segunda-feira, 16 de agosto de 2010

terça-feira, 10 de agosto de 2010

MANUEL ALEGRE PRESIDENTE DA REPÚBLICA DAS BANANAS

Manuel Alegre vai receber uma reforma de 3.219,95 euros mensais pelo cargo de cordenador!!! de programas de texto da Rádio Difusão Portuguesa que ocupou por alguns meses!!!!. A informação faz parte da lista dos aposentados e reformados divulgada pela Caixa Geral de Aposentações (CGA), citada pelo Correio da Manhã.
Em declarações ao jornal, Alegre garantiu que nem se lembraria da reforma!!!, se não fosse a CGA a escrever-lhe uma carta. O deputado explicou que foi funcionário da RDP durante «pouco tempo», já que começou a trabalhar na rádio quando voltou do exílio, após o 25 de Abril, e saiu em 1975 quando foi eleito deputado, cargo que ocupou
desde então.
«Nunca mais lá trabalhei, mas descontei sempre», disse o deputado.

E Esta hein!

EXEMPLO DE VIDA COMUNISTA NA CHINA

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

FREEPORT 4

Citando a Revista Sábado

"A proposta de investigação conjunta do caso Freeport com as autoridades inglesas foi apresentada em 29 de Agosto de 2008, mas a 3 de Setembro, cinco dias depois, a procuradora Cândida Almeida avoca o processo que, nesta fase, queria investigar formalmente José Sócrates a pedido dos investigadores ingleses .

Os inspectores da PJ não gostaram de ver rejeitada a proposta de colaboração com os ingleses com quem já estavam a trabalhar há vários meses. Em 2008, o Serious Fraud Office (SFO), em Londres – que investigava os negócios do Freeport – trabalhava com uma lista de 15 suspeitos de corrupção. O nome de José Sócrates estava na lista. Tinham também em mãos o DVD gravado por Allan Parkins numa reunião com o promotor Charles Smith onde se fala que Sócrates terá recebido ‘luvas’.

A gravação, obtida de forma ilegal, foi aceite pela polícia inglesa como elemento a investigar. Charles Smith e os gestores britânicos do Freeport, Allan Parkins, Jonathan Rawslay, foram inquirido em Londres sobre o DVD. Depoimentos que o SFO envia, por carta rogatória, para o processo português conduzido pela PJ de Setúbal. O vídeo não poderia ser usado como prova na investigação portuguesa mas as declarações dos intervenientes poderiam ser incluídas nos autos.

MAGISTRADOS SEM CONFIANÇA

Os procuradores do processo Freeport, Paes Faria e Vítor Magalhães, dão sinais de que nem sempre concordaram com o rumo da investigação. Na fase final, terão mesmo acusado falta de confiança na directora do DCIAP, Cândida Almeida. Este sentimento ficou registado num documento do Serious Fraud Office, na reunião de Haia, em Fevereiro de 2009. Segundo consta no documento revelado pelo ‘DN’, os procuradores confidenciaram aos ingleses que tinham falta de confiança na hierarquia. Nesta altura, os procuradores ainda debatiam com os ingleses o p’ossível envolvimento de José Sócrates no processo Freeport. Nessa reunião, Cândida Almeida deixou bem claro que rejeitava qualquer ideia de envolvimento do primeiro-ministro".

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

FREEPORT - 3

Citando Licinio Lima no Diário de Notícias:

"Freeport arquivado duas vezes"

"Cândida Almeida , directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) desde 2001, já está ligada a dois arquivamentos de suspeitas sobre corrupção no licenciamento do Freeport de Alcochete.
Antes da abertura do processo de investigação em 2005, no tribunal de Montijo - e que culminou a 25 de Julho passado com a acusação de dois arguidos por tentativa de extorsão, e o arquivamento das suspeitas sobre o licenciamento -, já no início de 2003 tinha entrado naquele departamento central uma denúncia, em carta anónima, a abordar as mesmas suspeitas. Foi então aberta uma averiguação preventiva que acabou arquivada em Novembro de 2003. Concluiu-se não se verificarem ilícitos no licenciamento do outlet. Mas, a mesma carta anónima foi depois usada em 2004 para motivar a Polícia Judiciária (PJ) de Setúbal a abrir nova averiguação preventiva que originou o processo-crime de 2005, o qual teve o desfecho agora conhecido.
Esta dupla investigação e duplo arquivamento, vem descrito num requerimento subscrito por Paula Lourenço, advogada dos dois arguidos agora acusados - Charles Smith e Manuel Pedro. No documento, a que o DN teve acesso, lê-se: "A dita carta já em 2003 tinha sido entregue ao DCIAP e aí investigada pelo inspector C. Afonso, tendo dado origem à averiguação preventiva com o n.º 95/03 e merecendo, a 17 de Novembro desse ano, arquivamento, por se entender que toda a documentação junta - do Ministério das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente, da Câmara Municipal de Alcochete, da Liga para a Protecção da Natureza, entre outros organismos públicos e privados, esclarecia toda a tramitação que levou à aprovação daquele projecto".
Apesar deste arquivamento proposto pelo inspector da PJ e aprovado pelo DCIAP, no ano seguinte um conjunto de informadores, denominado "grupo da Aroeira", começou a contactar os inspectores da PJ de Setúbal dando-lhes conta de suspeitas de que a alteração da Zona de Protecção Especial onde iria surgir o outlet, aprovada pelo então ministro do Ambiente, José Sócrates, e a aprovação do terceiro Estudo de Impacto Ambiental (EIA), teria tido como contrapartidas o financiamento de campanhas eleitorais. Ou seja, as mesmas suspeitas.
O grupo começou a carrear informação para a PJ, sobretudo através de dois inspectores, comunicando também a suspeita de que no Ministério do Ambiente estaria a ser destruída documentação. A responsável pela PJ de Setúbal informou que precisaria de ver formalizada uma queixa, nem que fosse anónima, para abrir o processo-crime. Foi então que surgiu a mesma carta anónima que já em 2003 tinha surgido no DCIAP.
A PJ de Setúbal formalizou a 4 de Fevereiro de 2005 a abertura do inquérito-crime no Ministério Público do Montijo. No dia 7, o procurador que estava de serviço nesse tribunal, embora não sendo o titular do processo, autorizou buscas à Câmara de Alcochete e a várias empresas de Manuel Pedro, assim como à Smith e Pedro, consultora do Freeport. O procurador fundamentou as buscas com o indício forte de que as alterações ao PDM de Alcochete estava assinado pelo engenheiro José Sócrates. Ora, Paula Lourenço lembra no requerimento que a investigação nada tinha a ver com o PDM. No mesmo dia 7, em que começava a campanha eleitoral para as eleições legislativas, que levaria Sócrates a primeiro-ministro, o juiz de instrução criminal autorizou as escutas, buscas domiciliares e levantamentos de sigilos bancários, justificando que era "voz comum" que o outlet abrira sem licença. A investigação em Setembro de 2008 foi avocada pelo DCIAP. Em Julho deste ano as suspeitas de ilícitos sobre o licenciamento do Freeport voltam a ser arquivados.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

FREEPORT - 2

Há alguém perplexo com a nova série de episódios? Só os distraídos e os que querem esconder algo é que podem ficar.
Confunde-se licenciamento com viabilização. Confunde-se investigação com falta de transparência desde o primeiro momento.
Importa descobrir a verdade porque razão um estudo de impacte ambiental que viabilizaria a elaboração de todo os projectos, foi aprovado governamentalmente tendo como referência a alteração dos limites da ZPE aprovada em simultâneo. Ou seja, o governo aprovou aquela alteração em Conselho de Ministros no dia 14 de Março de 2002, no período da manhã. No entanto, o Decreto-lei que deu cumprimento só foi publicado em 20 de Maio de 2002, ou seja em rigor o DL entrava em vigor cinco dias úteis.
Portanto, todos os estudos e posteriores projectos só poderiam ter a chancela ministerial com datas após 25 de Maio de 2002. Tal não ocorreu. Porquê?
É verdade que o licenciamento passou à margem do Governo. Mas, passou esse como passam todos. Porque compete às Câmaras Municipais emitir as respectivas licenças dos projectos.
Em Portugal faz-me confusão tanta baralhação e falta de transparência por parte de quem se pensa que tem poder e afinal não têm. Quais as razões que motivam alguns seres humanos permanecerem no desempenho de funções sem poderem exercer os respectivos poderes? Se alguns apresentassem a demissão o país estaria bem melhor, pelo menos mais limpo ecologicamente falando.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

PENSAMENTO SEMPRE ACTUAL

"O governo do PS compõe-se de dois grupos: um formado por gente totalmente incapaz, e outro, por gente capaz de tudo."

Reconstrução de Angola precisa alcançar o Estado

transcrição de uma excelente entrevista editada na Folha

Alves da Rocha é economista, professor e um intelectual angolano. É um homem, sobretudo, corajoso. Nesta entrevista à reportagem da Folha, o professor dá um panorama da atual situação de Angola, uma nação com independência há pouco mais de 35 anos, mas que conseguiu a paz apenas há pouco mais de oito anos. Tempo suficiente para se tornar o país que mais cresce no mundo.
Um desempenho tão extraordinário do ponto de vista da expansão econômico, quanto da precária situação social do país que pode ser vista ao percorrer o país.
A reportagem da Folha passou nove dias em Angola e pode observar como essa ex-colônia de Portugal experimenta --entre erros e acertos-- um novo momento de sua história. Da análise da atual situação econômica aos hábitos da corrupção enfronhada no Estado, Rocha desfia um diagnóstico definitivo sobre o milagre de Angola.
A seguir a entrevista concedida numa sala do Ministério do Planejamento do governo angolano.
A economia de Angola deve recuperar o dinamismo em 2010?
As duas peças básicas que são o orçamento geral do estado e plano nacional estão a ser objeto de revisão, nós estamos trabalhando nisso. Já temos a análise toda do ano de 2009 e já temos alguns informações do primeiro trimestre de 2010. Vamos ver agora em termos de expectativa o que é que pode vir a acontecer em 2010. Há indicações de uma retomada econômica forte. A primeira projeção feitas, e que consta do plano nacional a ser revisto, situava a taxa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em torno de 8,8%. O que comparando com os 2,74% de 2009 já denota alguma retomada.
Mas qual o problema para se saber o que de fato ocorreu em Angola?
O problema é que na falta de um sistema estatístico confiável ninguém sabe o que aconteceu em 2009 e em 2008, nem 2007. Só para dar conta, a Universidade Católica Angolana estima que o crescimento econômico em 2009 tem sido inferior a 2%, 1,9%. O governo indica 2,74%. O Fundo Monetário Internacional apresenta uma cifra negativa de 0,4%. A revista The Economist apresenta uma taxa estimada para o crescimento do PIB de menos 2%. O Banco Africano de Desenvolvimento estima em 0,1%. Portanto, não se sabe. E não se sabe porque Angola não tem um sistema de contas nacionais. De qualquer maneira, é necessário que as projeções sejam feitas.
O país sofreu um forte abalo na crise econômica mundial. Qual foi o impacto?
Aparentemente a queda das reservas internacionais foi muito dramática, entre outubro e dezembro de 2008 perdeu-se algo como US$ 3 bilhões. A reserva passou de US$ 20 bilhões para US$ 17 bilhões no período. Não foi apenas justificada pela crise petrolífera, houve aqui especulações sobre o que teria acontecido às reservas. Até que depois do governo deu início a uma sindicância e uma investigação para saber o que havia passado e apanhou falcatruas em cerca de US$ 200 milhões, um valor ínfimo em relação àquele efetivamente perdido. Mas objetivo de defender as reservas internacionais, o governo tornou as coisas muito difíceis aos acessos às divisas. O ano de 2009 foi dramático, o que seguramente a taxa de 2,7% de crescimento se deveu às medidas restritivas. Face a diminuição das receitas fiscais provenientes do petróleo, o governo também reduziu suas despesas, nomeadamente os investimentos públicos e houve uma quebra de 40% do investimento público.
Qual é a taxa de investimento sobre o PIB em Angola?
A taxa geral de investimento deve estar da ordem de 30%, mas com um peso muito grande do setor do petróleo que responde por 50% a 60% da taxa global de investimento. O resto é investimento público e privado somados. Diria que o investimento público deverá rondar os 10% do PIB, nos últimos anos, depois da paz, depois da resolução do conflito militar, porque antes disso a taxa de investimento pública era muito pequena. Não havia condições de investir. O governo construía as estradas e aí vinha a Unita e dinamitava as rodovias. Depois de 2002, realmente assistiu-se a um incremento significativo do investimento público.
O investimento público tende a se manter em 10% do PIB como foi até agora no período do pós-guerra?
Provavelmente. Neste momento o governo angolano tem uma dívida face as construtoras estrangeiras, inclusive algumas pequenas construtoras angolanas. O Estado deve mais de US$ 4 bilhões, e foi por causa dessa dívidas que muitas obras pararam. Houve dispensa de trabalhadores. Portanto, o que o governo deve fazer ainda neste primeiro semestre é pagar aquilo que deve. Isso é investimento público de 2009, não é investimento público de 2010. Não sei dizer qual o investimento público programado para 2010. Na versão inicial do plano e do orçamento do estado, que estão em revisão agora, o investimento público deveria estar a volta dos US$ 9 bilhões em obras de reconstrução em 2010. Com a revisão não sei. Face o aumento do barril do petróleo e das receitas fiscais esses investimentos públicos talvez venham aumentar.
É um índice muito mais alto do que no Brasil, por exemplo.
Mas veja o grande problema do investimento público aqui não é o seu montante, mas sim a nossa capacidade de execução. Porque o orçamento pode prever bilhões, mas não temos capacidade de absorção disso, e é o que tem acontecido. Para lhe dar um número sobre 2009, e a despeito de ter havido uma redução do orçamento do ano passado para o investimento público, a taxa de execução rondou os 35%. Portanto ficaram 65% do valor de investimento público inscrito no orçamento por executar. Portanto isso dá a medida da nossa capacidade de fazer as coisas. O país está a andar a uma velocidade puxada pelo setor petrolífero que nós não temos capacidade de controlar e perceber o que está passando. E isso tem a ver com a fragilidade da administração pública, com a capacidade de adjudicar ou fiscalizar essas obras, com uma série de coisas. Isso pode ser um limite, um entrave importante no futuro para Angola entrar numa rota de desenvolvimento econômico sistemático. Faltam gente e capacidade do estado para tocar tudo isso.
Mesmo com crescimento econômico elevado, Angola enfrenta ainda um grave problema de desemprego. Qual a taxa de desemprego hoje no país?
As contas do governo, as quais ninguém acredita, dizem que a taxa de desemprego em 2009 foi inferior a 22,5%. As estimativas da Universidade Católica Angolana, que vão constar do relatório econômico, apontam uma taxa de desemprego ao redor de 25%, mas acreditamos que estejam subavaliados. Nós também não temos instrumentos para aferir isso com mais detalhes. Mas para dar uma ideia, todos os países limítrofes de Angola, tem taxas de desemprego relativamente elevadas, como Botsuana, Namíbia, as taxas rondam os 10% a 12%. Mas nosso padrão de referência é a África do Sul, e a taxa de desemprego lá, numa das publicações da The Economist, dava conta de uma taxa de desemprego de 25%. Mas mesmo lá, os sindicatos contestam a taxa de desemprego. Dizem que é muito superior, dizem que está por mais de 30%. Portanto, ninguém sabe. A sensação que se tem é que a taxa de desemprego é muito elevada. O governo no relatório que acabou de ser aprovado em conselho de ministro de execução do plano de 2009, afirma que no ano passado a economia de Angola criou 385 mil novos postos de trabalho, o que ninguém acredita. O governo apresenta os dados, setor a setor, mas todos duvidam. Quando essas informações são apresentadas ao público, os empresários dizem que isso não é possível. Porque nomeadamente no domínio da construção, junto com a agricultura, que são setores que mais empregam, houve dispensas. Mesmo assim, o governo apresenta números que dão conta de uma aumento da criação líquida de postos de trabalho na construção, o que ninguém acredita.
Mas esse novo ciclo econômico conseguiu algum nível de ascensão social dos mais pobres?
Essa é uma matéria sobre a qual há muita discussão, há muito debate. Porque a taxa de desemprego está ligada a taxa de pobreza. Em Angola, a taxa de pobreza é extremamente elevada. Ninguém sabe exatamente qual é. O último dado que temos é de 2002, que dava conta de uma taxa de pobreza ao redor 70%, já incluída a população que vive abaixo do nível de pobreza ou a população que vive com menos de 2 dólares por dia. A pobreza extrema que abrange a população que vive com menos de US$ 1,25 por dia, andava a volta dos 30%. Os indicadores precisam ter uma consistência entre si. Não se pode dizer que a taxa de desemprego está a cair quando não há melhorias visíveis na taxa de pobreza. No entanto, o crescimento econômico de Angola a partir, principalmente de 2004, deve ter provocado um efeito de contágio, de disseminação. Ou seja, deve-se ter sido possível aproveitar alguma janela de oportunidade que esse intenso crescimento econômico criou. Então, pessoalmente acredito que determinadas faixas da população, que estavam ligeiramente acima desse limiar da pobreza, conseguiram aproveitar essas oportunidades e conseguiram melhorar alguma condição de vida.
Mas dado pode demonstrar esse pequena evolução?
A quantidade de carros que existem em Luanda (capital de Angola). Só Luanda importa 2 mil carros por semana, 90% dos quais usados. É só andar pela cidade para ver que há muito carro, velho, a bater com o motor. Importados por US$ 3 mil ou US$ 4 mil, da Bélgica, da Holanda. São carros de quinta mão. Mas não há dúvidas de que aumentou a faixa da população que conseguiu ter esse dinheiro para comprar um carro usado. Isso significa que o crescimento econômico permitiu um aproveitamento, apesar de o modelo de distribuição de rendimento ser muito desequilibrado ainda. Basta ver os candongueiros (motoristas de pequenas vans que respondem por grande parte do transporte público na capital) e os apartamentos de US$ 2 milhões que são vendidos na zona nobre da cidade. Há uma desigualdade muito grande.
Esse fosso social está crescendo?
O estado nunca disse: "Bem agora vamos tirar dos ricos e dar aos pobres". Pelo contrário. O estado controlado pelo MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) _ o partido do poder _ privilegia, apoia a constituição do que o partido chama de uma burguesia nacional pelos mais variados processos.
Como funcionam esses modelos de criação dessa casta? Parece que houve inclusive um modelo institucionalizado para criar capitalistas angolanos.
Sim, há um assalto ao orçamento. É evidente. Os instrumentos podem ser a adjudicação das obras, por exemplo. As construtoras poderiam dizer muito melhor do que eu quais são as comissões que são obrigadas a dar para que o governo adjudique a empresa a uma determinada obra. As comissões são muito elevadas. Essa é uma via que transfere para essa classe de políticos, militares, governantes essas obras. Grande parte dos empresários que Angola tem são oriundos da esfera política. Não há um único ministro que não tenha empreendimentos, não há nenhum ministro neste país que não tenha uma fábrica, ou participe de uma, ou uma fazenda agrícola, meios de transporte, não há absolutamente nenhum. Essa gente é rica, e rica mesmo. São fortunas. Não sei como a revista Fortune não incluiu ainda nenhum angolano, porque há aqui fortunas de US$ 400 milhões, US$ 500 milhões, entre dinheiro, patrimônio, essas coisas todas. Isso foi sempre através do estado.
Isso ocorre com o setor petrolífero também?
Veja, há muitos políticos, governantes, dirigentes ligados ao partido que alugam suas casas, vão viver em condomínios que são do estado, e recebem uma renda de US$ 25 mil ou US$ 30 mil mensais do setor petrolífero. As petrolíferas pagam essa renda, mas sabe-se qual é o mecanismo. No cost oil, as petrolíferas vão dizer quanto gastaram. E portanto quem esta pagando essa renda? Somos nós, é o governo, é o Estado, é o orçamento.
A nova constituição busca resolver esse problema da corrupção no Estado angolano?
As declarações do presidente vão no sentido de corrigir a forma de distribuição da renda no país. Sente-se que é um modelo baseado na corrupção, na incompetência, no tráfico de influências e é evidente que isso não é bom para a sociedade. Não é bom para as pessoas e para a própria imagem internacional do país. A nova constituição ou as declarações do presidente da república vão no sentido de corrigir esse modelo de participação nos rendimentos. Quando o chefe de estado fala que a partir de agora é tolerância zero, quando ele fala nas intervenções públicas que os ministros e os políticos não podem ter negócios, ou dedicam-se aos negócios, ou dedicam-se ao governo e a política, significa que há consciência de que as coisas estão mal. Agora, se há vontade política para alterar as coisas isso é outra coisa. Entre tomar consciência do problema e haver vontade política de alterar vai muita distância.
Qual é dificuldade?
Alterar a situação atual significará mexer com interesses, interesses estabelecidos e consolidados. Essa gente vê como uma piada a lei da probidade pública, da tolerância zero. Todos estão de acordo, mas quando começar a tocar nesses interesses as coisas ficam muito complicadas. Porque se alguém alguma vez for denunciado e for levado a julgamento, por não conseguir justificar como adquiriu a fortuna, esse indivíduo, se quiser falar, levará toda a gente a julgamento e à prisão. Porque o MPLA criou uma teia, laços entre os dirigentes em que ninguém fala do outro. Porque se alguém um dia falar, vão-se todos. Porque as relações são umbilicais.
Há instrumentos legais que proíbem essa relação?
A nova constituição é clara quanto a isso. Se há um dirigente, um ministro que entenda que há uma oportunidade de negócio e ele quer aproveitar a oportunidade de negócio, de acordo com a lei, ele opta, sai do governo e vai fazer o negócio. Mas o fato de ser membro do partido e do governo confere a essa pessoa condições vantajosas em termos de conhecer as oportunidades. Aqui não há uma democratização das oportunidades. Quando um cidadão normal se der conta de uma oportunidade, um membro do governo já sabia dela e já a aproveitou.
O sr. confia na disposição do governo em mudar esse estado de coisas?
Não. Não porque não é a primeira vez. Já há dez anos, tentou-se criar a alta autoridade contra a corrupção. Criou-se no papel, nunca foi criado o tal comissário anticorrupção. Os casos que são dados a conhecer ao público, são menores. Uma queda das reservas internacionais de US$ 3 bi (considerado um ataque especulativo ao Kwanza, moeda local) levou o governo a investigar pessoas do ministério das Finanças e do BNA (Banco Nacional de Angola, o banco central) que urdiram contratos falsos com empresas estrangeiras. Mas cadê os outros. Não há qualquer possibilidade de arranjar uma fortuna num país que é independente há 35 anos com 20 anos de regime socialistas. Quando terminei de estudar em Portugal, era marxista. Depois de ter vivido o regime socialista aqui... Quem me venha falar disso eu dou as costas. Porque o que se passou aqui no regime socialista, eu vou lhe dizer... Em termos de dificuldade de alimentação, de se vestir, de tudo. Tirando os 20 anos de regime socialistas, como é que em 15 anos as pessoas com o seu trabalho, ainda que seja com empreendimentos, conseguem juntar fortunas de US$ 600 milhões ou US$ 700 milhões?

AGNALDO BRITO

quarta-feira, 28 de julho de 2010

FREEPORT - 1

Acabou mais uma série de vários episódios do famoso caso Freeport.
O silêncio e a gestão da palavra serão sempre uma espada apontada, até que a voz me doa.
Uma questão se coloca: se não houvessem férias judiciais e não vivêssemos uma época balnear, teria sido deduzida alguma acusação nesta altura?
Lanço um repto aos investigadores da História da justiça, vejam quantos processos mediáticos foram concluídos nesta época do ano; quando o povo está desinteressado dos casos e quer descanso.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

E SE FOSSE EM PORTUGAL?

ois ex-directores do banco islandês Kaupthing, nacionalizado de urgência em 2008, foram presos esta quinta-feira. Mas a lista de possíveis detidos envolve mais de 125 personalidades, segundo a imprensa.

Os directores de bancos islandeses que arrastaram o país para a bancarrota em finais de 2009 foram presos por ordem das autoridades, sob a acusação de conduta bancária criminosa e cumplicidade na bancarrota da Islândia.

Os dois arriscam-se a uma pena de pelo menos oito anos de cadeia, bem como à confiscação de todos os bens a favor do Estado e ao pagamento de grandes indemnizações.

A imprensa islandesa avança que estas são as primeiras de uma longa lista de detenções de responsáveis pela ruína do país, na sequência do colapso bancário e financeiro da Islândia.

Na lista de possíveis detenções nos próximos dias e semanas estão mais de 125 personalidades da antiga elite política, bancária e financeira, com destaque para o ex-ministro da Banca, o ex-ministro das Finanças, dois antigos primeiros-ministros e o ex-governador do banco central.

A hipótese de cadeia e confiscação de bens paira também sobre uma dezena de antigos deputados, cerca de 40 gestores e administradores bancários, o antigo director da Banca, os responsáveis pela direcção-geral de Crédito e vários gestores de empresas que facilitaram a fuga de fortunas para o estrangeiro nos dias que antecederam a declaração da bancarrota.

Em Outubro de 2008, o sistema bancário islandês, cujos activos representavam o equivalente a dez vezes o Produto Interno Bruto do país, implodiu, provocando a desvalorização acentuada da moeda e uma crise económica inédita.

In, TSF