sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O QUE SE PASSA NO SPORTING?

Começa a vislumbrar-se que afinal quando o Paulo Bento falava em Titanic se referia a um ou mais dirigentes do Clube. E pelo vistos durante esse período o presidente que agora também funcionário da SAD, porque dela recebe a remuneração estava concertado com o treinador. Será isto admissivel?
Agora a SAD está entregue a um trio de remunerados da SAD, em relação ao passado sportinguista não coloco em duvida em relação aos restantes prevalecem muitas duvidas.
Ajudar a toda esta fraquesa é o treinador que impõe as suas decisões!
Já agora Paulo Bento, espero que diga qual o próximo filme que ai vem.
Calculo que seja igual ao Apocalipse Now!

AFINAL O QUE SE PASSA NO SPORTING?

Lendo a noticia abaixo transcrita, começa a vir ao de cima a fraqueza do actual Presidente do Conselho Directivo. Já nem consegue resolver internamente os problemas da equipa que escolheu:

Bettencourt lamenta "falta de solidariedade dos órgãos sociais"
O presidente do Sporting, José Eduardo Bettencourt, queixou-se hoje da "falta de solidariedade dos órgãos sociais
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O presidente do Sporting, José Eduardo Bettencourt, queixou-se hoje da "falta de solidariedade dos órgãos sociais" do clube lisboeta, durante a intervenção na tomada de posse dos Leões de Portugal. "Não temos hoje solidariedade nos órgãos sociais, nem o espírito de construção dos valores do Sporting que se deixou enredar numa teia complicada para o clube e para os sportinguistas", lamentou Bettencourt, depois de elogiar o "trabalho magnífico" dos Leões de Portugal como exemplo do que deve ser a atitude dos sportinguistas que contribuem para resolver os problemas do clube. Quando se esperavam palavras de circunstância a propósito da tomada dos Leões de Portugal para o triénio de 2009/12, o presidente do Conselho Directivo surpreendeu ao lançar mais "farpas", como quando afirmou que assumia "a sua quota de responsabilidades", mas que não era "nem herói nem mártir". Para Bettencourt, os problemas do Sporting "não são apenas do presidente ou do Conselho Directivo", mas também de "outras pessoas com responsabilidades no clube", que têm de contribuir "para a sua resolução", naquele que considera ser "o grande desafio" que se coloca ao clube na "difícil conjuntura" actual. "O presidente só será capaz de resolver esses problemas trabalhando em equipa com aqueles que têm responsabilidade no clube", advertiu Bettencourt, deixando o aviso: "Se não se entender isto, dificilmente lá chegaremos". Bettencourt "exortou os sportinguistas" a desempenharem "um papel preponderante na vida do clube" e evitarem "maldizer as coisas do Sporting", como se este não fosse um "clube com história". O presidente deu o exemplo do Museu do clube como obra que representa "a iniciativa e o espírito de construção dos valores do Sporting" no sentido de "perpetuar a sua história riquíssima" e usou o termo "família sportinguista" para designar algo que é "muito mais do que pequenos actos e palavras", elogiando o trabalho desenvolvido pelos Leões de Portugal. A fechar a sua intervenção, Bettencourt referiu-se à necessidade de "ter ambição e assentar o clube numa rocha", uma vez que "se os problemas com que o clube se confronta "não forem resolvidos agora, dificilmente o serão de vez". A intervenção do presidente do Sporting surgiu no dia em que a SAD "leonina" confirmou, em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a recomposição da Comissão Executiva, com o presidente José Eduardo Bettencourt a assumir a responsabilidade do futebol profissional.

Este mandato como se previa vai acabar mal! Os sportinguistas devem estar atenttos para pedir responsabilidades a quem os tem enganado ao longo destes anos e causado graves prejuízos.

VERDADE 51 - CITANDO GEN SILVESTRE

DEFESA: EM JEITO DE BALANÇO.

O mandato do actual Ministro da Defesa Nacional (MDN) tem-se revelado um verdadeiro descalabro! De qualquer ângulo que se ajuíze, o mal-estar instalado só pode ser proporcionalmente comparável ao do tempo do Dr. Fernando Nogueira, época em que começaram a avolumar-se todos os grandes problemas que têm afectado as Forças Armadas (FFAA) até aos dias de hoje. De facto, tem-se vindo a procurar degradar, desde essa altura, sistematicamente, as capacidades das FFAA e os direitos inalienáveis dos que nelas prestam serviço. Porém, ao seu decepcionante desempenho político, o actual MDN juntou também outros desempenhos igualmente reprováveis.

Em termos das condições socioprofissionais e da “condição militar”, tudo piorou! Para além de todos os “dossiers” já existentes e em que houve apenas mais recuos, secretismo e restrições, surgiram como “azeda no topo do bolo” as novas Lei de Defesa Nacional e das Forças Armadas (LDNFA) e Lei Orgânica de Bases da Organização das Forças Armadas (LOBOFA) mas, principal e fundamentalmente, o novo RDM, suprassumo na arte de legislar em cima do joelho, à base de conceitos vagos e obscuros, deixando no ar a ideia de objectivos inconfessáveis, desconhecimento e incompetência! Este último documento faz regredir as nossas Forças Armadas mais de 50 anos! Nem o “Estado Novo” foi tão longe na perseguição ao “delito de opinião”, no acentuar do dever de obediência a todo o custo, em prejuízo de valores tão importantes como o exemplo, o patriotismo, e a lealdade, entre outros. Importa recordar, aqui e agora, que o “delito de opinião” foi a justificação oficial para o Gulag, para os campos de concentração nazis e para o Tarrafal! Este novo documento estaria bem adaptado a algumas forças pretorianas mercenárias, mas chamar-lhe “RDM” é um insulto grave a umas FFAA nacionais que sempre se têm pautado por níveis de desempenho operacional e de disciplina difíceis de ultrapassar.

Sempre defendi que o “velho” RDM estava ultrapassado, que o EMGFA nunca funcionaria convenientemente com a estrutura que tinha, e que o CEMGFA deveria possuir mais ferramentas de comando operacional. Contudo, tudo tem limites, até mesmo os princípios maquiavélicos do controlo e da manutenção discricionária do poder! Os “ideólogos” e os conselheiros responsáveis por estes diplomas demonstraram profunda ignorância, incompetência e má fé!

Nesta escalada de “trapalhadas” (para não lhes chamar outra coisa), o mandato termina com três acontecimentos demonstrativos da nula capacidade de gestão e intervenção do MDN:

- por um lado, a necessidade de uma intervenção urgente do Primeiro-Ministro para um almoço com os Chefes Militares, face à proposta de novos vencimentos e abonos à GNR, perante o “dolce fare niente” do Ministro;

- por outro lado, a sua não ida ao IESM, para se dirigir aos futuros oficiais-generais na última semana de curso, tradição que se perde nas brumas da memória; se fosse necessário demonstrar a falta de consideração, o desinteresse e a incapacidade de um Ministro pela sua área de responsabilidade, nada mais seria necessário;

- para finalizar, a proposta miserabilista de revisão do sistema retributivo, praticamente inalterado há mais de 20 anos, é insultuosa e ofensiva para todos os militares!

Mas também na gestão operacional e logística das FFAA, o panorama não foi melhor!

A incrível “gaffe” do contrato de manutenção dos helicópteros EH-101, herdada do Ministro anterior, e que obrigou à remontagem de quatro SA-330 “Puma”, entretanto já abatidos e desmontados, foi uma “obra-prima” de incompetência e de desconhecimento imperdoáveis que, se fosse da responsabilidade dos militares, faria correr rios de tinta e, traria consequências disciplinares. Quanto terá custado ao País e ao orçamento das FFAA este “descuido”?

Os “patrulhões” oceânicos, em execução nos estaleiros de Viana do Castelo, já levam quase cinco anos de atraso e não se sabe bem quanto tempo mais irá decorrer até o primeiro deles ficar operacional! Quanto está a custar ao País e ao orçamento das FFAA este outro “descuido”?

Os “romances” da desagregação das OGMA e do Arsenal do Alfeite também estão ainda por explicar convenientemente. Quanto irão custar ao País e ao orçamento das FFAA estas decisões, ditas de “racionalização de recursos”?

A cerimónia de entrega das primeiras viaturas blindadas “Pandur” ao Exército foi cancelada, em virtude de não cumprirem os requisitos mínimos exigidos. Esta é mais uma demonstração da consideração e respeito que as empresas europeias têm pelo MDN e da “competência” do controlo exercido por aquele. Quanto está também a custar ao País e ao orçamento das FFAA este novo “descuido”?

Os radares de vigilância costeira é outro assunto em que o MDN se demitiu das suas responsabilidades, e o resultado de se ter aceitado passá-las para outro Ministério está à vista de todos. O País está à mercê de quem quiser servir-se!

Apesar dos inúmeros alertas feitos pela Força Aérea, desde Maio passado que os C-130 não podem voar na Europa, por falta de equipamentos electrónicos adequados às exigências do tráfego aéreo europeu. Servem para executar missões para o Afeganistão, para África e para outros locais, mas na Europa não são autorizados a entrar!

Enquanto o CEME afirma publicamente ter falta de 1200 efectivos e o CEMFA continua a ver os seus pilotos mais qualificados optarem pela aviação comercial, o MDN anuncia uma redução de cerca de 2600 efectivos. Surrealista, de facto!

Este Ministro da Defesa não deixa saudades! O mais triste, contudo, é que os militares têm a convicção que, com a sua vivência militar e experiência em matéria de Defesa, teria todas as condições para ser um bom MDN, se não fosse tão pusilânime, seguidista e filósofo de trivialidades .

A 5 de Dezembro próximo, o CEMGFA termina o seu mandato! Será reconduzido? Do Governo que sair das eleições legislativas e da decisão referida, dependerá muito o negrume do futuro próximo das FFAA.

VERDADE 50

Mas afinal quem é
Carolina Patrocínio ???
Mandatária para a Juventude pelo Partido Socialista de José Sócrates



Carolina Patrocínio é uma jovem com uns olhos espertos que gostam de andar sempre muito juntos, uma cara patusca, um sorriso simpático e fácil. É rica, famosa e aparece em tudo o que é programa de televisão e revista cor de rosa. Ninguém sabe se aparece por ser famosa, ou se é famosa porque aparece.


Os portugueses devem gostar muito de a ver em fato de banho, atendendo a que é quase impossível arranjar na net uma fotografia da moça, vestida com outra indumentária. Muitos desses portugueses devem ter, para além disso, um especial prazer em vê-la a "ausentar-se", tal é a quantidade dessas fotografias em que aparece de costas.

Até há pouco tempo, não se lhe conhecia uma ideia sobre coisa nenhuma. Uma entrevista recente, e onde fala exaustivamente do que gosta e não gosta, embora mantendo o suspense quanto às suas ideias sobre a situação sócio/política nacional e internacional, as eleições que temos aí à porta e a sua importância para a juventude portuguesa, as saídas profissionais (ou a falta delas) para essa mesma juventude, etc, etc, etc... mesmo assim, deu-nos a conhecer outras características da jovem "apresentatriz". Ficamos a saber que trabalha apenas para se divertir, pois "felizmente não precisa de trabalhar", que "detesta frutas que tenham que ser descascadas" e a frase que anda toda a gente a discutir, "só como cerejas se a minha empregada lhes tirar os caroços", aplicando-se o mesmo princípio às grainhas das uvas, que, segundo ela, "são uma grande trabalheira".

Foi escolhida para Mandatária para a Juventude pelo Partido Socialista de José Sócrates.

Para além de, como quase toda a gente, também não vislumbrar o que é que Sócrates acha que a juventude portuguesa com idade para votar deve ver na jovem e mediática Carolina Patrocínio, que lhe sirva como modelo ou exemplo a seguir, gostaria de chamar a atenção para uma pequena frase da Mandatária, logo a seguir à tal das cerejas e que parece ter escapado aos espectadores, que terão, muito compreensivelmente, ficado apardalados com a problemática dos caroços e grainhas. Diz a Mandatária da Juventude:

"Sou muito competitiva. Detesto perder! Prefiro fazer batota, a ter que perder!"

Ora aí está! Quase que aposto ter sido esta a "qualidade" (para Sócrates um verdadeiro programa eleitoral...) que cativou o Primeiro Ministro e fez de Carolina uma incontornável Mandatária.

VERDADE 49



No regresso de férias, não podemos deixar de partilhar convosco algumas memórias, que certamente muitos “apreciarão”, com especial relevo para as cerca de 400 famílias de militares que não conseguiram alojamento na Messe de Lagos, entre os 900 concorrentes na época alta (JUN-SET) deste ano, para os cerca de 110 alojamentos existentes.

Podem verificar pelas fotos, a ironia do destino dado ao antigo património da Manutenção Militar (Edifício das Descobertas da Messe de Lagos), adquirido pela “ESTAMO – Participações Imobiliárias, SA” por ajuste directo pelo valor de 2.324.000,00 EURO e que depois um particular terá adquirido e curiosamente dispensado para a sede de campanha do Partido Socialista em Lagos.

O Edifício das Descobertas (Ex-Prédio Militar 22-Lagos), dispensado pelo anterior CEME ao MDN e consequentemente desafectado do domínio público militar pelo Primeiro-Ministro, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, por resolução do Conselho de Ministros de 21DEZ2006, face a inusitadas pressões do autarca socialista lacobricense, com os cerca de 45 alojamentos de que dispunha, teria certamente satisfeito as confirmadas, legitimas e justas necessidades da família militar. O pretexto de que a verba a realizar se destinaria a contribuir para o saneamento financeiro da Manutenção Militar não se confirmou no despacho da alienação deste património tão necessário, sim, para satisfação do apoio social aos militares e consequente salvaguarda da condição militar.

E que dizer da inexistente reposição de 1/3 da capacidade de alojamento da Messe Militar de Lagos, solicitada em 02FEV09 ao MDN pela AOFA, que comprovadamente se verifica, mais uma vez, ser necessária?

O apelo das imagens é esclarecedor e valerá mais do que mil palavras.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

SER SPORTINGUISTA

Ser Sportinguista
Não é Viver o Passado
É Estar no Presente
E Pensar na Conquista
Do Jogo bem Jogado

É Vibrar em cada Jogo
É Gritar até ao Fim
De Bandeiras sem Erguidas
A Vitória Será Nossa Sim

É Ser Especial
Em cada Momento
É Saber Amar
Cada Movimento

É Ter no Olhar
Um Brilho Imenso
É Gritar e Saltar
Num Jogo Intenso

É Saber Acreditar
Quando Perdemos
É Saber Sonhar
Quando Vencemos

É Sofrer
Por Não Vencer
É Crer
Em Ser Campeão a Valer

É o Não Baixar a cabeça
Quando não corre tudo Bem
E Lutar para que nada nos Vença
E ter a Força que Ninguém Tem

Eu Sou um Sportinguista a Valer
E pelo Meu Grande Sporting
Estou sempre a Sofrer

JOAO BARREIRA

CITANDO MANUEL MARIA CARRILHO

Para além do voto

A mudança é esta: hoje, a noção de maioria perde valor, a noção de mandato perde consistência, as eleições tendem a não ser mais do que um processo de designação dos governantes.

A agenda política dos próximos tempos é extremamente exigente. Devido à crise que vivemos e ao facto de, ao contrário do que seria de prever, a polarização ideológica não se ter acentuado com o desenrolar da crise.

E não se acentuou porquê hoje não só não se dispõe de nenhum modelo económico alternativo ao capitalismo, como o socialismo perdeu o elemento que sustentava e dava coerência às suas causas fundamentais (igualdade, solidariedade, etc.), e que era a crença no progresso.

Essa crença, que nascera no século XVII e que desde então dinamizou todos os impulsos de emancipação, dissipou-se no século XX. Primeiro com as grandes catástrofes humanas (holocausto, guerras), que puseram em causa a sua realidade, e depois com a globalização e as transformações financeiras do capitalismo, que estropiaram o seu sentido.

Perdeu-se a confiança numa evolução positiva do mundo. Desapareceu a certeza que o dia de amanhã será melhor do que o dia de hoje. Deixou de haver finalidades mobilizadoras para a humanidade, e o pessimismo e os princípios "de precaução" multiplicam-se por todas as áreas, a comprová-lo.

Com tudo isto, a esquerda e a direita como que trocaram de papéis. A esquerda perdeu a sua inspiração optimista e as suas genéticas ambições de mudança, que foram tomadas pela direita e reconfiguradas à luz dos objectivos do capitalismo financeiro.

Isto deixou a esquerda atada a um conservadorismo defensivo, que se define por intenções sociais de natureza mais reparadora do que verdadeiramente reformista. Como se o mundo se tivesse tornado num lugar perigoso e desamparado, e um misto de consolo e de reparação fosse tudo aquilo que hoje se pode proporcionar às pessoas. Daí que a esquerda procure agora na fracturante "agenda dos direitos" (casamentos gay, eutanásia, etc.) uma nova compensação para as suas dificuldades mais estruturais, num remake do que já acontecera com o tema europeu nos anos 80 e 90 do século passado.

O PONTO CEGO

Entretanto, o sentimento que mais se generalizou na relação dos cidadãos com a política e com os governos foi o da incapacidade do poder.

A descredibilização que atinge a política não é pontual nem subjectiva. É um processo que ultrapassa as circunstâncias, os partidos e as persona-lidades. E que radica na cons-tatação quotidiana que os po- líticos, seja qual for a sua ideologia, não são capazes de resolver os principais problemas do mundo, seja no domínio do emprego ou da saúde, da educação ou da finança.

Isto afecta profundamente a democracia, quer na forma como as pessoas a avaliam quer na forma como as pessoas participam nela. E atinge, fragilizando-o, o instrumento a que se pretendeu reduzir a de- mocracia: o voto, as eleições.

Contudo, esta fragilização do voto não deve ser vista como um inevitável empobrecimento da democracia. São vários os estudos (nomeadamente os de Pierre Rosanvallon e da sua equipa) que têm mostrado que ela deve antes ser entendida na perspectiva do seu efectivo enriquecimento.

É que - e este aspecto é importante - o desgaste da relação representativa e a erosão da confiança nos eleitos não têm sido acompanhados por um maior desinteresse ou uma maior apatia por parte dos cidadãos. Pelo contrário, tem-se assistido à emergência de novos comportamentos políticos que visam revitalizar a democracia, com actos que ora são de mera avaliação crítica, ora se pretendem de vigilância mais escrutinadora, ora se assumem de bloqueio comprometido. De tudo isto temos tido em Portugal, nos últimos anos, uma variada e interessante experiência.

O que importa, agora, é articular estes diversos elementos numa nova compreensão da democracia, que acolha toda a sua complexidade contemporânea e reforce a sua legitimidade. Este reforço implica um passo muito preciso: compreender e desmontar a ficção que levou à identificação (tão automática quanto infundada) da maioria com a vontade geral, como se fossem a mesma coisa, como se o maior número de votos pudesse valer, sem atritos ou controvérsia, pela sua totalidade.

Para se revitalizar a democracia é preciso ver que o seu ponto fraco - que tem sido um ponto cego - está antes do mais aqui, no modo como tradicionalmente se estabeleceu que a parte vale pelo todo. E, depois, no corolário que estabeleceu que o momento eleitoral vale para toda a duração do mandato.

Isso acabou. Os cidadãos das democracias do nosso tempo sacodem cada vez mais esta dupla ilusão. E, neste processo, tudo muda: a noção de maioria perde valor, a noção de mandato perde consistência, e ambas perdem sentido, o que transforma as eleições num mero processo de designação dos governantes.

Vale pois a pena, especialmente no actual contexto político nacional, ganhar alguma distância em relação à "espuma dos dias" e reflectir sobre estas mudanças, que traduzem um alargamento da afirmação do individualismo contemporâneo, nomeadamente em tudo o que se refere ao comportamento político dos cidadãos.

Um alargamento que traz consigo novas formas de legitimidade que é preciso acrescentar à legitimidade eleitoral - desde logo aquela a que se pode chamar uma legitimidade "de proximidade", que é exactamente onde cada vez mais se faz e desfaz a relação de confiança entre o poder e os cidadãos.

AS ARMADILHAS DO VOLUNTARISMO

São muitos os factores que hoje tornam a actividade política extraordinariamente difícil: a globalização e a perda de soberania das nações, o individualismo e a erosão da representatividade, a mercantilização da informação e a sua tabloidização.

Não falta quem pense que estes, como outros factores (a desideologização das sociedades contemporâneas, a intensificação quase religiosa do consumo, a absorção do futuro no curto prazo, a hegemonia financeira da vida económica, etc.), inviabilizam a política, condenando os que a praticam a um papel de desesperados ou inconscientes bodes expiatórios de uma sociedade que, na verdade, parece que desistiu de se compreender a si própria.

Com todas estas dificuldades, a margem de manobra tornou-se de facto muito estreita. Mas essa margem existe, desde que - e este é o ponto fundamental - se corte com a tentação vanguardista que, tanto à direita como à esquerda, continua a pensar a política como se ela estivesse acima, ou à frente, da sociedade. Até porque, se alguém vai à frente, é claramente a sociedade, não é a política.

Esta visão "heróica" da política (como inspiradamente lhe chamou Daniel Innerarity) deve ser abandonada, porque bloqueia todas as articulações vitais com a sociedade. Temos de substituí-la por uma concepção aberta e audaz, que abrace o pulsar das ideias em vez de se agarrar à aridez ideológica, que troque a obsessão dos consensos pelo acolhimento da diversidade, que abdique de pretender dirigir a sociedade sem, claro, desistir de influenciar o seu caminho e o seu destino.

Goste-se ou não, é esta a direcção que as democracias contemporâneas têm seguido. Por isso, as lideranças do futuro terão de resistir à armadilha do voluntarismo, seja na forma que conduz a contraproducentes provas de força com a sociedade seja quando ele se refugia num qualquer tipo de determinação mais ou menos iluminada.

São outras as qualidades que se requerem aos reformadores do nosso tempo. Acima de tudo, o que conta é mostrar capacidade de composição com a própria sociedade: na sua diversidade, na sua fragilidade e na sua complexidade. Não só porque o voluntarismo afasta e exclui, enquanto a composição motiva e integra, mas também porque só assim se consegue criar o espaço de manobra necessário para lidar com os problemas do nosso tempo.

Obama compreendeu isto, Sarkozy não. É o que faz do primeiro um líder inspirado, capaz de abrir novos caminhos, e do segundo um líder perdido num labirinto de impulsos e de incoerências. E talvez este exemplo ajude a compreender o essencial: é que, se o reformismo é - e é de facto - uma arte muito difícil, ele tem contudo um segredo. E esse segredo está em conseguir construir ao mesmo tempo que se corta, em combinar a visão e o detalhe, o global e o sectorial, o longo prazo e o imediato.

Tudo isto são coisas que talvez não se decidam em campanhas eleitorais. Mas é nelas que se começa a perceber se alguém - e quem - tem a chave deste segredo. Como nas próximas semanas certamente

UM PRESIDENTE





LENDO A DECLARAÇÃO DO PRESIDENTE OBAMA QUE NA ABERTURA NO ANO LECTIVO DISCURSOU PARA OS JOVENS, SERIA INTERESSANTE OUVIR ESTES TESTEMUNHOS NOUTRAS LATITUDES.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009