quinta-feira, 16 de julho de 2009

TREINO DESPORTIVO

INTRODUÇÃO

No âmbito da disciplina de Treino Desportivo do Curso de Administração e Gestão Desportiva foi solicitado apresentar um trabalho sobre o microciclo de treino e respeitante apenas e sómente a uma semana de qualquer período da época desportiva.

O trabalho visa enunciar pressupostos relacionados com o microciclo de treino e deve atender atender aos seguintes factores:
- Modalidade;
- Qual o escalão;
- Conter pelo menos três dias de treino;
- Diagrama de esforço / ciclo.

Posto isto, entendemos versar o trabalho sobre a preparação fisica de um árbitro de futebol.

Antes porém, indicaremos alguns conceitos importantes do treino e de seguida apresentaremos um plano de sintético da preparação fisica de um árbitro.

CONCEITOS DO TREINO

O treino desportivo tem como um dos seus objectivos obter um rendimento desportivo máximo. Este é distinto de acordo com o caracter de actividade se for recreativa e de manutenção em contraponto com a actividades desportiva profissional.

Carga de treino é elemento fundamental planeamento do treino e tem em conta três vertentes:

- Natureza;
- Grandeza;
- Orientação.

Existe de igual modo o factor de adaptação a ter em conta, por isso há necessidade de efectuar uma avaliação das capacidades fisicas de cada atleta.

No organismo de cada desportista observam-se três fases fundamentais na reacção à intensidade da carga: a primeira é caracterizada pela activação do sistemas funcionais que se traduz pelo aumento brusco da frequência cardiaca, a segunda é caracterizada pelo estado estável e por fim a terceira é caracterizada pela diminuição progressiva do equilibrio.

Aqui devemos introduzir o factor da fadiga, a qual é considerada como um importante factor de mobilização dos recursos funcionais, e como um potente factor de adaptação.

Os fundamentos do exercício de treino a ter em conta são os seguintes:
1. Definição de exercício de treino;
2. Natureza do exercício de treino;
3. Estrutura do exercício de treino;
4. Princípios do exercício de treino.

A preparação de um praticante ou de uma equipa para a competição desportiva pretende conseguir que estes sejam capazes de resolver as situações que enfrentam durante a competição, procurando obter a vitória através:
- do domínio das acções técnicas e dos comportamentos tácticos de uma determinada modalidade;
- da adaptação do organismo aos esforços intensos solicitados pela competição; e,
- da habituação progressiva dos praticantes às exigências psico-emocionais da competição.


PREPARAÇÃO DE UM ÁRBITRO DE FUTEBOL

O perfil psicológico de um árbitro deve ser tido em conta na sua avaliação e bem como no planeamento do treino fisico. Na definição do perfil deve ser tido em conta o seguinte:

- Rigor: cultivar o hábito de, nas decisões a tomar, ver em separado o verdadeiro do falso;
- Isenção: repudiar todas as atitudes que sejam capazes de influenciar tendenciosamente quaisquer decisões;
- Segurança: aplicar o conhecimento adquirido;
- Tolerância: manifestar a disponibilidade para em casos pontuais assumir a participação pedagógica no reconhecimento do erro;
- Autoridade: torne merecedor do respeito dos outros agentes desportivos.

As qualidades de um árbitro são as seguintes:
- capacidade de reacção;
- calma;
- honestidade;
- integridade;
- imparcialidade;
- decoro;
- rectidão;
- sobriedade;
- modéstia;
- firmeza;
- coragem;
- coerência;
- concentração;
- atenção.

A maioria destas qualidades tem plena eficácia quando o árbitro se encontra com boa capacidade fisica, a qual resulta do treino desportivo adequado.

Antes de nos debruçarmos sobre a preparação fisica de um árbitro há a considerar que o perfil técnico de um árbitro deve ter em conta o seguinte:

- Acuidade visual e auditiva;
- Percepção imediata das situações;
- Oportunidade de decisão.

Conforme vimos atrás a carga de treino provoca uma diminuição na capacidade de trabalho até induzir a fadiga, estimulando assim o processo de recuperação, podendo esta atingir o estado de super-recuperação ou super-compensação da capacidade de trabalho.

A planificação do treino é feita tendo em conta o período em que se vai aplicar a metodologia de treino, ou seja se estamos em momento de pré-competitivo, competitivo ou não.

Na tabela abaixo podemos verificar a análise da qualidade trabalho com o grau de resposta, tendo em conta um padrão para cada indivíduo em função das intensidades e volume de cargas, sem descurar a percentagem muscular solicitada:

Tipo de trabalho Músculos solicitados Factor limitado
Local - 1/3 Muscular
Regional 1/3 a 2/3 Muscular e orgânica
Global + 2/3 Predominantemente orgânica

O planeamento da unidade de treino deve ter em conta ainda os seguintes factores:
- identificação dos temas e tarefas;
- determinação da estrutura e do conteúdo da sessão de treino.

As capacidades são desenvolvidas a partir dos seguintes factores:

1. Resistência

Para melhorar a resistência existem quatro métodos identificados:
- método de duração;
- método dos intervalos intensivos;
- método dos intervalos extensivos;
- método da repetição.

2. Força

Para melhor a força existem três métodos:
- método da força máxima;
- método da força rápida;
- método da força resistência.

3. Velocidade

4. Flexibilidade


METODOLOGIA DO TREINO DE UM ÁRBITRO

A primeira fase que se denomina de aquecimento é importante porque deve ser adequado às capacidades orgânicas, musculares e psicológicas, do indivíduo, de forma a dotar o árbitro das óptimas condições de rentabilidade.

Deve ser adequado ao tipo de condições climatéricas e atmosféricas existentes; isto é, com frio e humidade, o tempo de aquecimento será progressivamente mais intenso. E o contrário também será necessariamente verdade, isto é: com clima seco e quente, deverá ser mais curto, embora com um grau elevados de intensidade, mas com pausas mais intervaladas.

No decorrer do aquecimento, o árbitro deverá procurar alhear-se do ambiente que o rodeia, visualizando em pormenor possiveis situações de jogo e respectivas soluções.

Sempre que possivel o aquecimento deverá realizar-se no local de treino ou de jogo, verificando “in loco” as condições do piso e todos os fenómenos que o rodeiam.

Plano de treino semanal em periodo competitivo:

1º dia –

Objectivo geral: treino de recuperação.
Desenvolvimento:
- corrida continua (lenta) 2 x 15 minutos;
- intervalo de 5’ – caminhar e exercicios de flebilização geral e trabalho respiratório;
- treino especifico de alongamentos musculares;
- retorno à calma.

2º dia
Objectivo geral: treino de resistência / velocidade.
Desenvolvimento:
- activação geral: 10 minutos.
- Metodologia de treino addominal e dorso-lombares.
- Alongamentos.
- 1 x 100 metros – corrida rápida – recuperação – corrida lenta;
- 2 x 75 metros – corrida rápida – recuperação – corrida lenta;
- 3 x 50 metros – corrida rápida – recuperação – corrida lenta;
- 4 x 25 metros – corrida rápida – recuperação – corrida lenta;
- 5 x 15 metros – corrida rápida – recuperação – corrida lenta;
- 6 x 10 metros – corrida rápida – recuperação – corrida lenta;

3º dia
Obectivo geral: treino de força / resistência.
Desenvolvimento:
- activação geral – 10 minutos.
- Trabalho especifico de contracção e alongamentos muscular;
- Metodologia de treino em circuito – 9 estações, alternando pernas, abdominais / dorsais – 30’’ acção de 30’’ de recuperação ( 2 séries) – intervalo de 3 minutos entre séries;
- Corrida continua – 10 minutos;
- Alongamentos e retorno à calma;

4º dia
Tentar arbitrar um jogo de preferência entre equipas federadas.

5º dia
Obejctivo geral: treino de velocidade.
Desenvolvimento:
- activação geral – 10 minutos;
- alongamentos musculares;
- exercícios específicos de preparação para velocidade com mudanças de ritmo, sentido e direcção;
- 6 x 5 metros – saída: posição de deitado facial, dorsal, apoio de joelho no solo. Recuperar a caminhar;
- 5 x 10 metros – saida: posição de pé. Recuperar a caminhar;
- 4 x 15 metros – saída: posição de pé. Recuperar a caminhar;
- corrida continua – 10 minutos;
- alongamentos e retorno à calma.

6º ou 7º dia
Jogo



CONCLUSÃO

Este trabalho foi elaborado de forma sintética sem introduzir outras variáveis que resultam do tipo de competição que o árbitro está inserido, bem como com as condições de terrenos de jogo que muitos árbitros ainda se sujeitam, apesar de nos campeonatos nacionais o futebol se praticar em relvados.

Poderíamos ainda introduzir outras variaveis que dizem respeito à preparação do árbitro assistente.

terça-feira, 14 de julho de 2009

VERDADE 24 - CITANDO VALENTINA MARCELINO

Cada vez mais polícias compram material à sua custa

O medo de serem agredidos ou baleados está a levar cada vez mais polícias a gastar do seu bolso para comprarem equipamento de protecção. Há empresas que fazem descontos e deixam pagar a prestações.

Os agentes da PSP e militares da GNR estão a comprar, às próprias custas, equipamento básico de protecção pessoal que não está a ser garantido pelos comandos. Chega ao ponto de as maiores estruturas sindicais destas forças de segurança terem feito acordos com empresas privadas para conseguirem descontos e facilidades de pagamento a prestações.

Segundo informação recolhida pelo DN, estas aquisições aumentaram 40% no último ano e os pedidos de informação duplicaram.

"A partir do momento em que os polícias começaram a assistir ao aumento do crime violento e a ver colegas a morrer e a ficarem feridos, instalou-se um grande sentimento de insegurança e a necessidade de se sentirem mais protegidos", explica Paulo Rodrigues, presidente a ASPP (Associação Sindical de Profissionais de Polícia). Dá como exemplo o Corpo de Intervenção, uma unidade de elite da PSP, ao qual pertence, cujos elementos compraram "vário material à sua conta, incluindo coletes anti-balas". O sindicalista diz que "há destacamentos do CI que caso tenham de sair todos para uma operação não têm coletes para todos. Por isso houve elementos que sentiram necessidade de os comprar". E não são baratos (ver imagem ao lado).

Para responder "a estas preocupações, cada vez mais frequentes, dos polícias", a ASPP fez um acordo com uma empresa da especialidade - por sinal a mesma vende para o ministério da Administração Interna (MAI) - para que os associados "pudessem adquirir o equipamento com garantia de qualidade e com facilidades de pagamento".

Quer a ASPP quer a Associação Profissional da GNR (APG) garantem que não "ganham nada com o negócio". O dirigente da APG, José Manageiro, lamenta que "se chegue a este ponto: como o Estado não cumpre as suas obrigações nesta matéria, têm de ser os profissionais a pagar do seu bolso a protecção da própria vida". "Os decretos-lei não desviam as balas e se não for assim não se sentem protegidos", acrescenta.

O MAI remete a responsabilidade para a PSP e GNR. O porta-voz lembra que "as verbas para equipar as Forças de Segurança saem do Orçamento de Estado proposto pelo Governo e aprovado pela Assembleia da República, cuja execução é assegurada pelo MAI. A actividade respeitante à organização, gestão e aquisição de meios e equipamentos é da competência da Direcção Nacional da PSP e do Comando-Geral da GNR".

Se houvesse dúvidas sobre o sentimento de insegurança dos polícias elas são eliminadas com o "aumento de 40% nas encomendas, só no último ano", segundo o director da empresa que fez o protocolo. "Num ano de crise as nossas vendas dispararam e 97% dos nossos clientes são polícias", sublinha Carlos Amaro.

O sucesso do "kit policial" foi tal que vai ser lançada uma nova campanha que aumenta de 13 para 35 elementos o conjunto de protecção pessoal que este empresário considera "básico" para um polícia. Das simples algemas, aos coldres, passando por botas, até ao colete balístico, tudo pode ser adquirido em prestações. O "kit" total custa cerca de 1260 euros.

domingo, 12 de julho de 2009

sábado, 11 de julho de 2009

UMA VISÃO PARA O "BELENENSES"

INTRODUÇÃO

No âmbito da actividade curricular da disciplina de Organização do Desporto propusemo-nos elaborar um estudo de um projecto a desenvolver no Clube de Futebol “Os Belenenses”. Por outro lado, estando este mesmo grupo de discentes a desenvolver um Plano de Marketing para o mesmo Clube, por uma questão metodológica fizemos um aproveitamento de alguma informação partilhada.
Em tempo oportuno contactámos responsáveis / dirigentes do Clube no intuito de recolhermos as necessárias informações, bem como a cooperação que entendêssemos vir a ser necessária. Registámos de pronto uma salutar aceitação dos nossos propósitos, no entanto, tal não teve sequência posterior, visto até à data de conclusão deste trabalho não nos ter sido fornecida nenhuma informação. Só num período avançado da situação é que nos apercebemos dos constrangimentos que nos surgiram, tornando-se impossível optar para outros objectivos académicos.
Com a antecedência devida solicitámos aos responsáveis do Clube as seguintes informações:
1- Número de funcionários por aérea;
2- Patrocinadores e parcerias protocolados com Clube;
3- Relatórios e contas dos dois últimos anos de exercício;
4- Análise informativa sobre os associados;
5- Organigrama do Clube;
6- Número de modalidades e praticantes;
7- Infra-estruturas (como estão ser rentabilizadas, investimentos planeados);
8- Filiais e delegações;
9- Identificação dos logótipos do Clube e das diversas secções.
Apesar da nossa insistência e persistência até à conclusão deste trabalho não obtivemos respostas às questões colocadas pela via institucional e oficial. Conforme foi anteriormente referido a situação impediu-nos de alterar a metodologia seguida e optarmos por uma outra instituição como objecto do nosso estudo.
Feitas estas considerações introdutórias e apesar dos condicionalismos mantivemos o objectivo principal deste trabalho: PROJECTO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO NA ÁREA DO FUTEBOL.
De uma forma sintética analisámos a situação financeira, associativa e competitiva do Clube de Futebol “Os Belenenses” e tendemos a perspectivar que urge inovar estrategicamente na actividade desportiva, como medida preventiva para valorizar e salvaguardar todo o património disponível. A excelente localização, a dimensão das instalações parece-nos que estão reunidas as condições para o Clube enveredar pela prestação de serviços desportivos, não só aos seus associados mas muito principalmente a um universo de praticantes de desporto muito alargado.
É esta tarefa que nos propomos enunciar na proposta que apresentamos no final do trabalho, antecedida de todo o enquadramento do Clube.
1. BREVE HISTORIAL DO CLUBE
Data da Fundação: 23 de Setembro de 1919
O Clube de Futebol “Os Belenenses tem a sua origem num grupo de amigos que iniciaram a prática do futebol nos areais fronteiros ao mosteiro dos Jerónimos nos idos anos de 1900 quando a modalidade dava os seus passos em Portugal.
Mais tarde, em 1904, por necessidade de se organizarem para poderem competir nos campeonatos de Lisboa é fundado o Sport Lisboa que utiliza as Terras do Desembargador, também conhecido por campo das Salésias para a prática do futebol a par de outros eventos que por ali decorriam.
Este Sport Lisboa serviu durante muitos anos como clube de iniciação para a maioria dos atletas que formavam o plantel dos clubes da zona de Lisboa o que fez com que nunca chegasse a posições de destaque nas competições em que alinhava, até que em 1919 um grupo de atletas cansados de ser a nata dos outros resolveu fundar o Clube de Futebol “Os Belenenses” e aos quais os moradores da zona se juntaram para ver o clube do seu bairro e nas comemorações do segundo aniversário já se pode assistir a provas de atletismo, ciclismo e demonstrações de Boxe, tudo modalidades que a população lisboeta apreciava e que “Os Belenenses” conseguiram explorar para assim conquistarem os corações dos habitantes de Belém em particular.
Ao longo dos seus 90 anos de vida dedicada ao desporto o Clube de Futebol “Os Belenenses” sempre foram uma agremiação muito carismática que granjeou a admiração de todos e que foi distinguida com diversas condecorações pelos serviços prestados à sociedade, nomeadamente:
Comendador da Ordem Militar de Cristo
Oficial da Ordem de Benemerência
Ordem de Benemerência da Cruz Vermelha
Benemérito da Cruz de Malta
Medalha de Mérito Desportivo
Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa

MODALIDADES

Andebol
O andebol é uma das modalidades com maior tradição no Clube, com vários títulos nacionais conquistados, destacando-se os cinco campeonatos nacionais de seniores o último na época de 1993/94
A escola de formação do clube, é reconhecida como uma das melhores do país, de donde saíram inúmeros jogadores de categoria nacional e internacional que representaram as selecções nacionais ao mais alto nível.

Rugby
Uma das mais antigas modalidades praticadas no Clube, tendo-se iniciado em 30 de Dezembro de 1928, numa partida contra o Benfica, que o emblema da Cruz de Cristo venceu por 11-0.
Em Portugal, o Belenenses é o clube que pratica a modalidade há mais tempo sem interrupção. É também um dos emblemas com maior palmarés, contando com 5 títulos nacionais de seniores e vários títulos nacionais nos escalões de formação.

Polo Aquático
No clube, a modalidade é totalmente não profissional e mesmo assim tem conseguido alcançar títulos nacionais e muitos atletas do clube tem presença constante na Selecção Nacional.

Basquetebol
Nesta modalidade o clube tem uma grande tradição como clube de formação com um brilhante palmarés ao nível de Juniores, Juvenis e Infantis com 8 Campeonatos Nacionais conquistados e ainda com 17 Campeonatos de Lisboa, para além de 2 Campeonatos Nacionais e 2 taças de Portugal conquistadas a nível Sénior.
2.5. Outras
Para além das modalidades referidas, o clube já teve e tem as seguintes secções em funcionamento: Futsal, Voleibol, Triatlo, Natação, Danças de Salão, Xadrez, Patinagem Artística, Desportos Adaptados, Capoeira e Karaté.

INSTALAÇÕES

O Belenenses está sedeado numa das zonas mais carismáticas da capital, na freguesia de Santa Maria de Belém, com uma área inferior a 3,4 Km2 para cerca de 10.000 habitantes ou seja, uma densidade populacional a rondar os 2.900 habitantes por /Km2.
A população desta zona de Lisboa é uma população exigente e com um poder de compra do segmento médio superior, com uma apetência para a utilização dos espaços de desportos de lazer perto da área de residência

Complexo Desportivo
O complexo Desportivo do Clube de Futebol “Os Belenenses” é constituído por um estádio, três campos de treinos, uma piscina olímpica e dois pavilhões, um com bancadas e outro sem bancadas e aberto lateralmente.
Estádio do Restelo
O Estádio do Restelo, está situado numa das zonas mais nobres da Cidade de Lisboa, onde é possível ter uma magnífica vista sobre o Rio Tejo. O recinto foi inaugurado a 23 de Setembro de 1956. O estádio também já foi utilizado para inúmeros concertos. A maior enchente foi a quando da visita do Papa João Paulo II, com mais de 100 mil pessoas.
O estádio tem lotação de 25 mil pessoas sentadas.
Para além da prática de Futebol é dos poucos estádios do país com pista de Atletismo em redor do relvado

Pavilhão Acácio Rosa
Capacidade para 1.683 pessoas
Praticam-se no pavilhão as seguintes modalidades: Futsal, Basquetebol, Voleibol, Andebol, Patinagem Artística;
Este pavilhão também tem sido utilizado algumas vezes para concertos.


Complexo Olímpico de Piscinas
O Complexo das Piscinas do Restelo é constituído por dois tanques. Um com capacidade para a prática de competição, natação pura e um outro de dimensões inferiores para iniciação à natação.

CAMPOS DE FUTEBOL
Para além do campo principal, o Estádio do Restelo tem no seu complexo mais três infra estruturas que permitem às equipas de Futebol e Rugby treinarem e jogarem. É também nestes campos que as equipas de iniciação do Clube fazem a sua formação e jogos. Estes campos também podem ser utilizados para alugar a praticantes externos ao Clube.

Campo de Treinos – Relvado
É neste campo relvado que se efectuam os jogos das equipas de Juvenis e Juniores de Futebol e das equipas de Rugby do Clube da Cruz de Cristo.

Campo de Treinos - Relvado Sintético
É neste campo que se desenrolam a maioria das actividades com bola. Por ser uma infra estrutura mais resistente é a que é mais utilizada durante a semana com treinos das camadas jovens e de Rugby.

ANÁLISE INTERNA E EXTERNA.

Formação de Jogadores
Nos últimos anos para além das duas presenças na Taça UEFA e na Final da Taça de Portugal o único aspecto desportivo positivo a salientar é a formação de alguns jovens jogadores, que todos os anos saem para clubes de maior projecção. Exceptuando a última época, o clube tem conseguido incluir jogadores oriundos dos escalões de formação. Embora o aproveitamento da formação pudesse ser melhor, deve salientar-se os dois jogadores que simbolizam a qualidade da formação, Rolando, hoje no Futebol Clube do Porto e Rubem Amorim, jogador do S. L. Benfica.
Nos últimos meses, e numa medida há muito não tomada por nenhuma direcção, assinaram contratos como jogador profissional 7 jovens oriundos da formação.
A obtenção de elevados níveis de rendimento, no auge da carreira desportiva, passa pela realização de um trabalho a longo prazo, assente em bases sólidas e devidamente estruturadas. Torna-se então imperioso a definição clara de objectivos a atingir em cada uma das etapas do processo de formação, desde a iniciação até à especialização. Com base nisto o clube tem tentado desenvolver um projecto de reestruturação do futebol juvenil, que tem como mentor o Prof. Jorge Castelo e que só daqui a uns anos dará os seus trunfos.

MAGEM DO CLUBE - Carisma, Tradição

Ainda há relativamente pouco tempo, os adeptos do clube usavam como argumentação positiva serem o quarto grande clube em Portugal, tudo devido a um título conquistado em 1945/46.
Este é um simples exemplo de como o desporto, mais concretamente o futebol produz recordações que alteram a auto-estima e o comportamento emocional dos adeptos. Um simples jogo pode ser explorado e ser motivo de debate por tempo indeterminado.
É inigualável o que se aprende com os ídolos do passado, os êxitos transformam-nos em marcos, situações de triunfo do passado, surgem agora, adequados à realidade actual, e gerar benefícios para o clube.
Dando-se valor ao passado está-se em busca de oportunidades no futuro.
O facto de valorizar o passado da equipa e da localidade e torná-la como uma questão cultural, é um importante factor para a dinamização do clube, junto dos adeptos e simpatizantes ou até mesmo visitantes de ocasião.
Este fenómeno já acontece com os grandes clubes europeus que promovem e desenvolvem o seu carisma e a sua tradição, em programas nas rádios e TV sobre as glórias e figuras do passado, tudo com o objectivo de dar a conhecer, aproximá-los dos adeptos, transmitir a imagem e as bases em que assentam toda a cultura do clube.
Assim o carisma e a tradição do clube de Bélem são importantes trunfos que deverão ser ainda mais explorados no futuro, apresentando-se como uma oportunidade e um instrumento facilitador para a obtenção dos objectivos propostos pela direcção.
Um clube com tradição é um clube com historia, é um clube que consegue captar os mais velhos, através de lembranças positivas dos momentos de glória do passado e cativar os mais novos, que procuram incessantemente pela certeza, confiança e sucesso que o carisma transmite.


ESTRUTURA DE FUNCIONAMENTO DO COMPLEXO DOS CAMPOS DE FUTEBOL
Existem várias maneiras diferentes de se organizar uma agremiação desportiva e outros tantos meios de inserção desse clube no contexto profissional do desporto. Para isso, é fundamental que o sector administrativo trabalhe como um facilitador e acelerador de processos dentro da agremiação, dando um carácter mais dinâmico às actividades e aumentando a chance de obtenção de receita.
O primeiro passo para esse incremento administrativo é a interacção entre todas as áreas. Quanto mais um clube funcionar de maneira unificada e planificada, menos chances terá de haver falhas no seu projecto. Além disso, o conceito de competência precisa ser trabalhado no âmbito desportivo associado à estratégia, assim como acontece no ambiente empresarial.
O sector administrativo de uma empresa também deve estar pronto para identificar os actores envolvidos no processo e as chances de obtenção de lucro no mercado em que essa empresa está inserida. Esse é um princípio básico para a sustentação e deve nortear o investimento e os projectos de qualquer associação desportiva. Para isso, contudo, é importante que exista uma administração profissional e dedicada aos interesses do clube como uma empresa voltada ao lucro e à subsistência.

Estratégia e produtos
“Futebol transforma-se cada vez mais em um lucrativo negócio”
Com o crescimento e a interacção maior com a população, o futebol deixou de ser apenas um desporto hermético e assumiu um papel importante no contexto social.
As vultosas cifras envolvidas em contratos publicitários, salários de jogadores e negociações de conhecimento público não deixam dúvida: o futebol é um negócio, e um negócio cada vez mais rentável. No entanto, o mundo mercantil permite diferentes maneiras de abordagem para esse segmento. Os rumos e a solidez do futebol como produto dependem das perspectivas administrativas a ele associadas.
O futebol foi massificado, os atletas de origens mais populares ganharam espaço e as cifras envolvidas na realização de espectáculos cresceram. A estrutura das organizações desportivas, em contrapartida, seguiu atrelada aos princípios do amadorismo.
Por conta disso, a gestão dos clubes precisa voltar ao desenvolvimento do desporto como actividade comunitária e integracionista.
Estudando o Clube de Futebol “Os Belenenses”, o clube possui nas suas infra estruturas, o campo principal situado no Estádio do Restelo, um campo com relvado natural, um outro campo relvado mas sintético e um quarto campo com piso pelado.
O clube ainda possui um outro estádio que embora não apresenta as melhores condições também fará parte dos campos que o clube deverá explorar, o campo das Salésias.
Assim, propomos:
a) Aluguer dos campos que fazem parte complexo do clube, sempre que estes não estejam a ser utilizados pelas escolas de formação ou pelos escalões jovens. O obejctivo é a rentabilizaçao máxima dos espaços.
b) Criação de escolas de futebol, que acompanharão os jovens até aos séniores do clube e, por outro lado para ocupação dos tempos livres dos jovens que não pretendem praticar futebol federado. Esta última vertente deverá assentar muito nos campos de férias que deverão ser realizados por altura das férias escolares na Páscoa e Verão.
A importância que inquestionavelmente assume o Ensino do Futebol na actualidade, exige por parte das entidades intervenientes, que lhe seja prestada uma maior atenção e uma melhor coordenação, através da implementação de um Modelo de Formação, com programas e métodos de treino adequados.
A evolução dos tempos, da sociedade e as recentes transformações operadas nos hábitos desportivos dos cidadãos, fazem com que cada vez mais cedo se inicie a prática desportiva de crianças e jovens.
Para que os escalões de formação sejam constituidos por jovens atletas que tenham capacidade de se transformar em grandes jogadores no futuro, o clube terá que montar uma rede de olheiros espalhados pelo país, que deverá identificar os melhores talentos.
Ter atenção ao mercado dos países lusofónos, que poderão ser fornecedores de atletas ao clube.
Por isso o clube deverá desenvolver protocolos com clubes desses países. Estes protocolos deverão ter um acompanhamento próximo e permanente. Dinamizados através de formações a técnicos e dirigentes nos países africanos.
Assim para a avaliação do projecto, deveremos observar no final das temporadas se a equipa principal absorveu alguns atletas oriúndas dos escalões de formação e se as finanças se mantiveram equilibradas, dentro do nível factível com os interesses do clube.
A abordagem anterior assenta no pressuposto da história do clube e serve de caminho orientador para a questão presente da agremiação. E tem por finalidade preparar a clube o vertente de “produção de atletas” e lançá-los no campo competitivo. A segunda parte do nosso trabalho visa apontar um caminho ligeiramente diferente do que tem sido seguido, ou seja, colocar a componente competitiva em plano secundário e tornar o Clube de Futebol “Os Belenenses” no maior espaço de prestação de serviços na aérea do futebol. A avançar para este caminho, não significa abdicar das competições em que estão inscritas as equipas do clube. Ao Estádio além do espectáculo desportivo deve existir uma componente comercial muito aguerrida para organizar diferentes tipos de eventos.
Para que tudo tenha uma lógica de mudança é necessário modernizar o símbolo do clube, sem que se perca as referências principais, à cruz de Cristo e ao azul.
Desenvolver merchandising do clube, tendo em conta o target que pretendemos conquistar e a realidade socioeconómica da cidade de Lisboa.
O nosso público – alvo deverá ser:
- as crianças e adolescentes;
- empresas no seu todo;
- serviços públicos;
- associações.
Sabemos que o Clube já tem uma componente de prestação de serviço no que ao nível das denominadas Escolas de Futebol, diz respeito. No entanto, é nosso propósito alargar os escalões destes serviços e colocar à disponibilidade dos praticantes horários mais alargados inclusivé ao fim de semana e feriados.
Para que tal aconteça entendemos ser necessário substituir o relvado do campo de treinos por outro piso sintético, acrescentar um outro piso sintético no actual campo pelado.
Em todos os campos deve ser reforçada a luz artificial.
Para estas infra-estruturas estimamos que os custos rondarão os 110 000 a 150 000 euros.
Tratando-se de uma vertente de prestação de serviço onde o cliente paga e exige condições há que fazer um investimento em instalações de apoio, nomeadamente no que respeita a balneários de qualidade superior aos existentes. Se igual modo, nos espaços adjacentes deve haver uma clara aposta comercial na melhoria de serviços de bares, restaurante que atenda diferente tipo de publico, loja de equipamento desportivo e outros espaços de lazer e divertimento, consideramos que o investimento terá um retorno em curto prazo, atendendo que se estima a durabilidade de cada relvado sintético em cerca de 10 anos.
Em referência aquele prazo é a previsão que se estima para que o conceito do actual Clube esteja diferente e com um grande dinamismo no aproveitamento de todas as instalações desportivas, sem que as mesmas tenham sido consumidas para liquidar o passivo Clube.
Não possuindo alguns dados internos o Clube no que respeita à ocupação dos campos de futebol pelo diversos escalões, podemos extrapolar do seguinte modo:
- campo poderá estar ocupado cerca doze horas por dia ao fim de semana;
- durante a semana poderá ter uma ocupação de cinco horas;
- ou seja cada campo poderá ter uma ocupação limite de 74 horas por semana;
- se forem os três campos em uso serão cerca duzentas e vinte e duas horas, por semana;;
- se considerarmos que o aluguer por hora se poderá cifrar em cerca de 70 euros;
- pode-se estimar uma rentabilidade a rondar os quinze mil e quinhentos euros, por semana:;
- num mês rondará os sessenta e dois mil euros.
Saliente-se que esta análise é apenas indicadora das potencialidades de desenvolvimento do serviço, não tem em linha de conta alguns factores condicionantes, internos e externos.
No entanto, é possível projectar este serviço para os stackhoeldrs atrás mencionados, para esse efeito terá que ser desenvolvida uma boa equipa de comerciais.

CONCLUSÃO

Este documento consubstancia um conjunto de ideias – base de um projecto muito abrangente a desenvolver com toda a clareza, se para tal forem fornecidos um conjunto de elementos em devido tempo solicitados.
Como forma de consolidar ideias poderão ser dinamizadas prestações de serviço nas seguintes vertentes:
- Programas de férias escolares;
- Competição entre empresas que ocupem os espaços;
- Melhor família desportiva;
- A melhor empresa desportiva.
Estas serão algumas das ideias que podem ser desenvolvidas na dinamização do produto global do futebol em Belém.
Consideramos ser necessário o Clube introduzir factores inovadores no desporto, porque será certamente importante garantir a capacitação de angariar receitas para a sustentabilidade financeira da instituição de modo não acontecer o que tem ocorrido com as agremiações que tendem a desaparecer.

domingo, 5 de julho de 2009

SERÁ VERDADE?

Quem será o ex-deputado do CDS-PP que enquanto esteve no Parlamento terá recebido alguns contributos em conteúdos (euros) para melhor preparar os requerimentos sobre determinadas matérias?

Com Dias Loureiro arguido e outros mais a seguir, saberemos as razões porque foi nacionalizado o BPN?

Porque motivo no mandato autárquico de 2001/2005 o então Presidente da CMAlcochete apregoou aos sete ventos ter protocolado o arranjo da estrada de acesso à Academia do Sporting, e na altura ter sido ventilado o apoio financeiro do BPN para a obra?

VERDADE 22

Sócrates não declarou rendimentos em 1999, 2000 e 2001 e era Ministro do Ambiente !...





Sócrates, em Março deste ano, foi corrigir. Não se lembrou durante 8 anos. Porquê agora ?!...
José Sócrates corrigiu este ano quatro das suas declarações de rendimentos entregues no Tribunal Constitucional como ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território e como deputado, em 1999, 2000 e 2001. Os aditamentos, assinados pelo primeiro-ministro a 24 de Março deste ano, revelam o montante do seu rendimento anual como trabalhador dependente em cada um daqueles anos: o valor, que era omisso nas declarações daqueles anos, oscila entre 79 302 euros, em 2000, e 82 045 euros, em 2001.

As correcções deram entrada no Tribunal Constitucional a 2 de Abril passado e estão acompanhadas de uma carta do chefe de Gabinete do primeiro-ministro, Pedro Lourtie, dirigida à secretária-geral da instituição presidida por Rui Moura Ramos.
"Tendo o senhor primeiro-ministro constatado a falta de indicação, por lapso (!!!), em declarações anteriores, de rendimentos do trabalho dependente relativos a vencimentos como ministro e deputado, junto envio (...) aditamentos a essas declarações anteriormente apresentadas, respeitantes à renovação anual daquelas declarações como ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território, em 22 de Novembro de 2000 e 12 de Dezembro de 2001, à cessação de funções como ministro, em 6 de Abril de 2002, e ao início de funções como deputado da Assembleia da República, na mesma data."
Com esta correcção, Sócrates revela os seus rendimentos anuais: 79 384 euros (1999); 79 302 euros (2000) e 82 045 euros (2001).
Pasme-se : 8 anos depois o sr. PM lembrou-se !!!!!
NEGÓCIOS SUSPEITOS
A offshore que vendeu um apartamento no Edifício Heron Castilho à mãe de Sócrates tem ligações suspeitas à Camorra, máfia italiana.
Segundo o semanário 'Sol', que teve acesso às cópias autenticadas do processo - dado que os documentos tinham desaparecido do notário - Maria Adelaide Monteiro, mãe do primeiro-ministro, comprou o apartamento à Stoldberg Investments Limited, que é detida por uma portuguesa que vive com o líder de um grupo imobiliário que é perseguido em França por ligações à Camorra e que vive agora no Algarve.
No negócio da venda do apartamento à mãe de Sócrates a Stoldberg teve um prejuízo de quase 12 mil contos. Foram sessenta mil euros de perda numa altura em que o mercado imobiliário estava em alta.
SAIBA MAIS
FISCALIZAÇÃO
O Tribunal Constitucional assegura a aplicação da Lei 25/95, que controla a riqueza dos titulares de cargos políticos, através da fiscalização das entregas. A declaração do início e cessação de funções é apresentada no prazo de sessenta dias.
103 772 euros foi o rendimento anual do trabalho dependente de José Sócrates como primeiro-ministro, em 2008.
FORA DE CARGOS 5 ANOS
O incumprimento da Lei 25/95 incorre em perda de mandato e inibição do exercício de cargos que obriguem a esta declaração de um a cinco anos.

CITANDO MIGUEL SOUSA TAVARES

Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:
- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.
- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.
- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida.
- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos... Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.
- Não resultou, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos... - Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km. Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?
- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.
- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa. - Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim. Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta... - Não, não vai ter.
- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.
- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo?
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...
Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade. Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:
- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa. - Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.
- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?
Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?
- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.
- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.
- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?
- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.
- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada? - Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor. Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:
- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez. Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:

- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

VERDADE 21 - CITANDO O JORNAL PRIVADO



Porque continuo a acreditar na investigação da verdade.

VERDADE 20 - CITANDO SETUBAL NA REDE

Miguel Boieiro, antigo presidente da câmara e actual presidente da Assembleia Municipal de Alcochete, considera que os dois novos arguidos do caso Freeport são “bodes expiatórios” para “disfarçar e fazer esquecer o verdadeiro responsável, que é o então ministro do Ambiente”, José Sócrates. Na sua opinião, nem a câmara municipal nem o Instituto da Conservação da Natureza (ICN) “tinham poderes para resolver nada sozinhos”, referindo-se a José Inocêncio e a José Manuel Marques, respectivamente presidente de Alcochete e vice-presidente do ICN na altura da aprovação do Freeport e que agora foram constituídos arguidos.

Considerando que estes podiam ter sido indicados como arguidos “logo de início” e não o foram, Miguel Boieiro entende que esta decisão serve para “envolver o processo e para não chamarem o verdadeiro responsável”. Referindo-se aos restantes arguidos, o presidente da Assembleia Municipal alcochetense lembra que Carlos Guerra, então presidente do ICN, “só deu o parecer favorável” e que o consultor Manuel Pedro e Charles Smith “só fizeram o seu trabalho”, a que Alcochete está “grato”, porque “em vez das construções devolutas” que estavam no local, o Freeport “tem mais vantagens”.

Zeferino Boal, ex-membro da Assembleia Municipal de Alcochete que, há dois anos, foi ilibado no processo por suspeitas de violação do segredo de justiça, refere que “já nada o surpreende” e reafirma o seu desejo de que “a investigação seja célere e se apure a verdade”. Miguel Boieiro lamenta que o poder judicial não esteja “suficientemente separado” do poder político, mas acredita que a conclusão do processo está “dependente da evolução política”, realçando que uma possível “mudança” nas próximas eleições poderá “influenciar” o caso. Por isso, confessa que “vê com curiosidade” o desenrolar do processo, “como numa telenovela, à espera do próximo capítulo”.

Em relação às suspeitas de que o primeiro chumbo do ICN ao Freeport, em 2001, possa ter sido uma medida estratégica com outros objectivos, Miguel Boieiro acredita que se deveu a intuitos “políticos”, uma vez que aconteceu em vésperas das eleições autárquicas. Miguel Boieiro, que depois de cinco mandatos como presidente, viria então a perder a câmara para o socialista José Inocêncio, refere que esse chumbo “nunca poderia acontecer assim”, porque o projecto estava “a ser acompanhado pelo ministério passo a passo” e, se algo não estivesse bem, seria “apenas um pormenor a ser corrigido e não chumbado limiarmente”. Zeferino Boal lembra que “já havia denunciado o chumbo estratégico na altura, mas ninguém ouviu”.

Zeferino Boal refere que, desde a construção da ponte Vasco da Gama, Alcochete “passou a ser o concelho da moda na área metropolitana de Lisboa”, uma vez que se tornou “apetecível” com a necessidade de reordenamento do território. Por isso, realça a necessidade de Alcochete necessitar de “autarcas com boa visão estratégica governativa”, para “não cederem facilmente às pressões a que estão sujeitos e para que Alcochete possa ser um “concelho modelo”. Zeferino Boal lamenta assim que o actual mandato na câmara seja marcado pelo “silêncio das forças políticas”, uma vez que “as melhores soluções nascem do debate político”.

Quanto ao processo do caso Freeport, Zeferino Boal garante que continua a “acreditar na competência e na capacidade dos serviços judiciais”, apesar de realçar que é necessário a quem tutela que “não crie constrangimentos”. Dando o exemplo “estanho” do processo ter andado “a passear” entre Lisboa e Setúbal, Zeferino Boal questiona porque “o ministério da Justiça não procura que o processo se conclua rapidamente”. Nos Estados Unidos, “o processo Madoff concluiu-se em sete meses, mas em Portugal não se concluem nem em sete anos”, aponta, concluindo que “quem tutela os serviços tem de ser chamado à responsabilidade”.