de pagamento.
O acordo adoptou três princípios fundamentais:
1. Perdão/redução substancial da dívida;
2. Reescalonamento do prazo da divida para um prazo longo;
3. Condicionamento das prestações à capacidade de pagamento do devedor.
O pagamento devido em cada ano não pode exceder a capacidade da economia. Em caso de dificuldades, foi prevista a possibilidade de suspensão e de renegociação dos pagamentos. O valor dos montantes afectos ao serviço da dívida nao poderia ser superior a 5% do valor das exportações. As taxas de juro foram moderadas, variando entre 0 e 5 %.
A grande preocupação foi gerar excedentes para possibilitar os pagamentos sem reduzir o consumo. Como ponto de partida, foi considerado inaceitável reduzir o consumo para pagar a dívida.
O pagamento foi escalonado entre 1953 e 1983. Entre 1953 e 1958 foi concedida a situação de carência durante a qual só se pagaram juros.
Outra característica especial do acordo de Londres de 1953, que não encontramos nos acordos de hoje, é que no acordo de Londres eram impostas também condições aos credores - e não só aos paises endividados. Os países credores, obrigavam-se, na época, a garantir de forma duradoura, a capacidade negociadora e a fluidez económica da Alemanha.
Uma parte fundamental deste acordo foi que o pagamento da dívida deveria ser feito somente com o superavit da balança comercial. 0 que, "trocando por miúdos", significava que a RFA só era obrigada a pagar o serviço da dívida quando conseguisse um saldo de dívisas através de um excedente na exportação, pelo que o Governo alemão não precisava de utilizar as suas reservas cambiais.
EM CONTRAPARTIDA, os credores obrigavam-se também a permitir um superavit na balança comercial com a RFA - concedendo à Alemanha o direito de, segundo as suas necessidades, levantar barreiras unilaterais às importações que a prejudicassem.
Hoje, pelo contrário, os países do Sul são obrigados a pagar o serviço da dívida sem que seja levado em conta o défice crónico das suas balanças comerciais
Marcos Romão, jornalista e sociólogo. 27 de Fevereiro de 2013
quarta-feira, 3 de abril de 2013
INTERVENÇÃO NO I CONGRESSO DE CIDADANIA LUSOFONA
PLATAFORMA COOPERAÇÃO, ECONÓMICA E SOCIAL
Senhora Presidente da PASC, Dra. Maria Perpétua
Senhor Presidente do Mil, Dr. Renato Epifânio
Exas senhoras
Exmos senhores
Meus caros companheiros de painel
Uma primeira palavra de louvor a esta excelente iniciativa promovida por duas associações que têm sido um exemplo de energia motivacional para os cidadãos interventivos numa sociedade que por vezes tem que ser abanada para reagir ao comodismo instalado.
Bem hajam, Maria Perpétua e Renato Epifânio!
Através de vós enalteço o empenho de toda a comissão organizadora.
Desde a primeira hora, que aderi à iniciativa deste congresso para debater a temática “lusofonia” nas suas vertentes; faço-o com a toda a paixão e racionalidade de um ser livre e com bons costumes neste mundo global.
Assumo a minha angolanidade e portugalidade na qualidade de cidadão lusófono.
Aqui, uma primeira dificuldade de identidade há muito debatida. Porquê o termo de lusofonia quando estamos perante uma comunidade de cidadãos que falam a língua portuguesa.
Tentarei no tempo que tenho expressar-vos ideias e pensamentos que nem sempre serão como se usa designar “politicamente corretos”. O tempo e a crise internacional impelem-nos a romper com pensamentos padronizados e a sermos criativos, como outros, em séculos anteriores o fizeram e encontraram novos mundos, que hoje nos permitem debater este tema.
Nos dias de hoje mais do que no passado há que ser ousado, corajoso e aventureiro, não ficar sentado à espera que as coisas aconteçam.
O espirito deste congresso visa agitar a sociedade civil para as questões que unem povos e países, com denominadores comuns na sua génese, mesmo quando o cordão umbilical foi cortado.
Os países que integram a comunidade de língua portuguesa possuem uma fronteira comum entre si: as águas oceânicas. Os cidadãos deslocam-se entre estes países por via aérea, como tal, existem condições propícias para criar mecanismos e processos de livre circulação entre os povos.
Neste pressuposto, estão reunidas condições para o estreitar de relações de cooperação económica e social.
É de todo conveniente recordar o modo diferenciado como os portugueses colonizaram os povos espalhados pelo Mundo, ao invés de outros colonizadores europeus.
Também é verdade que Portugal prolongou em demasia uma guerra colonial que levou ao desfecho que se previa: a independência total e global dos novos países lusófonos. Não vou avaliar se poderia ser de outro modo, há erros que não se corrigem, a História ensina-nos a procurar atenuar os efeitos.
Convictamente e por experiências vividas, as gerações mais novas nomeadamente nos países africanos, ultrapassaram com facilidade o estigma do colonialismo, o que durante muitos anos afetou alguns responsáveis políticos portugueses.
A independência dos países africanos de língua portuguesa e mais tarde de Timor retirou a nacionalidade portuguesa a milhões de cidadãos. Outros nascidos naqueles territórios tinham direito às novas nacionalidades também não as obtiveram naturalmente.
Os tempos mudaram, a globalização impôs-se, aumentando a livre circulação de pessoas e bens em certas regiões do mundo, convictamente.
Sendo assim estou convicto que caminhamos para a emissão do passaporte lusófono. Numa era de avanço tecnológico acentuado em que a comunicação é mais célere e fácil, não existirão obstáculos intransponíveis a tal desiderato; terá que haver coesão e vontade política dos governos.
Se no passado houve a imigração em Portugal de cidadãos africanos hoje temos o inverso, e antes que o ciclo se altere façamos o que tem de ser feito e que una mais os povos.
Não tenho dúvidas que a existência de uma estrutura organizacional da natureza como a da CPLP, se diferencia em muito de outras, por exemplo ligadas à anglofonia; porque os laços que unem os nossos povos vão para além das questões materiais; há fortes emoções nestes laços que já perduram desde a independência do Brasil.
Hoje no seio da CPLP temos situações diferentes e acordos de direitos de cidadania antagónicos. Não sou contra o reconhecimento de dupla cidadania entre Portugal e o Brasil pelo contrário, sou favorável aquele acordo; mas deve-se caminhar para iguais acordos entre os restantes países.
O caminho é penoso e estou ciente que há laços de amor e ódio por ultrapassar, mas neste caso deixe-me exemplificar um bom contributo.
Durante a década sessenta ocorreu a guerra colonial.
Vinte anos volvidos, os mesmos agentes (militares) que estiveram em campos de batalha opostos souberam cooperar na formação e desenvolvimento de muitos militares e das forças armadas nos PALOP’s. A cooperação técnica – militar tem sido um bom exemplo do fortalecimento da comunidade de países de língua portuguesa.
Permitam-me que aqui expresse o pensamento há muito enraizado na doutrina militar: as forças armadas são também um fator imposição da paz a todo e qualquer momento, desde que a classe politica e económica assim o queira.
Os países de língua portuguesa vivem em democracia e em todos há progresso social e económico independentemente do seu patamar de origem. Numa comunidade de mais de 200 milhões pessoas repartidas de forma desigual pelos continentes, urge avançar para patamares de partilha económica, social, cultural e até desportiva.
Não nos esquecemos que o desporto é um forte vetor de promoção de paz e coesão social e também de afirmação dos povos.
A comunidade de língua portuguesa será tão mais forte no Mundo e respeitada como tal, se a identidade de cada povo for respeitada.
Permitam-me que deixe uma preocupação ou sentimento. Por que razão se valoriza mais o capital da China para investir em Portugal do que aquele que vem por exemplo de Angola? Não tenho respostas claras para tal tratamento.
Que motivação há para um investidor lusófono investir em Portugal, tendo como chamariz obter a nacionalidade portuguesa atendendo aos critérios recentemente criados, quando outros investidores oriundos de certos paraísos têm a mesma facilidade?
Tenho consciência que procedimentos idênticos existem na reciprocidade entre os países, mas permitam-me que expresse a necessidade de alterar este paradigma.
Vivemos uma crise mundial e não só do desenvolvimento ocidental. Sem colocar de parte acordos internacionais e a integração nas comunidades regionais em que cada país está inserido considero que devem ser adotados mecanismos que permitam medidas excecionais para a circulação do capital de investimento entre os países lusófonos.
É verdade que a diplomacia internacional se faz a um ritmo que nem sempre é o mais adequado, mas numa sociedade da inovação e do conhecimento, há procedimentos que naquela área devem ser reapreciados.
O bem-estar das populações e os direitos humanos, assim o exigem.
Os países da CPLP estão integrados em diversas comunidades regionais sejam elas de que natureza e cariz forem, mas há um fator de desenvolvimento económico a exponenciar, para além dos atrás referidos: é preciso agilizar processos que permitam às empresas investir no espaço lusófono.
Porque não criar um Banco de Desenvolvimento Lusófono?
Uma espécie de Banco Mundial em miniatura. Permitiria acompanhar e selecionar de forma adequada os interesses estratégicos e desenvolvimento dos países que integram esta comunidade.
Todos sabemos que há fundos internacionais que as empresas e outras associações por si só não conseguem cativar, tendo como suporte uma instituição financeira com aquela vertente e uma apertada supervisão sobre a finalidade em si mesma, convictamente seria um fator de desenvolvimento mais justo e equilibrado.
Alertei no início desta intervenção que fugiria ao politicamente correto e tenderia a apresentar contributos inovadores num mundo lusófono e cada vez mais global, mas estou certo que sairei deste Congresso muito mais rico em conhecimento e experiências vividas.
Faço votos que no final dos trabalhos deste Congresso das ideias expressas pelos vários intervenientes se possam extrair conclusões suficientes eficazes, eficientes e aglutinadoras que permitam influenciar tanto quanto possível os governos e os partidos políticos, bem como os muitos agentes económicos e sociais nesta grande comunidade de língua portuguesa.
Permitam-me que nesta fase final vos transmita que a associação que aqui represento é pródiga em procurar descobrir novas ideias, sem ter protagonismos mediáticos procura seguir um caminho discreto e de serviço aos outros, como o que se vai realizar no próximo sábado colocando vários escritores a partilhar o mesmo espaço.
Queremos ir mais longe, não pretendemos ficar pelos escritores, há outros agentes da sociedade civil que não são mediaticamente conhecidos que têm direito ao seu espaço e é isso que nos motiva criar as condições para uma maior partilha.
Não tenhamos dúvidas que o desenvolvimento social e económico faz-se da cooperação entre os grandes e os pequenos agentes, uns não vivem sem os outros.
No final das intervenções é sempre habitual e rotineiro ouvir as palmas de felicitações, ficaria muito grato e de consciência mais tranquila se conseguisse sentir os vossos corações a cintilar as reflexões que aqui vos trouxe.
Muito obrigado pela vossa paciência de me terem escutado!
Lisboa, 2 de Abril de 2013
Zeferino Boal
Senhora Presidente da PASC, Dra. Maria Perpétua
Senhor Presidente do Mil, Dr. Renato Epifânio
Exas senhoras
Exmos senhores
Meus caros companheiros de painel
Uma primeira palavra de louvor a esta excelente iniciativa promovida por duas associações que têm sido um exemplo de energia motivacional para os cidadãos interventivos numa sociedade que por vezes tem que ser abanada para reagir ao comodismo instalado.
Bem hajam, Maria Perpétua e Renato Epifânio!
Através de vós enalteço o empenho de toda a comissão organizadora.
Desde a primeira hora, que aderi à iniciativa deste congresso para debater a temática “lusofonia” nas suas vertentes; faço-o com a toda a paixão e racionalidade de um ser livre e com bons costumes neste mundo global.
Assumo a minha angolanidade e portugalidade na qualidade de cidadão lusófono.
Aqui, uma primeira dificuldade de identidade há muito debatida. Porquê o termo de lusofonia quando estamos perante uma comunidade de cidadãos que falam a língua portuguesa.
Tentarei no tempo que tenho expressar-vos ideias e pensamentos que nem sempre serão como se usa designar “politicamente corretos”. O tempo e a crise internacional impelem-nos a romper com pensamentos padronizados e a sermos criativos, como outros, em séculos anteriores o fizeram e encontraram novos mundos, que hoje nos permitem debater este tema.
Nos dias de hoje mais do que no passado há que ser ousado, corajoso e aventureiro, não ficar sentado à espera que as coisas aconteçam.
O espirito deste congresso visa agitar a sociedade civil para as questões que unem povos e países, com denominadores comuns na sua génese, mesmo quando o cordão umbilical foi cortado.
Os países que integram a comunidade de língua portuguesa possuem uma fronteira comum entre si: as águas oceânicas. Os cidadãos deslocam-se entre estes países por via aérea, como tal, existem condições propícias para criar mecanismos e processos de livre circulação entre os povos.
Neste pressuposto, estão reunidas condições para o estreitar de relações de cooperação económica e social.
É de todo conveniente recordar o modo diferenciado como os portugueses colonizaram os povos espalhados pelo Mundo, ao invés de outros colonizadores europeus.
Também é verdade que Portugal prolongou em demasia uma guerra colonial que levou ao desfecho que se previa: a independência total e global dos novos países lusófonos. Não vou avaliar se poderia ser de outro modo, há erros que não se corrigem, a História ensina-nos a procurar atenuar os efeitos.
Convictamente e por experiências vividas, as gerações mais novas nomeadamente nos países africanos, ultrapassaram com facilidade o estigma do colonialismo, o que durante muitos anos afetou alguns responsáveis políticos portugueses.
A independência dos países africanos de língua portuguesa e mais tarde de Timor retirou a nacionalidade portuguesa a milhões de cidadãos. Outros nascidos naqueles territórios tinham direito às novas nacionalidades também não as obtiveram naturalmente.
Os tempos mudaram, a globalização impôs-se, aumentando a livre circulação de pessoas e bens em certas regiões do mundo, convictamente.
Sendo assim estou convicto que caminhamos para a emissão do passaporte lusófono. Numa era de avanço tecnológico acentuado em que a comunicação é mais célere e fácil, não existirão obstáculos intransponíveis a tal desiderato; terá que haver coesão e vontade política dos governos.
Se no passado houve a imigração em Portugal de cidadãos africanos hoje temos o inverso, e antes que o ciclo se altere façamos o que tem de ser feito e que una mais os povos.
Não tenho dúvidas que a existência de uma estrutura organizacional da natureza como a da CPLP, se diferencia em muito de outras, por exemplo ligadas à anglofonia; porque os laços que unem os nossos povos vão para além das questões materiais; há fortes emoções nestes laços que já perduram desde a independência do Brasil.
Hoje no seio da CPLP temos situações diferentes e acordos de direitos de cidadania antagónicos. Não sou contra o reconhecimento de dupla cidadania entre Portugal e o Brasil pelo contrário, sou favorável aquele acordo; mas deve-se caminhar para iguais acordos entre os restantes países.
O caminho é penoso e estou ciente que há laços de amor e ódio por ultrapassar, mas neste caso deixe-me exemplificar um bom contributo.
Durante a década sessenta ocorreu a guerra colonial.
Vinte anos volvidos, os mesmos agentes (militares) que estiveram em campos de batalha opostos souberam cooperar na formação e desenvolvimento de muitos militares e das forças armadas nos PALOP’s. A cooperação técnica – militar tem sido um bom exemplo do fortalecimento da comunidade de países de língua portuguesa.
Permitam-me que aqui expresse o pensamento há muito enraizado na doutrina militar: as forças armadas são também um fator imposição da paz a todo e qualquer momento, desde que a classe politica e económica assim o queira.
Os países de língua portuguesa vivem em democracia e em todos há progresso social e económico independentemente do seu patamar de origem. Numa comunidade de mais de 200 milhões pessoas repartidas de forma desigual pelos continentes, urge avançar para patamares de partilha económica, social, cultural e até desportiva.
Não nos esquecemos que o desporto é um forte vetor de promoção de paz e coesão social e também de afirmação dos povos.
A comunidade de língua portuguesa será tão mais forte no Mundo e respeitada como tal, se a identidade de cada povo for respeitada.
Permitam-me que deixe uma preocupação ou sentimento. Por que razão se valoriza mais o capital da China para investir em Portugal do que aquele que vem por exemplo de Angola? Não tenho respostas claras para tal tratamento.
Que motivação há para um investidor lusófono investir em Portugal, tendo como chamariz obter a nacionalidade portuguesa atendendo aos critérios recentemente criados, quando outros investidores oriundos de certos paraísos têm a mesma facilidade?
Tenho consciência que procedimentos idênticos existem na reciprocidade entre os países, mas permitam-me que expresse a necessidade de alterar este paradigma.
Vivemos uma crise mundial e não só do desenvolvimento ocidental. Sem colocar de parte acordos internacionais e a integração nas comunidades regionais em que cada país está inserido considero que devem ser adotados mecanismos que permitam medidas excecionais para a circulação do capital de investimento entre os países lusófonos.
É verdade que a diplomacia internacional se faz a um ritmo que nem sempre é o mais adequado, mas numa sociedade da inovação e do conhecimento, há procedimentos que naquela área devem ser reapreciados.
O bem-estar das populações e os direitos humanos, assim o exigem.
Os países da CPLP estão integrados em diversas comunidades regionais sejam elas de que natureza e cariz forem, mas há um fator de desenvolvimento económico a exponenciar, para além dos atrás referidos: é preciso agilizar processos que permitam às empresas investir no espaço lusófono.
Porque não criar um Banco de Desenvolvimento Lusófono?
Uma espécie de Banco Mundial em miniatura. Permitiria acompanhar e selecionar de forma adequada os interesses estratégicos e desenvolvimento dos países que integram esta comunidade.
Todos sabemos que há fundos internacionais que as empresas e outras associações por si só não conseguem cativar, tendo como suporte uma instituição financeira com aquela vertente e uma apertada supervisão sobre a finalidade em si mesma, convictamente seria um fator de desenvolvimento mais justo e equilibrado.
Alertei no início desta intervenção que fugiria ao politicamente correto e tenderia a apresentar contributos inovadores num mundo lusófono e cada vez mais global, mas estou certo que sairei deste Congresso muito mais rico em conhecimento e experiências vividas.
Faço votos que no final dos trabalhos deste Congresso das ideias expressas pelos vários intervenientes se possam extrair conclusões suficientes eficazes, eficientes e aglutinadoras que permitam influenciar tanto quanto possível os governos e os partidos políticos, bem como os muitos agentes económicos e sociais nesta grande comunidade de língua portuguesa.
Permitam-me que nesta fase final vos transmita que a associação que aqui represento é pródiga em procurar descobrir novas ideias, sem ter protagonismos mediáticos procura seguir um caminho discreto e de serviço aos outros, como o que se vai realizar no próximo sábado colocando vários escritores a partilhar o mesmo espaço.
Queremos ir mais longe, não pretendemos ficar pelos escritores, há outros agentes da sociedade civil que não são mediaticamente conhecidos que têm direito ao seu espaço e é isso que nos motiva criar as condições para uma maior partilha.
Não tenhamos dúvidas que o desenvolvimento social e económico faz-se da cooperação entre os grandes e os pequenos agentes, uns não vivem sem os outros.
No final das intervenções é sempre habitual e rotineiro ouvir as palmas de felicitações, ficaria muito grato e de consciência mais tranquila se conseguisse sentir os vossos corações a cintilar as reflexões que aqui vos trouxe.
Muito obrigado pela vossa paciência de me terem escutado!
Lisboa, 2 de Abril de 2013
Zeferino Boal
segunda-feira, 4 de março de 2013
ANGOLA: GENERAL JOÃO MARIA É INOCENTE OU CULPADO?
Nas últimas semanas têm vindo na capa de alguns órgãos de comunicação social portugueses uma campanha horrenda sobre um processo (?) que decorre nos serviços judiciários e que relaciona uma personalidade do Estado Angolano.
Causa muitas dúvidas toda esta situação no momento em que a principal dirigente do serviço cessa a sua comissão de serviço, a qual no nosso ponto de vista foi prejudicial para o país.
A ser verdade o que tem vindo a público a investigação iniciou-se a partir do momento em que foi depositado numa conta em Portugal uma quantia inferior a cem mil euros. Aqui apetece questionar de imediato sobre o que foi feito às movimentações feitas para fora de Portugal.
Conheço o General João Maria há mutos anos!
Não é admissível tratar um Procurador-Geral da República de Angola da forma como tem sido tratado na comunicação social, por vários motivos. Se houve crime, tal diz respeito às autoridades angolanas e tem que existir mais respeito pelas autoridades angolanas porque são de um país livre e independente.
Por outro lado, é bom recordar o mau serviço prestado pelo Jornal Expresso que muitas das vezes lança campanhas de desinformação e histórias ridículas como as campanhas de Cabala no caso Freeport. Também é bom recordar que na redação do jornal colaboram indígenas que fugiram de Angola na sequência da tentativa de golpe de estado em 1977.
Num momento de crise económica e financeira, num momento de desemprego, num momento que muitos portugueses deslocam-se para Angola à procura de estado de sobrevivência, lançar campanhas desta natureza com pouca sustentação no conteúdo é prejudicial para a boa harmonia entre povos.
Compete ao Governo e respeitando a separação de poderes acionar os mecanismos e tudo que estiver ao seu alcance para mandar calar os “e negrumes”, estejam eles na comunicação social ou serviços judiciais.
domingo, 24 de fevereiro de 2013
domingo, 17 de fevereiro de 2013
MUXIMA

Não resisto a colocar esta página do Jornal de Angola o qual retrata parte do desenvolvimento que está a ocorrer em Angoa.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Luanda o primeiro dia
Por Onofre Martins dos Santos
Há quase uma semana que a nau de Paulo Dias navegava ao longo
daquela língua de areia que o impedia de encostar a terra firme. Com o seu
binóculo assestado descobria finalmente um morro mesmo à sua frente que lhe
parecia propício para aí estabelecer um fortim já que vinha com o propósito de
lançar as bases de uma feitoria à semelhança de outras que desde as primeiras
ilhas no Atlântico os portugueses vinham fundando pela costa ocidental
africana. Ao aproximar-se, deu-se conta de uma segunda língua de areia, mais
pequena, que formava uma formosa baía e um porto de abrigo que lhe parecia
seguro mas cuja entrada o obrigaria a uma manobra mais complicada contornando o
cabo em águas muito baixas e agitadas.
Paulo Dias assestou o óculo para aquela língua de areia
branca pontilhada por inúmeras palhotas podendo aperceber-se que era densamente
povoada, provavelmente por pescadores pois eram visíveis muitas pequenas
embarcações arribadas na praia.
Paulo Dias conferenciou com o seu imediato e mais alguns
membros mais qualificados da sua tripulação e tomou a decisão de ancorar ali e
enviar um primeiro bote com pessoal de confiança e o intérprete que tinham
trazido do reino de N’gola para travar um primeiro contacto com aquela gente,
saber se era gente hospitaleira e ajustar uma audiência do Capitão com o chefe
daquela ilha. “E tu vais também, Octávio, como cronista desta viagem vais ter a
oportunidade de escrever a primeira página da história desta terra...”
“Mais velho, mais velho, conta então a história da
chegada dos tugas... há tanto tempo, 437 anos...”
A miudagem na praia cercara o velho que todas as manhãs vinha
até ali, na ponta da ilha, gozar os seus últimos raios de sol, olhando o mar
com o rosto franzido e os olhos azulados por tantas cataratas que já só o deixavam
perceber vagamente as cores da areia, da espuma da rebentação e do mar
platinado e sem fim à sua frente. O barulho das ondas despertava lágrimas e demasiadas
saudades no velho mas logo o seu rosto se animava com um largo sorriso ao ouvir
os rapazes em alvoroço fazendo perguntas à sua memória de ancião. Como eles o
levavam de volta aqueles dias felizes em que de prancha debaixo do braço vinha
para ali, para aquele mesmo local, mostrar as suas habilidades enfrentando e
deslizando nas ondas para admiração das moças mais lindas das redondezas. A
vida não fora fácil para ele, tivera de deixar a sua ilha mas nunca esquecera o
mar nem os seus primeiros amores vividos entre as carícias do mar e da mulher
que todos os dias vinha até ali só para a
recordar.
”A história, queremos ouvir a história de Luanda...”
“Foi sim, foi há muito tempo... o primeiro branco que
pôs o pé nesta areia tinha o mesmo nome que eu... o meu avô foi que me contou a
história que ele tinha ouvido do avô dele e assim até esse ano da chegada dos
portugueses...”
“Então, não foi mesmo o Paulo Dias o primeiro a chegar
aqui em Luanda?”
“Ele era o Capitão, mandou o seu pessoal para ver como
era, se podia desembarcar e ser recebido pelo Soba... mas o homem que pisou
primeiro a praia aí mesmo foi esse Octávio que era o escritor de tudo o que se
passava no barco, registava as terras onde chegavam, as pessoas que
encontravam...”
“Afinal, foi assim? Não foi um chefe tuga que chegou
primeiro? Mas conta então como ele foi recebido como é que tudo aconteceu?”
“Bom, meu avô me contou que quando o barquito a remos
se aproximava da praia, toda a gente começou a falar, a apontar, uns corriam a
avisar os mais velhos, aquele barco era diferente das nossas canoas... e aquela
gente era muito diferente, não vestia panos...”
O velho estava feliz, com os miúdos à sua volta, ele podia
contar o que quisesse, sempre tivera muita imaginação e nada lhe garantia que a
sua história fosse exactamente como o avô lhe transmitira e antes deste várias
gerações de avós até àquele dia, há 437 anos...
Na sua ansiedade de pisar terra desconhecida até então,
Octávio nem esperou que o barco aproasse na areia fina da praia e saltou para a
água ficando todo molhado até à cintura e com as botas a cuspir água e areia ao
dar os primeiros passos em direcção àquela gente que o recebeu, por essa razão,
com grandes risadas de troça mas sem maldade, a que Octávio respondeu com um
sorriso amarelo que se foi abrindo perante o acolhimento sonoro de que foi alvo
devido à sua precipitação.
Coube ao intérprete dizer as primeiras palavras, fazer as
primeiras perguntas que os outros apenas podiam seguir pelas expressões
estampadas nos rostos dos circunstantes, ora de surpresa, ora de curiosidade,
ora de alguma preocupação e até receio... e pelos gestos das mãos que melhor
falavam por eles. Uns apontaram para as canoas e para as redes dependuradas, um
outro mostrou um pequeno búzio que tirou do pano em que estava cingido
apontando com o dedo para a orla do mar, outro finalmente apontou para o interior
da ilha, e todos os olhos dos recém-chegados procuraram vislumbrar um cercado
de palhotas que devia albergar o paço do chefe local.
O intérprete explicou à comitiva que aquela era uma terra de
pescadores e que também ali se recolhia o zimbo que funcionava como meio de
troca com a outra gente do outro lado da baía... o Soba era um homem muito
importante e muito respeitado em todas as terras ali à volta e vivia no seu
palácio no meio da ilha.
A comitiva escutou e fez sinal de avançar em direcção ao paço
do chefe da ilha pelo que aquela pequena multidão de homens, mulheres e
crianças abriu naturalmente passagem para aquela gente estranha entre os
murmúrios das mulheres, risos das crianças e comentários desconfiados dos mais
velhos que, por natureza não apreciam muito as novidades que lhes venham
quebrar a rotina.
O imediato de Paulo Dias assumiu a responsabilidade de se
dirigir ao mordomo do Soba, para com a ajuda do intérprete entregar uma nota do
comandante da nau, dirigida ao chefe da ilha, solicitando a sua autorização
para ali se manter ancorado e visitar a ilha, travar contacto com a população,
trazer alguns presentes e discutir formas de comércio com as gentes daquela
terra. Logo que uma audiência lhe fosse concedida ele viria prestar as suas homenagens
à autoridade local.
Octávio aproveitou para conhecer a ilha e, como era jovem e
bem parecido, notou com agrado, o sorriso luminoso de uma jovem que vira logo à
chegada, primeiro troçando do seu desastrado desembarque e agora o fixava com
um ar de divertida curiosidade.
A jovem envolta num pano colorido que a cingia toda mas
deixava entrever um corpo esbelto, um pescoço esguio e adivinhar uns peitos ainda
pequeninos, impressionara de tal modo o cronista que dela se aproximou tentando
com gestos e sorrisos ganhar a sua confiança e amizade. Colocou o seu braço ao
lado do dela para que se visse o contraste das duas cores e ambos olhavam
maravilhados para aquela combinação que tanto podia significar diferença,
separação, como harmonia, sintonia, conjunção.
Octávio hesitava, não sabia o que dizer e o que dissesse, por
palavras ela não o entenderia. O intérprete naquele momento também não seria de
qualquer valor, pois, mais do que palavras, entendimento, Octávio queria gozar
o deslumbramento que o arrebatava e que o fazia já amar aquela terra que com
ela se identificava.
A moça voltou a sorrir, menos acanhada que Octávio, o que não
admira pois que era ele o forasteiro e ela a dona da terra, e pegou-lhe na mão,
convidando-o a acompanhá-la. Octávio já observara que dar a mão não tinha o
mesmo significado de intimidade que ele estava habituado a considerar, por ali
dar a mão era apenas um sinal de companhia, de solicitude.
Retribuindo a delicadeza da jovem, Octávio deu-lhe a mão e seguiu-a pela ilha
fora, enquanto na paliçada do Soba os enviados de Paulo Dias, com a ajuda do
intérprete se desdobravam em explicações, narrativas de viagens pelo mar
tenebroso e descrições do reino de Portugal, uma espécie de praia como esta, um
pouco mais larga, lá longe onde, não, não podiam ir naquelas canoas...
A bela jovem que tão logo conquistara o coração do cronista
de Paulo Dias foi-lhe mostrando uma a uma as maravilhas daquela ilha encantada.
Naquele tempo, explicava o velho na
praia, a ilha era toda coberta de palmeiras, havia muito coco, era comida e bebida
que nunca faltava, as casas eram cobertas das palmas das palmeiras, havia muita
sombra, as pessoas trabalhavam na pesca ou na apanha das conchas e búzios para
o cofre do Soba, enquanto as mulheres tratavam de bordar os seus panos,
cuidavam das redes, cozinhavam os mufetes que deixavam todos saciados e ainda
havia na bilha um bom marufo para ajudar a passar o tempo no fim do dia.
“Então a
ilha era um paraíso mesmo?”
“A ilha sempre foi o paraíso... ainda hoje, já não há
palmeiras, olha só, os prédios altos tomaram conta de tudo, os carros fazem
barulho, está tudo sujo... mas as pessoas quando estão na ilha é como os miúdos
na escola e vão correr para o recreio...”
“E o mais velho, também?
“Para mim a ilha é uma mulher que eu amei e não vou
esquecer é nunca... por isso a ilha pode mudar, podem vir milhares de pessoas e
abrirem centenas de bares de praia e restaurantes que eu só vejo o que eu quero
ver... e continuo a ouvir o vento a dar nas copas das palmeiras a fazê-las
dançar e a cantar enquanto a minha mão está na mão dela até eu morrer... não
falta muito...”
“Não fala isso, mais velho, o mais velho não vai
morrer é nunca... senão quem nos vai contar as nossas histórias... mas, mais
velho como foi que acabou essa história desse teu antepassado com a filha do
soba?
Não contei já? Mais de mil vezes? Ele não sabia que
ela era filha do chefe... gostou dela muito mesmo... mas ele era branco e tinha
de voltar no barco do Paulo Dias... ele é que deu para o capitão o nome da
cidade...
Octávio esqueceu o tempo e o dia já estava a declinar. O Sol
tinha já iniciado a sua descida para o mar deixando as suas marcas arroxeadas
no céu para prevenir que chegava a hora de falar baixo, sussurrar carinhos sob
a complacência e o lento abanar das palmas lá no alto das palmeiras. Tinha
visto tanta coisa, a sua jovem companheira, como uma cicerone exímia, havia-lhe
mostrado as conchas lindas que se apanhavam na praia, as canoas de pesca que ele percebeu ela chamava dongos,
mostrou-lhe os pescadores que estavam na sua faina de puxar as redes e viu
depois maravilhado a multidão de peixes a debaterem-se nas malhas em relâmpagos
prateados, levou-a a uma das palhotas onde partilhou uma saborosa refeição de
peixe galo braseado que regou com uma refrescante quissângua.
Octávio nunca vira gente assim tão acolhedora e generosa e acreditou,
certamente, que naquela língua de areia cercada de palmeiras ondulantes, ele
tinha chegado ao paraíso. Nem faltava a Eva que em vez de uma maçã lhe estendia
um búzio que ela levara ao ouvido convidando-o por gestos a fazer o mesmo.
Octávio ouviu então o som do oceano, aquele som misterioso que nos leva por
cima do trono das águas, que nos assusta quando nos precipita no abismo mais
profundo mas nos extasia quando nos devolve à serena tranquilidade de uma
praia, como aquela onde ele agora só tinha olhos para a beleza incomparável daquela jovem por quem já se sentia perdido de
amores e dela nem sabia o nome.
Estavam agora encostados à canoa, não havia mais ninguém por
perto... ela tirou de dentro da canoa uma esteira enrolada que abriu sobre a
areia. Sentada na esteira de bordão macio ela estendeu a mão para Octávio e
desta vez aquela mão lhe pareceu a cabeça da serpente tentadora aproximando-se
para o devorar.
Lentamente Octávio começou por tirar as botas ensopadas, e
quando já só lhe restava a blusa prestes a ela também ficar a flutuar
sobre a canoa, perguntou-lhe, na sua língua incompreendida ainda, como ela se
chamava. Ela ficou curiosa com a pergunta, inclinou o rosto, mostrando dúvida
sobre aquelas palavras engraçadas que não entendia... . Ele então pôs um dedo
sobre o peito e disse o seu nome... e depois levou o seu dedo ao coração da
mulher...Esta sorriu... continuava a não entender... com a sua mão delicada
bateu na esteira... fofa, macia, convidando a deitar e disse: “luanda!”
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
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