Dia 7 de Junho de 2009, hoje realizam-se eleições para o Parlamento Europeu. Há 48h realizaram-se eleições para o Sporting Clube de Portugal. São realidades diferentes e contextos não comparavéis. No entanto há uma comparação a fazer-se que é questão emotiva da participação eleitoral e em tudo que envolve espírito da militância numa e noutras. No Sporting o desnivelamento foi acentuado enquanto que as realizam hoje tende para o equilíbrio. Nas primeiras houve muitos eleitores que fizeram quilómetros para exercerem o seu direito de voto e de associado, quantos é que hoje sairão do seu comodismo para colocarem na urna o seu voto.
Há actores são diferentes, mas em ambos o grau de responsabilidade é elevado. Nisto envolve não só os candidatos mas também os eleitores.
Há que reflectir sobre o grau de responsabilidade democrática de cada um e dos deveres de cidadania.
domingo, 7 de junho de 2009
quarta-feira, 3 de junho de 2009
CITANDO MÁRIO CRESPO
Morreu o cavaquismo
Entre mais-valias na carteira de acções do professor Cavaco Silva e o solilóquio de Oliveira e Costa no Parlamento, morreu o cavaquismo. As horas de aflitivo testemunho enterraram o que restava do mito. Oliveira e Costa e Dias Loureiro foram delfins de Cavaco Silva. Activos, incansáveis, dinâmicos, competentes, foram para Cavaco indefectíveis, prestáveis, diligentes e serventuários. Nas posições que tinham na SLN e no BPN estavam a par da carteira de acções de Cavaco Silva e família. Os dois foram os arquitectos dos colossais apoios financeiros que nas suas diversas incarnações o cavaquismo conseguiu mobilizar logo que o vislumbre de uma hierarquia de poder em redor do antigo professor de Economia se desenhava. Intermediaram com empresários e financeiros. Hipotecaram, hipotecaram-se e (sabemos agora) hipotecaram-nos, quando a concretização dos sonhos de poder do professor exigia mais um esforço financeiro, mais uma sede de campanha, mais uma frota de veículos para as comitivas, mais uns cartazes, um andar inteiro num hotel caro ou uma viagem num avião fretado. Dias Loureiro e Oliveira e Costa estiveram lá e entregaram o que lhes foi requerido e o que não foi.
Como as hordas de pedintes romenos, esgravataram donativos entre os menos milionários e exigiram contribuições aos mais milionários. Cobraram favores passados e venderam títulos de promissórias sobre futuros favores. O BPN é muito disso. Nascido de um surpreendente surto de liquidez à disposição do antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais de Cavaco Silva, foi montado como uma turbina de multiplicação de dinheiros que se foi aventurando cada vez mais longe, indo em jactos executivos muito para lá do ponto de não regresso. Não era o banco de Cavaco Silva, mas o facto de ser uma instituição gerida pelos homens fortes do regime cavaquista onde, como refere uma nota da Presidência da República, estava parte da ( ) "gestão das poupanças do prof. Cavaco Silva e da sua mulher", funcionou como uma garantia de confiança, do género daquele aval de qualidade nas conservas de arenque britânico onde se lê "by special appointment to His Royal Majesty " significando que o aromático peixe é recomendado pela família real. Portugal devia ter sabido pelo seu presidente que a sua confiança nos serviços bancários de Oliveira e Costa era tal que tinha investido poupanças suas em acções da holding que detinha o banco. Mas não soube. Depois, um banco de Cavaco e família teria de ser um banco da boa moeda. E não foi. Pelo que agora se sabe, confrontando datas, já o banco falia e Cavaco Silva fazia sentar na mesa do Conselho de Estado, por sua escolha pessoal, Dias Loureiro, que entre estranhos negócios com El Assir, o libanês, e Hector Hoyos, o porto-riquenho, passou a dar parecer sobre assuntos de Estado ao mais alto nível. Depois, vieram os soturnos episódios de que Oliveira e Costa nos deu conta no Parlamento, com as buscas alucinadas por dinheiro das Arábias. Surpreendentemente, quase até ao fim houve crédulos que entraram credores de sobrolho carregado para almoços com Oliveira e Costa nas históricas salas privadas do último andar da sede do BPN e saíram accionistas dos dois mil milhões de bolhas especulativas que agora os portugueses estão a pagar. Surpreendentemente também, o Banco de Portugal nada detectou. Surpreendentemente, o presidente da República protegeu o seu conselheiro, mesmo quando as dúvidas diminuíam e as certezas se avoluma, cai o regimevam. De Oliveira e Costa no Parlamento fica ainda no ar o seu ameaçador: "eu ainda não contei tudo". Quando o fizer, provavelmente, cai o regime. Francamente, com tudo o que se sabe, já não é sem tempo.
Entre mais-valias na carteira de acções do professor Cavaco Silva e o solilóquio de Oliveira e Costa no Parlamento, morreu o cavaquismo. As horas de aflitivo testemunho enterraram o que restava do mito. Oliveira e Costa e Dias Loureiro foram delfins de Cavaco Silva. Activos, incansáveis, dinâmicos, competentes, foram para Cavaco indefectíveis, prestáveis, diligentes e serventuários. Nas posições que tinham na SLN e no BPN estavam a par da carteira de acções de Cavaco Silva e família. Os dois foram os arquitectos dos colossais apoios financeiros que nas suas diversas incarnações o cavaquismo conseguiu mobilizar logo que o vislumbre de uma hierarquia de poder em redor do antigo professor de Economia se desenhava. Intermediaram com empresários e financeiros. Hipotecaram, hipotecaram-se e (sabemos agora) hipotecaram-nos, quando a concretização dos sonhos de poder do professor exigia mais um esforço financeiro, mais uma sede de campanha, mais uma frota de veículos para as comitivas, mais uns cartazes, um andar inteiro num hotel caro ou uma viagem num avião fretado. Dias Loureiro e Oliveira e Costa estiveram lá e entregaram o que lhes foi requerido e o que não foi.
Como as hordas de pedintes romenos, esgravataram donativos entre os menos milionários e exigiram contribuições aos mais milionários. Cobraram favores passados e venderam títulos de promissórias sobre futuros favores. O BPN é muito disso. Nascido de um surpreendente surto de liquidez à disposição do antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais de Cavaco Silva, foi montado como uma turbina de multiplicação de dinheiros que se foi aventurando cada vez mais longe, indo em jactos executivos muito para lá do ponto de não regresso. Não era o banco de Cavaco Silva, mas o facto de ser uma instituição gerida pelos homens fortes do regime cavaquista onde, como refere uma nota da Presidência da República, estava parte da ( ) "gestão das poupanças do prof. Cavaco Silva e da sua mulher", funcionou como uma garantia de confiança, do género daquele aval de qualidade nas conservas de arenque britânico onde se lê "by special appointment to His Royal Majesty " significando que o aromático peixe é recomendado pela família real. Portugal devia ter sabido pelo seu presidente que a sua confiança nos serviços bancários de Oliveira e Costa era tal que tinha investido poupanças suas em acções da holding que detinha o banco. Mas não soube. Depois, um banco de Cavaco e família teria de ser um banco da boa moeda. E não foi. Pelo que agora se sabe, confrontando datas, já o banco falia e Cavaco Silva fazia sentar na mesa do Conselho de Estado, por sua escolha pessoal, Dias Loureiro, que entre estranhos negócios com El Assir, o libanês, e Hector Hoyos, o porto-riquenho, passou a dar parecer sobre assuntos de Estado ao mais alto nível. Depois, vieram os soturnos episódios de que Oliveira e Costa nos deu conta no Parlamento, com as buscas alucinadas por dinheiro das Arábias. Surpreendentemente, quase até ao fim houve crédulos que entraram credores de sobrolho carregado para almoços com Oliveira e Costa nas históricas salas privadas do último andar da sede do BPN e saíram accionistas dos dois mil milhões de bolhas especulativas que agora os portugueses estão a pagar. Surpreendentemente também, o Banco de Portugal nada detectou. Surpreendentemente, o presidente da República protegeu o seu conselheiro, mesmo quando as dúvidas diminuíam e as certezas se avoluma, cai o regimevam. De Oliveira e Costa no Parlamento fica ainda no ar o seu ameaçador: "eu ainda não contei tudo". Quando o fizer, provavelmente, cai o regime. Francamente, com tudo o que se sabe, já não é sem tempo.
domingo, 31 de maio de 2009
CARTA ABERTA A JOSÉ EDUARDO BETTENCOURT
Sr. Candidato a Presidente da Direcção do
Sporting Clube de Portugal.
Aproxima-se o dia 5 de Junho, no qual os associados do Sporting Clube de Portugal vão ser chamados a votar em listas para os Órgãos Sociais do clube. Por força de alguns condicionalismos neste acto eleitoral limitei-me ao estatuto de observador. Sem nenhum envolvimento na campanha eleitoral, mais fácil se torna a análise às candidaturas.
Não sinto que os meus direitos de associado fiquem limitados por qualquer motivo. E como tal, entendo expressar publicamente as minhas preocupações quanto ao previsível futuro do Sporting.
Como podem estar os associados do clube sossegados se o senhor for eleito? O que acontecerá quando a anestesia da sua candidatura for exposta à realidade?.
Recordo um momento datado no tempo, em 2000. Cerca de um mês depois do senhor ser nomeado Director “altamente remunerado” (palavras suas na ocasião) do futebol do Clube, esteve presente no Encontro de Núcleos realizado em Alcochete. Nessa sessão, entre várias explicações não me esqueço de uma afirmação contundente da sua parte. “Vou ser altamente remunerado para me dedicar por inteiro aos objectivos do Clube e aceito que depois me julguem pelo cumprimento ou não do serviço”.
É importante recordar o que aconteceu a seguir. Durante os três anos em que se manteve o cargo, o Sporting foi campeão nacional uma vez. Com que equipa? Com uma equipa razoável onde pontificava um excelente finalizador. E quais foram os custos que isso provocou na gestão do clube? Posso afirmar que foram enormes.
E o senhor que é considerado um gestor de cinco estrelas não fez nada de diferente ao que outros fizeram no passado na gestão do clube. Mas, uma coisa é diferente: foi dos que mais aumentou o passivo do clube e como tinha consciência da situação saiu airosamente com menos um mês de exercício no seu ultimo ano de funções. Deixou a época seguinte preparada apenas e somente com a contratação do treinador, quanto ao resto nada mais. Mas, o seu silêncio ao longo destes anos permitiu anestesiar muitos associados que não conhecem na profundeza certas situações. O seu silêncio a juntar às manobras que foram ocorrendo, faz-me recordar a guerrilha taliban!
Caro associado José Eduardo Bettencourt, se for capaz diga-me se é verdade ou mentira que depois de ter saído da gestão do clube e em especial durante a primeira saída do director desportivo do clube (o tal que recebeu um prémio de gestão e depois foi para a concorrência); o senhor participou em almoços ou jantares com o actual vice-presidente Migue Ribeiro Teles, com Paulo Bento e Pedro Barbosa. O objectivo que vos unia era somente desestabilizar a produtividade da equipa profissional.
Os sinais dados agora levam a crer que aqueles factos são verdadeiros. Porque nunca vi em clube algum no mundo um candidato a presidente da direcção colocar como condição para aceitar candidatar-se que o actual treinador se mantenha em funções, mesmo quando já deu provas que as capacidades de sucesso são limitadas. Por outro lado, caso o senhor venha a ser eleito ficamos desde já a saber que num dia em que ocorra a necessidade de substituir o treinador o senhor também terá que sair.
Tal só não acontecerá se o senhor mais uma vez falta à verdade. Porque é bom não esquecer que andou meses a fio a afirmar que não se candidatava e inclusive transmitiu o apoio a um pré-candidato. Acho que é demonstrativo da sua falta de cultura desportiva. E não engane os associados com o modelo importado do Porto. Por várias razões:
1. Não há dois modelos iguais em instituições diferentes;
2. Falta-lhe cultura desportiva e isso aprende-se noutros locais;
3. Tem um vazio de ideias e estratégia, limita-se a ser porta-voz daqueles que o colocaram a desempenhar este papel.
Caro associado tem ou não conhecimento de quem organizou a famosa manifestação de adeptos jovens leoninos que saiu de Telheiras e foi para a porta da sede insurgir-se contra o então Presidente Dias da Cunha e o treinador da equipa. Estou convicto de que sabe dar a resposta pronta.
Por onde andou o senhor durante estes anos todos. Agora quer-nos fazer acreditar num modelo de gestão diferente do que tem ocorrido? Dá a sensação que durante estes anos não teve responsabilidades na gestão do clube. Aliás, interrogo-me como é possível a composição da sua lista.
Não tenho duvidas em qualificá-la de grandes artistas circenses. Já estiveram com projectos diferentes e expressaram opiniões contraditórias mas o que importa é continuar na crista da onda, como dirigente. Muitos exemplos podem ser referenciados, desde a personagem que melhor encara a verborreia de ideias de desportivas, que tem tido um conduta exemplar de coerência em pensamentos que só as ocultas tareias lhe fazem acreditar no seu projecto, foi o milagre da intelectualidade. Muito mal ficarão os associados representados na sua figura cimeira.
O que devemos dizer daquele grande sportinguista que durante anos liderou o Conselho Fiscal, apesar da empresa a quem está associado elaborar as auditorias e de cada vez que muda Presidente descobre-se ocorrências que os auditores nunca descobrem ou encobrem.
Sabe senhor associado José Eduardo Bettencourt porque não acredito em melhores dias para o clube consigo na presidência, além das infelizes coincidências referidas atrás, junto à análise feita, a conclusão de que o senhor demonstra um vazio de ideias estratégicas na esfera do desporto, num momento em que o poder dos clubes vai aumentar consideravelmente nos órgãos federativos, do futebol às restantes modalidades desportivas. Não li um pensamento seu no que respeita à estratégia a adoptar pelo Sporting grande baluarte do ecletismo português.
Sabe que, para além de estar preocupado com o Sporting, estou muito mais preocupado com a qualidade de muitos dirigentes desportivos, em especial do futebol, porque continuam a lidar com uma actividade económica importante de uma forma voluntarista e emocional. O desporto e em especial o futebol em Portugal tem que ser trabalhado com estratégia que salve o produto de consumo, nas suas vertentes todas. Caso não se invertam estas questões perdemos o comboio da competitividade definitivamente. Estou convicto que não sabe do que estou a falar porque é daqueles que olha para os adeptos com sobranceria e menosprezo.
Acrescento ainda a preocupação de o senhor não assumir com clareza quanto é que está disposto a receber de vencimento. Sou daqueles que aceito que hajam cargos remunerados no clube, mas exijo que tudo seja claro e transparente. Não podemos condenar os outros quando não o praticamos em casa.
A terminar quero expressar-lhe que dois sentimentos muito leais e frontais, caso seja eleito Presidente:
1. Desejo que nos próximos anos o clube tenha os maiores êxitos desportivos no futebol e noutras modalidades;
2. Se tal não acontecer serei o primeiro a dizer-lhe que abandone a presidência do clube porque terão sido provadas as minhas preocupações.
Muito mais deveria transmitir nesta mensagem, mas como espero que no decorrer desta semana de campanha eleitoral surjam respostas cabais para apontar caminhos e soluções para o Clube, reservo-me à observação atenta até ao dia 5 de Junho e redobrarei aquela atenção após o acto eleitoral.
Alcochete, 31 de Maio de 2009
Saudações Leoninas
Zeferino Boal
Sporting Clube de Portugal.
Aproxima-se o dia 5 de Junho, no qual os associados do Sporting Clube de Portugal vão ser chamados a votar em listas para os Órgãos Sociais do clube. Por força de alguns condicionalismos neste acto eleitoral limitei-me ao estatuto de observador. Sem nenhum envolvimento na campanha eleitoral, mais fácil se torna a análise às candidaturas.
Não sinto que os meus direitos de associado fiquem limitados por qualquer motivo. E como tal, entendo expressar publicamente as minhas preocupações quanto ao previsível futuro do Sporting.
Como podem estar os associados do clube sossegados se o senhor for eleito? O que acontecerá quando a anestesia da sua candidatura for exposta à realidade?.
Recordo um momento datado no tempo, em 2000. Cerca de um mês depois do senhor ser nomeado Director “altamente remunerado” (palavras suas na ocasião) do futebol do Clube, esteve presente no Encontro de Núcleos realizado em Alcochete. Nessa sessão, entre várias explicações não me esqueço de uma afirmação contundente da sua parte. “Vou ser altamente remunerado para me dedicar por inteiro aos objectivos do Clube e aceito que depois me julguem pelo cumprimento ou não do serviço”.
É importante recordar o que aconteceu a seguir. Durante os três anos em que se manteve o cargo, o Sporting foi campeão nacional uma vez. Com que equipa? Com uma equipa razoável onde pontificava um excelente finalizador. E quais foram os custos que isso provocou na gestão do clube? Posso afirmar que foram enormes.
E o senhor que é considerado um gestor de cinco estrelas não fez nada de diferente ao que outros fizeram no passado na gestão do clube. Mas, uma coisa é diferente: foi dos que mais aumentou o passivo do clube e como tinha consciência da situação saiu airosamente com menos um mês de exercício no seu ultimo ano de funções. Deixou a época seguinte preparada apenas e somente com a contratação do treinador, quanto ao resto nada mais. Mas, o seu silêncio ao longo destes anos permitiu anestesiar muitos associados que não conhecem na profundeza certas situações. O seu silêncio a juntar às manobras que foram ocorrendo, faz-me recordar a guerrilha taliban!
Caro associado José Eduardo Bettencourt, se for capaz diga-me se é verdade ou mentira que depois de ter saído da gestão do clube e em especial durante a primeira saída do director desportivo do clube (o tal que recebeu um prémio de gestão e depois foi para a concorrência); o senhor participou em almoços ou jantares com o actual vice-presidente Migue Ribeiro Teles, com Paulo Bento e Pedro Barbosa. O objectivo que vos unia era somente desestabilizar a produtividade da equipa profissional.
Os sinais dados agora levam a crer que aqueles factos são verdadeiros. Porque nunca vi em clube algum no mundo um candidato a presidente da direcção colocar como condição para aceitar candidatar-se que o actual treinador se mantenha em funções, mesmo quando já deu provas que as capacidades de sucesso são limitadas. Por outro lado, caso o senhor venha a ser eleito ficamos desde já a saber que num dia em que ocorra a necessidade de substituir o treinador o senhor também terá que sair.
Tal só não acontecerá se o senhor mais uma vez falta à verdade. Porque é bom não esquecer que andou meses a fio a afirmar que não se candidatava e inclusive transmitiu o apoio a um pré-candidato. Acho que é demonstrativo da sua falta de cultura desportiva. E não engane os associados com o modelo importado do Porto. Por várias razões:
1. Não há dois modelos iguais em instituições diferentes;
2. Falta-lhe cultura desportiva e isso aprende-se noutros locais;
3. Tem um vazio de ideias e estratégia, limita-se a ser porta-voz daqueles que o colocaram a desempenhar este papel.
Caro associado tem ou não conhecimento de quem organizou a famosa manifestação de adeptos jovens leoninos que saiu de Telheiras e foi para a porta da sede insurgir-se contra o então Presidente Dias da Cunha e o treinador da equipa. Estou convicto de que sabe dar a resposta pronta.
Por onde andou o senhor durante estes anos todos. Agora quer-nos fazer acreditar num modelo de gestão diferente do que tem ocorrido? Dá a sensação que durante estes anos não teve responsabilidades na gestão do clube. Aliás, interrogo-me como é possível a composição da sua lista.
Não tenho duvidas em qualificá-la de grandes artistas circenses. Já estiveram com projectos diferentes e expressaram opiniões contraditórias mas o que importa é continuar na crista da onda, como dirigente. Muitos exemplos podem ser referenciados, desde a personagem que melhor encara a verborreia de ideias de desportivas, que tem tido um conduta exemplar de coerência em pensamentos que só as ocultas tareias lhe fazem acreditar no seu projecto, foi o milagre da intelectualidade. Muito mal ficarão os associados representados na sua figura cimeira.
O que devemos dizer daquele grande sportinguista que durante anos liderou o Conselho Fiscal, apesar da empresa a quem está associado elaborar as auditorias e de cada vez que muda Presidente descobre-se ocorrências que os auditores nunca descobrem ou encobrem.
Sabe senhor associado José Eduardo Bettencourt porque não acredito em melhores dias para o clube consigo na presidência, além das infelizes coincidências referidas atrás, junto à análise feita, a conclusão de que o senhor demonstra um vazio de ideias estratégicas na esfera do desporto, num momento em que o poder dos clubes vai aumentar consideravelmente nos órgãos federativos, do futebol às restantes modalidades desportivas. Não li um pensamento seu no que respeita à estratégia a adoptar pelo Sporting grande baluarte do ecletismo português.
Sabe que, para além de estar preocupado com o Sporting, estou muito mais preocupado com a qualidade de muitos dirigentes desportivos, em especial do futebol, porque continuam a lidar com uma actividade económica importante de uma forma voluntarista e emocional. O desporto e em especial o futebol em Portugal tem que ser trabalhado com estratégia que salve o produto de consumo, nas suas vertentes todas. Caso não se invertam estas questões perdemos o comboio da competitividade definitivamente. Estou convicto que não sabe do que estou a falar porque é daqueles que olha para os adeptos com sobranceria e menosprezo.
Acrescento ainda a preocupação de o senhor não assumir com clareza quanto é que está disposto a receber de vencimento. Sou daqueles que aceito que hajam cargos remunerados no clube, mas exijo que tudo seja claro e transparente. Não podemos condenar os outros quando não o praticamos em casa.
A terminar quero expressar-lhe que dois sentimentos muito leais e frontais, caso seja eleito Presidente:
1. Desejo que nos próximos anos o clube tenha os maiores êxitos desportivos no futebol e noutras modalidades;
2. Se tal não acontecer serei o primeiro a dizer-lhe que abandone a presidência do clube porque terão sido provadas as minhas preocupações.
Muito mais deveria transmitir nesta mensagem, mas como espero que no decorrer desta semana de campanha eleitoral surjam respostas cabais para apontar caminhos e soluções para o Clube, reservo-me à observação atenta até ao dia 5 de Junho e redobrarei aquela atenção após o acto eleitoral.
Alcochete, 31 de Maio de 2009
Saudações Leoninas
Zeferino Boal
CITANDO NATÁLIA FARIA
Regresso de imigrantes está a deixar o país mais pobre e envelhecido
Representam seis por cento do PIB e garantiram 9,7 por cento dos bebés. Os imigrantes estão a deixar Portugal e, se a tendência se agravar, o país fica mais pobre
Portugal está a perder capacidade de atracção para os imigrantes. E, se o país não for capaz de segurar os imigrantes que tem e atrair novos, vai ficar mais velho e mais pobre, alertam vários especialistas ouvidos pelo PÚBLICO, segundo os quais é urgente colocar um travão à tentação xenófoba que ameaça em tempos de crise. Por estes dias, os imigrantes representam seis por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2007, foram responsáveis por 9,7 por cento dos nascimentos. E uma projecção recente do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostra que, sem imigrantes, a população descerá em 2060 aos 8,2 milhões. Muito antes disso, já a sustentabilidade da Segurança Social terá caído por terra.
Apesar de ainda não ter reflexo nas estatísticas oficiais, a saída de estrangeiros - sobretudo ucranianos -, a par da desaceleração das novas entradas, é uma certeza apontada pelos estudiosos do fenómeno migratório. "Só daqui a um ou dois anos é que esta diminuição terá efeitos estatísticos, porque o imigrante, quando se vai embora, não vai ao centro avisar, aliás, muitas vezes o que acontece é que eles retiram-se mas mantêm activo o visto para Portugal deixando aberta a possibilidade de voltar", explica Pedro Góis, investigador do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra.
Ilegais entre "55 a 75 mil"
No caso dos ucranianos, eram 41.530 em 2006. Em 2007, baixaram para os 39.480. Os números de 2008 deverão demonstrar nova diminuição. Mas longe ainda da "fuga" registada na realidade. "A maior parte escolhe a República Checa ou a Polónia - países de Leste mas mais próximos da União Europeia que começam a crescer em termos económicos", diz Góis. Há também os que vão trabalhar em Espanha "e vêm a Portugal só para renovar documentos", como afirma Manuel Solla, da Comissão Nacional para a Legalização de Imigrantes. Segundo Solla, a saída de ucranianos ocorre sobretudo entre os ilegais. "Já são menos de metade".
O mesmo com os brasileiros. Com um total de 66.354 legais, estes perfaziam, em 2007, a maior comunidade de estrangeiros. Agora, e apesar de o salário mínimo português continuar a triplicar o brasileiro, "há indícios de retracção neste fluxo, seja pela desaceleração de entradas seja pelo regresso de muitos ao Brasil", aponta Góis.
Todos concordam que um cenário de retracção dos imigrantes será fatal. "O país só ganha em suster os imigrantes que tem", avisa Eduardo Sousa Ferreira, professor catedrático do Instituto Superior de Economia e Gestão e autor de um estudo sobre a contribuição dos imigrantes para a economia portuguesa. "A imigração contribui para seis por cento do PIB, o que é uma percentagem enorme", acrescenta, convicto de que "a alternativa à entrada de imigrantes é uma muito maior estagnação da economia".
Os 420.189 imigrantes que, no final de 2007, se encontravam em território nacional, segundo o SEF, perfazem cinco por cento da população do país e oito por cento da população activa. Aqui não entram em linha de conta os ilegais. Serão entre "55 mil a 75 mil", nas contas de Solla, para quem, mais do que preocupar-se com quotas, o Governo devia "dar autorizações de residência a quem, tendo entrado de forma irregular, tenha contrato de trabalho válido e contribua para a Segurança Social". Tal nem sempre acontece, segundo Eduardo Sousa Ferreira, "porque há um custo administrativo associado e, por outro lado, os empresários também não estão interessados nisso, porque um ilegal tem um grau de obediência que não teria se estivesse legal". Dito de outro modo, "os empresários portugueses aproveitam para ganhar mais à custa dos imigrantes e o Governo não está interessado em contradizê-los".
Algarve com mais bebés
Pedro Góis nota que Portugal até tem sido muito generoso com os imigrantes. "Desde 1992 que há sucessivas campanhas de regularização", recorda. E o mais urgente, para o investigador, é contrariar a lógica xenófoba que ameaça irromper ao virar da esquina. "Os imigrantes não são parasitas, são contribuintes líquidos para a nossa economia", enfatiza. Sublinhando que "as diferenças salariais entre Portugal e Luxemburgo vão continuar a ser elevadas", Góis lembra que "se o país der sinais de racismo e xenofobia, alguns dos melhores imigrantes, que já cá entram qualificados, vão-se embora". O que é mau. Culturalmente, "a diversidade é aquilo que fará avançar o país". Demograficamente, "os imigrantes são quem nos garantirá a sustentabilidade económica".
Porque "os imigrantes são essenciais à nossa dinâmica geográfica" é que Leston Bandeira, da Associação Portuguesa de Demografia, assiste horrorizado aos políticos com um discurso a puxar para a diabolização dos imigrantes. "O que os políticos tinham a obrigação de fazer era acalmar as pulsões xenófobas e racistas das camadas mais baixas - que são as mais xenófobas porque vêem no imigrante um concorrente".
Em Portugal, como no resto da Europa. "É um absurdo, mais não fosse porque as projecções feitas o ano passado pelo Eurostat mostram que até 2035 os países vão conseguir crescer graças à imigração. A partir de 2035, a imigração já não chegará e, aliás, vai passar a haver uma grande competição entre países para ver quem consegue atrair mais imigrantes", antecipa Leston.
Por estes dias, a importância dos imigrantes lê-se, por exemplo, nas projecções do INE segundo as quais, sem imigrantes, a população residente em Portugal descerá em 2060 aos 8,2 milhões. No final de 2007, éramos 10.617.575 milhões, mais 18,5 mil do que em 2006. E este crescimento baseou-se unicamente na entrada de imigrantes, já que Portugal registou nesse ano - pela primeira vez desde 1918 - um saldo natural negativo (mais mortes do que nascimentos).
Entre 2002 e de 2007, o salto populacional foi de 270 mil pessoas. Para este acréscimo, o saldo migratório contribuiu 91 por cento e o natural apenas nove por cento. Ora, mesmo nos nascimentos os imigrantes são importantes, já que, como salienta a investigadora Maria José Carrilho, numa análise à situação demográfica em Portugal, as estrangeiras foram responsáveis por 9,7 por cento dos bebés nascidos em 2007. Se somarmos os casos em que é o pai a ter nacionalidade estrangeira, a percentagem sobe para os 11,8 por cento. Não por acaso, o Algarve passou a perna ao Minho e é hoje a região portuguesa com maior taxa de natalidade. "O Algarve está com uma fertilidade parecida com a Suécia, de 1,8 filhos por mulher, contra uma média nacional de 1,33 filhos por mulher. E isso deve-
-se às imigrantes que se fixaram na região para trabalhar na restauração e nos serviços", aponta Bandeira. Não é só por causa dos turistas que o Algarve fala estrangeiro.
"A partir de 2035, vai haver uma grande competição entre países para ver quem consegue atrair mais imigrantes"
contribuído para fixar alguns cidadãos em Portugal.
Chineses
Oficialmente, eram 10.448, mas é enorme a margem de irregulares. A sua presença estará a diminuir. O ano passado fecharam, pelo menos, 11 mil casas comerciais. A crise afecta todos os comerciantes, incluindo os chineses. No início do ano, o administrador da Associação da Indústria e do Comércio dos Chineses em Portugal, Y Ping Chow, estimava uma quebra na ordem dos 30 por cento. Liang Zhan, da associação de Comerciantes e Industriais Luso-Chinesa falava em 20 por cento. A.C.P.
Representam seis por cento do PIB e garantiram 9,7 por cento dos bebés. Os imigrantes estão a deixar Portugal e, se a tendência se agravar, o país fica mais pobre
Portugal está a perder capacidade de atracção para os imigrantes. E, se o país não for capaz de segurar os imigrantes que tem e atrair novos, vai ficar mais velho e mais pobre, alertam vários especialistas ouvidos pelo PÚBLICO, segundo os quais é urgente colocar um travão à tentação xenófoba que ameaça em tempos de crise. Por estes dias, os imigrantes representam seis por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2007, foram responsáveis por 9,7 por cento dos nascimentos. E uma projecção recente do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostra que, sem imigrantes, a população descerá em 2060 aos 8,2 milhões. Muito antes disso, já a sustentabilidade da Segurança Social terá caído por terra.
Apesar de ainda não ter reflexo nas estatísticas oficiais, a saída de estrangeiros - sobretudo ucranianos -, a par da desaceleração das novas entradas, é uma certeza apontada pelos estudiosos do fenómeno migratório. "Só daqui a um ou dois anos é que esta diminuição terá efeitos estatísticos, porque o imigrante, quando se vai embora, não vai ao centro avisar, aliás, muitas vezes o que acontece é que eles retiram-se mas mantêm activo o visto para Portugal deixando aberta a possibilidade de voltar", explica Pedro Góis, investigador do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra.
Ilegais entre "55 a 75 mil"
No caso dos ucranianos, eram 41.530 em 2006. Em 2007, baixaram para os 39.480. Os números de 2008 deverão demonstrar nova diminuição. Mas longe ainda da "fuga" registada na realidade. "A maior parte escolhe a República Checa ou a Polónia - países de Leste mas mais próximos da União Europeia que começam a crescer em termos económicos", diz Góis. Há também os que vão trabalhar em Espanha "e vêm a Portugal só para renovar documentos", como afirma Manuel Solla, da Comissão Nacional para a Legalização de Imigrantes. Segundo Solla, a saída de ucranianos ocorre sobretudo entre os ilegais. "Já são menos de metade".
O mesmo com os brasileiros. Com um total de 66.354 legais, estes perfaziam, em 2007, a maior comunidade de estrangeiros. Agora, e apesar de o salário mínimo português continuar a triplicar o brasileiro, "há indícios de retracção neste fluxo, seja pela desaceleração de entradas seja pelo regresso de muitos ao Brasil", aponta Góis.
Todos concordam que um cenário de retracção dos imigrantes será fatal. "O país só ganha em suster os imigrantes que tem", avisa Eduardo Sousa Ferreira, professor catedrático do Instituto Superior de Economia e Gestão e autor de um estudo sobre a contribuição dos imigrantes para a economia portuguesa. "A imigração contribui para seis por cento do PIB, o que é uma percentagem enorme", acrescenta, convicto de que "a alternativa à entrada de imigrantes é uma muito maior estagnação da economia".
Os 420.189 imigrantes que, no final de 2007, se encontravam em território nacional, segundo o SEF, perfazem cinco por cento da população do país e oito por cento da população activa. Aqui não entram em linha de conta os ilegais. Serão entre "55 mil a 75 mil", nas contas de Solla, para quem, mais do que preocupar-se com quotas, o Governo devia "dar autorizações de residência a quem, tendo entrado de forma irregular, tenha contrato de trabalho válido e contribua para a Segurança Social". Tal nem sempre acontece, segundo Eduardo Sousa Ferreira, "porque há um custo administrativo associado e, por outro lado, os empresários também não estão interessados nisso, porque um ilegal tem um grau de obediência que não teria se estivesse legal". Dito de outro modo, "os empresários portugueses aproveitam para ganhar mais à custa dos imigrantes e o Governo não está interessado em contradizê-los".
Algarve com mais bebés
Pedro Góis nota que Portugal até tem sido muito generoso com os imigrantes. "Desde 1992 que há sucessivas campanhas de regularização", recorda. E o mais urgente, para o investigador, é contrariar a lógica xenófoba que ameaça irromper ao virar da esquina. "Os imigrantes não são parasitas, são contribuintes líquidos para a nossa economia", enfatiza. Sublinhando que "as diferenças salariais entre Portugal e Luxemburgo vão continuar a ser elevadas", Góis lembra que "se o país der sinais de racismo e xenofobia, alguns dos melhores imigrantes, que já cá entram qualificados, vão-se embora". O que é mau. Culturalmente, "a diversidade é aquilo que fará avançar o país". Demograficamente, "os imigrantes são quem nos garantirá a sustentabilidade económica".
Porque "os imigrantes são essenciais à nossa dinâmica geográfica" é que Leston Bandeira, da Associação Portuguesa de Demografia, assiste horrorizado aos políticos com um discurso a puxar para a diabolização dos imigrantes. "O que os políticos tinham a obrigação de fazer era acalmar as pulsões xenófobas e racistas das camadas mais baixas - que são as mais xenófobas porque vêem no imigrante um concorrente".
Em Portugal, como no resto da Europa. "É um absurdo, mais não fosse porque as projecções feitas o ano passado pelo Eurostat mostram que até 2035 os países vão conseguir crescer graças à imigração. A partir de 2035, a imigração já não chegará e, aliás, vai passar a haver uma grande competição entre países para ver quem consegue atrair mais imigrantes", antecipa Leston.
Por estes dias, a importância dos imigrantes lê-se, por exemplo, nas projecções do INE segundo as quais, sem imigrantes, a população residente em Portugal descerá em 2060 aos 8,2 milhões. No final de 2007, éramos 10.617.575 milhões, mais 18,5 mil do que em 2006. E este crescimento baseou-se unicamente na entrada de imigrantes, já que Portugal registou nesse ano - pela primeira vez desde 1918 - um saldo natural negativo (mais mortes do que nascimentos).
Entre 2002 e de 2007, o salto populacional foi de 270 mil pessoas. Para este acréscimo, o saldo migratório contribuiu 91 por cento e o natural apenas nove por cento. Ora, mesmo nos nascimentos os imigrantes são importantes, já que, como salienta a investigadora Maria José Carrilho, numa análise à situação demográfica em Portugal, as estrangeiras foram responsáveis por 9,7 por cento dos bebés nascidos em 2007. Se somarmos os casos em que é o pai a ter nacionalidade estrangeira, a percentagem sobe para os 11,8 por cento. Não por acaso, o Algarve passou a perna ao Minho e é hoje a região portuguesa com maior taxa de natalidade. "O Algarve está com uma fertilidade parecida com a Suécia, de 1,8 filhos por mulher, contra uma média nacional de 1,33 filhos por mulher. E isso deve-
-se às imigrantes que se fixaram na região para trabalhar na restauração e nos serviços", aponta Bandeira. Não é só por causa dos turistas que o Algarve fala estrangeiro.
"A partir de 2035, vai haver uma grande competição entre países para ver quem consegue atrair mais imigrantes"
contribuído para fixar alguns cidadãos em Portugal.
Chineses
Oficialmente, eram 10.448, mas é enorme a margem de irregulares. A sua presença estará a diminuir. O ano passado fecharam, pelo menos, 11 mil casas comerciais. A crise afecta todos os comerciantes, incluindo os chineses. No início do ano, o administrador da Associação da Indústria e do Comércio dos Chineses em Portugal, Y Ping Chow, estimava uma quebra na ordem dos 30 por cento. Liang Zhan, da associação de Comerciantes e Industriais Luso-Chinesa falava em 20 por cento. A.C.P.
VERDADE 12
CITANDO MÁRIO CRESPO
"«Os bons e os maus
Já há mais jornalistas a contas com a justiça por causa do Freeport do que houve acusados por causa da queda da ponte de Entre-os-Rios. Isto diz muito sobre a escala de valores de quem nos governa.
Chegar aos 35 anos do 25 de Abril com nove jornalistas processados por notícias ou comentários com que o Chefe do Governo não concorda é um péssimo sinal.
O Primeiro-ministro chegou ao absurdo de tentar processar um operador de câmara mostrando que, mais do que tudo, o objectivo deste frenesim litigante é intimidar todos os que trabalham na comunicação social independentemente das suas funções, para que não toquem na matéria proibida. Mas pode haver indícios ainda piores.
Se os processos contra jornalistas avançarem mais depressa do que as investigações do Freeport, a mensagem será muito clara. O Estado dá o sinal de que a suspeita de haver membros de um governo passíveis de serem corrompidos tem menos importância do que questões de forma referentes a notícias sobre graves indícios de corrupção.
Se isso acontecer é a prova de que o Estado, através do governo, foi capturado por uma filosofia ditatorial com métodos de condicionamento da opinião pública mais eficazes do que a censura no Estado Novo porque actua sob um disfarce de respeito pelas liberdades essenciais.
Não havendo legislação censória, está a tentar estabelecer-se uma clara distinção entre "bons" e "maus" órgãos de informação com advertências de que os "maus" serão punidos com inclemência.
O Primeiro-ministro, nas declarações que transmitiu na TV do Estado, fez isso clara e repetidamente. Pródigo em elogios ad hominem a quem não o critica, crucifica quem transmite notícias que lhe são adversas.
Estabeleceu, por exemplo, a diferença entre "bons jornalistas", os que ignoram o Freeport, e os "maus jornalistas" ou mesmo apenas só "os maus", os que o têm noticiado. Porque esses "maus" não são sequer jornalistas disse, quando num exercício de absurdo negou ter processado jornalistas e estar a litigar apenas contra os obreiros dos produtos informativos "travestidos" que o estavam a difamar. E foi num crescendo ameaçador que, na TV do Estado, o Chefe do Governo admoestou urbi et orbi que, por mais gritantes que sejam as dúvidas que persistem, colocar-lhe questões sobre o Freeport é "insultuoso", rematando com um ameaçador "Não é assim que me vencem".
Portanto, não estamos face a um processo de apuramento de verdade. Estamos face a um combate entre noticiadores e noticiado, com o noticiado arvorando as armas e o poder que julga ter, a vaticinar uma derrota humilhante e sofrida aos noticiadores.
Há um elemento que equivale a uma admissão de culpa do Primeiro-Ministro nas tentativas manipulatórias e de condicionamento brutal da opinião pública: a saída extemporânea de Fernanda Câncio de um painel fixo de debate na TVI sobre a actualidade nacional onde o Freeport tem sido discutido com saudável desassombro, apregoa a intolerância ao contraditório.
Assim, com uma intensa e pouco frequente combinação de arrogância, inabilidade e impreparação, com uma chuva de processos, o Primeiro Ministro do décimo sétimo governo constitucional fica indelevelmente colado à imagem da censura em Portugal, 35 anos depois de ela ter sido abolida no 25 de Abril.
"«Os bons e os maus
Já há mais jornalistas a contas com a justiça por causa do Freeport do que houve acusados por causa da queda da ponte de Entre-os-Rios. Isto diz muito sobre a escala de valores de quem nos governa.
Chegar aos 35 anos do 25 de Abril com nove jornalistas processados por notícias ou comentários com que o Chefe do Governo não concorda é um péssimo sinal.
O Primeiro-ministro chegou ao absurdo de tentar processar um operador de câmara mostrando que, mais do que tudo, o objectivo deste frenesim litigante é intimidar todos os que trabalham na comunicação social independentemente das suas funções, para que não toquem na matéria proibida. Mas pode haver indícios ainda piores.
Se os processos contra jornalistas avançarem mais depressa do que as investigações do Freeport, a mensagem será muito clara. O Estado dá o sinal de que a suspeita de haver membros de um governo passíveis de serem corrompidos tem menos importância do que questões de forma referentes a notícias sobre graves indícios de corrupção.
Se isso acontecer é a prova de que o Estado, através do governo, foi capturado por uma filosofia ditatorial com métodos de condicionamento da opinião pública mais eficazes do que a censura no Estado Novo porque actua sob um disfarce de respeito pelas liberdades essenciais.
Não havendo legislação censória, está a tentar estabelecer-se uma clara distinção entre "bons" e "maus" órgãos de informação com advertências de que os "maus" serão punidos com inclemência.
O Primeiro-ministro, nas declarações que transmitiu na TV do Estado, fez isso clara e repetidamente. Pródigo em elogios ad hominem a quem não o critica, crucifica quem transmite notícias que lhe são adversas.
Estabeleceu, por exemplo, a diferença entre "bons jornalistas", os que ignoram o Freeport, e os "maus jornalistas" ou mesmo apenas só "os maus", os que o têm noticiado. Porque esses "maus" não são sequer jornalistas disse, quando num exercício de absurdo negou ter processado jornalistas e estar a litigar apenas contra os obreiros dos produtos informativos "travestidos" que o estavam a difamar. E foi num crescendo ameaçador que, na TV do Estado, o Chefe do Governo admoestou urbi et orbi que, por mais gritantes que sejam as dúvidas que persistem, colocar-lhe questões sobre o Freeport é "insultuoso", rematando com um ameaçador "Não é assim que me vencem".
Portanto, não estamos face a um processo de apuramento de verdade. Estamos face a um combate entre noticiadores e noticiado, com o noticiado arvorando as armas e o poder que julga ter, a vaticinar uma derrota humilhante e sofrida aos noticiadores.
Há um elemento que equivale a uma admissão de culpa do Primeiro-Ministro nas tentativas manipulatórias e de condicionamento brutal da opinião pública: a saída extemporânea de Fernanda Câncio de um painel fixo de debate na TVI sobre a actualidade nacional onde o Freeport tem sido discutido com saudável desassombro, apregoa a intolerância ao contraditório.
Assim, com uma intensa e pouco frequente combinação de arrogância, inabilidade e impreparação, com uma chuva de processos, o Primeiro Ministro do décimo sétimo governo constitucional fica indelevelmente colado à imagem da censura em Portugal, 35 anos depois de ela ter sido abolida no 25 de Abril.
CITANDO BRANDÃO FERREIRA
PILOTOS MILITARES VS PILOTOS CIVIS OU COMO A FORÇA AÉREA NÃO CONSEGUE RETER OS SEUS AVIADORES
Ser piloto civil é exercer uma actividade tecnicamente complexa, fisiologicamente exigente, economicamente relevante e socialmente útil. É uma profissão relativamente bem remunerada e em termos sociais muito bem aceite. Isto é, as pessoas em geral, têm em alta conta a profissão de piloto comercial, mesmo sem saberem muito bem os quês e os como de semelhante actividade e certamente sem saberem que, infelizmente, aos profissionais do ar nem sequer lhes ser exigida uma licenciatura, embora muitos a possuam.
O comum do cidadão deve pensar que um seu semelhante que consegue meter-se dentro de uma máquina com asas cheio de “relógios” (agora écrans), manetes e botões e consegue levá-lo de um ponto para outro em qualquer parte do mundo deve ser uma espécie de super homem. Não é, mas não vem mal nenhum ao mundo que pensem assim, primeiro porque é bom para o nosso “ego” e depois porque só isso deve justificar que tanta gente entregue a sua vida e segurança nas mãos de semelhantes abencerragens.
Ser piloto militar é igualmente uma actividade complexa. Direi que mais complexa, pois é necessário aprender a operar as aeronaves em termos tácticos e tirar partido delas como armas. O tipo de missões é muito mais variado e é necessário aprender a operar com forças aéreas estrangeiras e em apoio das forças de superfície (Exército e Marinha). Além disso o risco é maior, pois o envelope em que se opera é mais arriscado e exigente e porque se tem que treinar do mesmo modo que se opera em situação de guerra.
Por todas estas razões as exigências fisiológicas são mais duras.
Ser piloto militar não é porém uma actividade economicamente importante, a não ser indirectamente, através das mais valias que se podem obter através da indústria aeronáutica/armamentos, para quem as possua. Mas fazem isto: criam segurança, sem a qual nenhuma actividade económica se pode desenvolver; são elemento importante de recolha de informações necessárias a número alargado de organismos do Estado; promovem a vigilância do Ar, da Terra e do Mar, a investigação de recursos e providenciam as necessidades de busca e salvamento e outras missões de apoio cívico.
E se mais não fazem é porque não lhes dão os meios e as ordens.
A sua função é pois, também, socialmente útil e ultrapassa em muito o simples transporte de passageiros e carga [1][1] praticado no meio civil. Mas apesar de assim ser a população em geral e os políticos em particular, continuam inacreditavelmente ignorantes do que fazem exactamente os pilotos militares, em todo o caso, a Força Aérea. E isto quando são um elemento fundamental de soberania e instrumento essencial da Política externa do Estado Português.
Em cima disto temos que dizer que um piloto militar é muito pior remunerado do que um piloto civil e está sujeito à condição militar que, na prática, se traduz em mais deveres e menos direitos.
Um piloto civil pode mudar de companhia e até de país, quando as suas qualificações e oportunidades o permitem. A sua actividade é regulada pelo mercado e por vezes pelo capitalismo selvagem. Quem se sindicaliza pode usufruir da respectiva protecção. É um ser individual que conhece mal todos os restantes trabalhadores. Trabalha em equipa dentro (e apenas), da sua tripulação. Existe pouco sentido gregário, e espírito de empresa. Esta é apenas local onde se ganha dinheiro. Onde se está.
A Força Aérea (FA) é em grande parte a antítese de tudo isto. Na FA serve-se. É-se. (até ver!) O piloto militar só pode servir na (sua) FA e é contemplado amiúde com deslocações frequentes que têm em conta as suas aptidões e desejos mas, sobretudo, as necessidades da organização.
O piloto militar vive em grupo e trabalha sempre em comum com muitos outros que se complementam. O espírito de corpo e a camaradagem são fundamentais. O piloto civil realiza o seu turno e vai para casa, o piloto militar tem mais mil coisas para tratar.
O piloto civil realiza tarefas; o piloto militar cumpre missões.
Ambos pertencem aos dois únicos grupos profissionais em Portugal (pilotos e militares), que verdadeiramente são avaliados anualmente.
Se a sociedade civil se aproveita de tudo isto a seu favor, enfim faz o que costuma no sentido de aproveitar as oportunidades do mercado e da legislação. Que o Estado trate tão diferentemente os seus servidores civis (caso da TAP por exemplo) e militares é que já não parece tão linear e apropriado. A criação recente da Empresa de Meios Aéreos veio até, agravar as injustiças.
Enfim muito mais haveria a referir. Em corolário do que temos vindo a dizer, cada vez há mais candidatos a piloto civil e a maioria deles nunca pensou em ser militar nem pode concorrer a não ser até uma idade muito baixa [2][2] ao passo que a FA, apesar de não ter dificuldades de recrutamento (as necessidades são também pequenas), não consegue reter os seus oficiais que aliás, podem empregar-se no mercado civil até aos 65 anos!
A situação é cíclica, nunca foi verdadeiramente estudada, nunca houve interesse político em resolvê-la (apesar de algumas piedosas declarações quanto pouco sentidas), e tem custos enormes para a Nação, e não estamos apenas, nem sobretudo, a falar de dinheiro.
Até o recente recurso a contratados tem dado maior resultado, devido em grande parte à incompetência legislativa. [3][3]
Incompreensivelmente as sucessivas chefias da Força Aérea, nunca conseguiram estabelecer critérios justos e equilibrados ao longos das últimas três décadas (!), mudando frequentemente de ideias, o que tem provocado efeitos devastadores nas fileiras.
Por outro lado nunca tiveram o saber e habilidade para convencerem os outros Ramos e o Poder político para a necessidade de se encontrar uma solução global para o problema e que não passa apenas por pagar melhor, mas sobretudo por um conjunto de actuações em várias áreas, onde a dignificação da condição militar não será a mais dispicienda.
Mas, perguntarão os leitores, se em Portugal não se consegue resolver um único problema que exista (e são tantos!), porque é que se havia de resolver este?
João José Brandão Ferreira
TCor /Pilav Ref
Comd. Linha Aérea
[1][1] Também alguns outros de menor expressão como fotografia aérea, monda agrícola ou combate a incêndios.
[2][2] Para a Academia Militar da FA somente até aos 21 anos.
[3][3] O que é que lhe haviámos de chamar?
Ser piloto civil é exercer uma actividade tecnicamente complexa, fisiologicamente exigente, economicamente relevante e socialmente útil. É uma profissão relativamente bem remunerada e em termos sociais muito bem aceite. Isto é, as pessoas em geral, têm em alta conta a profissão de piloto comercial, mesmo sem saberem muito bem os quês e os como de semelhante actividade e certamente sem saberem que, infelizmente, aos profissionais do ar nem sequer lhes ser exigida uma licenciatura, embora muitos a possuam.
O comum do cidadão deve pensar que um seu semelhante que consegue meter-se dentro de uma máquina com asas cheio de “relógios” (agora écrans), manetes e botões e consegue levá-lo de um ponto para outro em qualquer parte do mundo deve ser uma espécie de super homem. Não é, mas não vem mal nenhum ao mundo que pensem assim, primeiro porque é bom para o nosso “ego” e depois porque só isso deve justificar que tanta gente entregue a sua vida e segurança nas mãos de semelhantes abencerragens.
Ser piloto militar é igualmente uma actividade complexa. Direi que mais complexa, pois é necessário aprender a operar as aeronaves em termos tácticos e tirar partido delas como armas. O tipo de missões é muito mais variado e é necessário aprender a operar com forças aéreas estrangeiras e em apoio das forças de superfície (Exército e Marinha). Além disso o risco é maior, pois o envelope em que se opera é mais arriscado e exigente e porque se tem que treinar do mesmo modo que se opera em situação de guerra.
Por todas estas razões as exigências fisiológicas são mais duras.
Ser piloto militar não é porém uma actividade economicamente importante, a não ser indirectamente, através das mais valias que se podem obter através da indústria aeronáutica/armamentos, para quem as possua. Mas fazem isto: criam segurança, sem a qual nenhuma actividade económica se pode desenvolver; são elemento importante de recolha de informações necessárias a número alargado de organismos do Estado; promovem a vigilância do Ar, da Terra e do Mar, a investigação de recursos e providenciam as necessidades de busca e salvamento e outras missões de apoio cívico.
E se mais não fazem é porque não lhes dão os meios e as ordens.
A sua função é pois, também, socialmente útil e ultrapassa em muito o simples transporte de passageiros e carga [1][1] praticado no meio civil. Mas apesar de assim ser a população em geral e os políticos em particular, continuam inacreditavelmente ignorantes do que fazem exactamente os pilotos militares, em todo o caso, a Força Aérea. E isto quando são um elemento fundamental de soberania e instrumento essencial da Política externa do Estado Português.
Em cima disto temos que dizer que um piloto militar é muito pior remunerado do que um piloto civil e está sujeito à condição militar que, na prática, se traduz em mais deveres e menos direitos.
Um piloto civil pode mudar de companhia e até de país, quando as suas qualificações e oportunidades o permitem. A sua actividade é regulada pelo mercado e por vezes pelo capitalismo selvagem. Quem se sindicaliza pode usufruir da respectiva protecção. É um ser individual que conhece mal todos os restantes trabalhadores. Trabalha em equipa dentro (e apenas), da sua tripulação. Existe pouco sentido gregário, e espírito de empresa. Esta é apenas local onde se ganha dinheiro. Onde se está.
A Força Aérea (FA) é em grande parte a antítese de tudo isto. Na FA serve-se. É-se. (até ver!) O piloto militar só pode servir na (sua) FA e é contemplado amiúde com deslocações frequentes que têm em conta as suas aptidões e desejos mas, sobretudo, as necessidades da organização.
O piloto militar vive em grupo e trabalha sempre em comum com muitos outros que se complementam. O espírito de corpo e a camaradagem são fundamentais. O piloto civil realiza o seu turno e vai para casa, o piloto militar tem mais mil coisas para tratar.
O piloto civil realiza tarefas; o piloto militar cumpre missões.
Ambos pertencem aos dois únicos grupos profissionais em Portugal (pilotos e militares), que verdadeiramente são avaliados anualmente.
Se a sociedade civil se aproveita de tudo isto a seu favor, enfim faz o que costuma no sentido de aproveitar as oportunidades do mercado e da legislação. Que o Estado trate tão diferentemente os seus servidores civis (caso da TAP por exemplo) e militares é que já não parece tão linear e apropriado. A criação recente da Empresa de Meios Aéreos veio até, agravar as injustiças.
Enfim muito mais haveria a referir. Em corolário do que temos vindo a dizer, cada vez há mais candidatos a piloto civil e a maioria deles nunca pensou em ser militar nem pode concorrer a não ser até uma idade muito baixa [2][2] ao passo que a FA, apesar de não ter dificuldades de recrutamento (as necessidades são também pequenas), não consegue reter os seus oficiais que aliás, podem empregar-se no mercado civil até aos 65 anos!
A situação é cíclica, nunca foi verdadeiramente estudada, nunca houve interesse político em resolvê-la (apesar de algumas piedosas declarações quanto pouco sentidas), e tem custos enormes para a Nação, e não estamos apenas, nem sobretudo, a falar de dinheiro.
Até o recente recurso a contratados tem dado maior resultado, devido em grande parte à incompetência legislativa. [3][3]
Incompreensivelmente as sucessivas chefias da Força Aérea, nunca conseguiram estabelecer critérios justos e equilibrados ao longos das últimas três décadas (!), mudando frequentemente de ideias, o que tem provocado efeitos devastadores nas fileiras.
Por outro lado nunca tiveram o saber e habilidade para convencerem os outros Ramos e o Poder político para a necessidade de se encontrar uma solução global para o problema e que não passa apenas por pagar melhor, mas sobretudo por um conjunto de actuações em várias áreas, onde a dignificação da condição militar não será a mais dispicienda.
Mas, perguntarão os leitores, se em Portugal não se consegue resolver um único problema que exista (e são tantos!), porque é que se havia de resolver este?
João José Brandão Ferreira
TCor /Pilav Ref
Comd. Linha Aérea
[1][1] Também alguns outros de menor expressão como fotografia aérea, monda agrícola ou combate a incêndios.
[2][2] Para a Academia Militar da FA somente até aos 21 anos.
[3][3] O que é que lhe haviámos de chamar?
sábado, 30 de maio de 2009
CITANDO HELENA MATOS
Nunca se deve dar poder a um tipo porreiro
O porreirismo de Sócrates, pela natureza do cargo que ocupa, criou um problema moral ao país
No início, ninguém dá nada por eles. Mas, pouco a pouco, vão conseguindo afirmar o seu espaço. Não se lhes conhece nada de significativo, mas começa a dizer-se deles que são porreiros. Geralmente estes tipos porreiros interessam-se por assuntos também eles porreiros e que dão notícias porreiras. Note-se que, na política, os tipos porreiros muito frequentemente não têm qualquer opinião sobre as matérias em causa mas porreiramente percebem o que está a dar e por aí vão com vista à consolidação da sua imagem como os mais porreiros entre os porreiros. Ser considerado porreiro é uma espécie de plebiscito de popularidade. Por isso não há coisa mais perigosa que um tipo porreiro com poder. E Portugal tem o azar de ter neste momento como primeiro-ministro um tipo porreiro. Ou seja, alguém que não vê diferença institucional entre si mesmo e o cargo que ocupa. Alguém que não percebe que a defesa da sua honra não pode ser feita à custa do desprestígio das instituições do Estado e do próprio partido que lidera. O PS é neste momento um partido cujas melhores cabeças tentam explicar ao povo português por palavras politicamente correctas e polidas o que Avelino Ferreira Torres assume com boçalidade: quem não é condenado está inocente e quem acusa conspira. Nesta forma de estar não há diferença entre responsabilidade política e responsabilidade criminal. Logo, se os processos forem arquivados, o assunto é dado por encerrado. Isto é o porreirismo em todo o seu esplendor.
Acontece, porém, que o porreirismo de Sócrates, pela natureza do cargo que ocupa, criou um problema moral ao país. Fomos porreiros e fizemos de conta que a sua licenciatura era tipo porreira, exames por fax, notas ao domingo. Enfim tudo "profes" porreiros. A seguir, fomos ainda mais porreiros e rimos por existir gente com tão mau gosto para querer umas casas daquelas como se o que estivesse em causa fosse o padrão dos azulejos e não o funcionamento daquele esquema de licenciamento. E depois fomos porreiríssimos quando pensámos que só um gajo nada porreiro é que estranha as movimentações profissionais de todos aqueles gajos porreiros que trataram do licenciamento do aterro sanitário da Cova da Beira e do Freeport. E como ficámos com cara de genuínos porreiros quando percebemos que o procurador Lopes da Mota representava Portugal no Eurojust, uma agência europeia de cooperação judicial? É preciso um procurador ter uma sorte porreira para acabar em tal instância após ter sido investigado pela PGR por ter fornecido informações a Fátima Felgueiras.
Pouco a pouco, o porreirismo tornou-se a nossa ideologia. Só quem não é porreiro é que não vê que os tempos agora são assim: o primeiro-ministro faz pantomina a vender computadores numa cimeira ibero-americana? Porreiro. Teve graça não teve? Vendeu ou não vendeu? Mais graça do que isso e mais porreiro ainda foi o processo de escolha da empresa que faz o computador Magalhães. É tão porreiro que ninguém o percebeu mas a vantagem do porreirismo é que é um estado de espírito: és cá dos nossos, logo, és porreiro.
E foi assim que, de porreirismo em porreirismo, caímos neste atoleiro cheio de gajos porreiros. O primeiro-ministro faz comunicações ao país para dizer que é vítima de uma campanha negra não se percebe se organizada pelo ministério público, pela polícia inglesa e pela comunicação social cujos directores e patrões não são porreiros. Os investigadores do ministério público dizem-se pressionados. O procurador-geral da República, as procuradoras Cândida Almeida e Maria José Morgado falam com displicência como se só por falta de discernimento alguém pudesse pensar que a investigação não está no melhor dos mundos...
Toda esta gente é paga com o nosso dinheiro. Não lhes pedimos que façam muito. Nem sequer lhes pedimos que façam bem. Mas acho que temos o direito de lhes exigir que se portem com o mínimo de dignidade. Um titular de cargos políticos ou públicos pode ter cometido actos menos transparentes. Pode ser incompetente. Pode até ser ignorante e parcial. De tudo isto já tivemos. Aquilo para que não estávamos preparados era para esta espécie de falta de escala. Como se esta gente não conseguisse perceber que o país é muito mais importante que o seu egozinho. Infelizmente para nós, os gajos porreiros nunca despegam.
O porreirismo de Sócrates, pela natureza do cargo que ocupa, criou um problema moral ao país
No início, ninguém dá nada por eles. Mas, pouco a pouco, vão conseguindo afirmar o seu espaço. Não se lhes conhece nada de significativo, mas começa a dizer-se deles que são porreiros. Geralmente estes tipos porreiros interessam-se por assuntos também eles porreiros e que dão notícias porreiras. Note-se que, na política, os tipos porreiros muito frequentemente não têm qualquer opinião sobre as matérias em causa mas porreiramente percebem o que está a dar e por aí vão com vista à consolidação da sua imagem como os mais porreiros entre os porreiros. Ser considerado porreiro é uma espécie de plebiscito de popularidade. Por isso não há coisa mais perigosa que um tipo porreiro com poder. E Portugal tem o azar de ter neste momento como primeiro-ministro um tipo porreiro. Ou seja, alguém que não vê diferença institucional entre si mesmo e o cargo que ocupa. Alguém que não percebe que a defesa da sua honra não pode ser feita à custa do desprestígio das instituições do Estado e do próprio partido que lidera. O PS é neste momento um partido cujas melhores cabeças tentam explicar ao povo português por palavras politicamente correctas e polidas o que Avelino Ferreira Torres assume com boçalidade: quem não é condenado está inocente e quem acusa conspira. Nesta forma de estar não há diferença entre responsabilidade política e responsabilidade criminal. Logo, se os processos forem arquivados, o assunto é dado por encerrado. Isto é o porreirismo em todo o seu esplendor.
Acontece, porém, que o porreirismo de Sócrates, pela natureza do cargo que ocupa, criou um problema moral ao país. Fomos porreiros e fizemos de conta que a sua licenciatura era tipo porreira, exames por fax, notas ao domingo. Enfim tudo "profes" porreiros. A seguir, fomos ainda mais porreiros e rimos por existir gente com tão mau gosto para querer umas casas daquelas como se o que estivesse em causa fosse o padrão dos azulejos e não o funcionamento daquele esquema de licenciamento. E depois fomos porreiríssimos quando pensámos que só um gajo nada porreiro é que estranha as movimentações profissionais de todos aqueles gajos porreiros que trataram do licenciamento do aterro sanitário da Cova da Beira e do Freeport. E como ficámos com cara de genuínos porreiros quando percebemos que o procurador Lopes da Mota representava Portugal no Eurojust, uma agência europeia de cooperação judicial? É preciso um procurador ter uma sorte porreira para acabar em tal instância após ter sido investigado pela PGR por ter fornecido informações a Fátima Felgueiras.
Pouco a pouco, o porreirismo tornou-se a nossa ideologia. Só quem não é porreiro é que não vê que os tempos agora são assim: o primeiro-ministro faz pantomina a vender computadores numa cimeira ibero-americana? Porreiro. Teve graça não teve? Vendeu ou não vendeu? Mais graça do que isso e mais porreiro ainda foi o processo de escolha da empresa que faz o computador Magalhães. É tão porreiro que ninguém o percebeu mas a vantagem do porreirismo é que é um estado de espírito: és cá dos nossos, logo, és porreiro.
E foi assim que, de porreirismo em porreirismo, caímos neste atoleiro cheio de gajos porreiros. O primeiro-ministro faz comunicações ao país para dizer que é vítima de uma campanha negra não se percebe se organizada pelo ministério público, pela polícia inglesa e pela comunicação social cujos directores e patrões não são porreiros. Os investigadores do ministério público dizem-se pressionados. O procurador-geral da República, as procuradoras Cândida Almeida e Maria José Morgado falam com displicência como se só por falta de discernimento alguém pudesse pensar que a investigação não está no melhor dos mundos...
Toda esta gente é paga com o nosso dinheiro. Não lhes pedimos que façam muito. Nem sequer lhes pedimos que façam bem. Mas acho que temos o direito de lhes exigir que se portem com o mínimo de dignidade. Um titular de cargos políticos ou públicos pode ter cometido actos menos transparentes. Pode ser incompetente. Pode até ser ignorante e parcial. De tudo isto já tivemos. Aquilo para que não estávamos preparados era para esta espécie de falta de escala. Como se esta gente não conseguisse perceber que o país é muito mais importante que o seu egozinho. Infelizmente para nós, os gajos porreiros nunca despegam.
A VERGONHA DE UM BASTONÁRIO
Felizmente, não pertenço ao grupo de associados da Ordem de Advogados. Mas, não fico alheio aos actos tresloucados e à "diarreia" de discurso do actual bastonário.
Faz afirmações gratuitas sem as confirmar e insulta outros profissionais do mesmo oficio. É bom não esquecer que ele é jornalista, também.
Que triste exemplo este: http://www.youtube.com/watch?v=zAmc1eIrW-8
Faz afirmações gratuitas sem as confirmar e insulta outros profissionais do mesmo oficio. É bom não esquecer que ele é jornalista, também.
Que triste exemplo este: http://www.youtube.com/watch?v=zAmc1eIrW-8
terça-feira, 26 de maio de 2009
NOVAS TECNOLOGIAS NO DESPORTO 6
2.3. – O futebol e o futuro
Da análise sintética no paragrafo anterior e vivendo nós num país em que o futebol é a modalidade predominante, impera a visão parcial e emotiva na análise de todo o jogo, assente muito na clubite da competição. Como tal o uso das novas tecnologias nem sempre é vista pelo prisma mais imparcial possível, sem descurar os aspectos corporativos e muito enraizados na sociedade portuguesa.
Estando em dinâmica um movimento peticionário que visa o uso das novas tecnologias no futebol, em especial, mas ao desporto em geral; é muito provável que assistamos a um prazo não muito longe ocorrerem alterações substanciais e eficazes.
Mas tal só será possível e em Portugal, mesmo que seja com carácter provisório se houver uma maior pressão junto daqueles que possuem o poder de decidir. Estamos convictos que muitas das discussões sem sentido sobre as decisões tomadas a bem ou mal pelas equipas não desaparecerão com as novas tecnologias, porque essas decisões fazem parte da essência do futebol, mas talvez se recupere alguma da credibilidade do jogo.
No entanto, tal como vimos anteriormente não devemos ultrapassar o limite do razoável no uso de novas tecnologias para que não caia no absurdo do exagero de que os resultados ficam previamente programados.
Estamos convictos os árbitros serão os primeiros beneficiários do recurso às novas tecnologias. Mas, o grau de exigência de responsabilidade também vai recair muito nos ombros dos técnicos e dirigentes, porque por exemplo, mais facilmente saberão estudar o tipo de jogo que as suas equipas possuem, quais as características e rendimento dos seus atletas e de que tipo de aquisições devem fazer.
Seria sem duvida importante que o recurso as novas tecnologias não se cingisse à questão do chip na bola. Os clubes deveriam apostar muito fortemente no produto que é espectáculo de futebol, desde o envolvimento táctico, às questões técnicas dos atletas e à qualidade do serviço prestado aos associados, sem descurar todos os parceiros do negócio.
Conclusões
No decorrer do desenvolvimento fomos retirando algumas considerações que permitam de neste momento extrair algumas conclusões sintéticas:
1. As instituições desportivas em Portugal têm um caminho a percorrer no uso das novas tecnologias, ainda há uma enorme carência de aplicação, as quais permitirão no futuro economizar alguns recursos.
2. Há uma divergência entre as boas intenções e vontades de alguns agentes desportivos e a aplicação prática das novas tecnologias no desporto.
3. Os técnicos enquanto profissionais do espectáculo devem ser os primeiros a contribuir para a evolução e eficácia da gestão desportiva, nem sempre isso acontece porque reagem muito em função do lado emotivo da decisão.
4. Com os conhecimentos que hoje se colocam ao mundo global, os desportos são vistos como um negócio de espectáculo, como tal as diferentes modalidades devem continuar a sua evolução sem ficar reféns da aprendizagem que acontecerá no futebol, como modalidade principal.
5. Ao futebol está reservado um papel importante no futuro, que é a da credibilidade e isso só acontecerá forem introduzidos mecanismos que atenuem o grau de desconfiança, mesmo que se corra o risco de perder alguma imprevisibilidade.
6. A evolução tecnológica tem que salvaguardar os valores fundamentais do espírito desportivo: competição, ética e equidade.
Florbela Calado Silva
Zeferino Boal
Da análise sintética no paragrafo anterior e vivendo nós num país em que o futebol é a modalidade predominante, impera a visão parcial e emotiva na análise de todo o jogo, assente muito na clubite da competição. Como tal o uso das novas tecnologias nem sempre é vista pelo prisma mais imparcial possível, sem descurar os aspectos corporativos e muito enraizados na sociedade portuguesa.
Estando em dinâmica um movimento peticionário que visa o uso das novas tecnologias no futebol, em especial, mas ao desporto em geral; é muito provável que assistamos a um prazo não muito longe ocorrerem alterações substanciais e eficazes.
Mas tal só será possível e em Portugal, mesmo que seja com carácter provisório se houver uma maior pressão junto daqueles que possuem o poder de decidir. Estamos convictos que muitas das discussões sem sentido sobre as decisões tomadas a bem ou mal pelas equipas não desaparecerão com as novas tecnologias, porque essas decisões fazem parte da essência do futebol, mas talvez se recupere alguma da credibilidade do jogo.
No entanto, tal como vimos anteriormente não devemos ultrapassar o limite do razoável no uso de novas tecnologias para que não caia no absurdo do exagero de que os resultados ficam previamente programados.
Estamos convictos os árbitros serão os primeiros beneficiários do recurso às novas tecnologias. Mas, o grau de exigência de responsabilidade também vai recair muito nos ombros dos técnicos e dirigentes, porque por exemplo, mais facilmente saberão estudar o tipo de jogo que as suas equipas possuem, quais as características e rendimento dos seus atletas e de que tipo de aquisições devem fazer.
Seria sem duvida importante que o recurso as novas tecnologias não se cingisse à questão do chip na bola. Os clubes deveriam apostar muito fortemente no produto que é espectáculo de futebol, desde o envolvimento táctico, às questões técnicas dos atletas e à qualidade do serviço prestado aos associados, sem descurar todos os parceiros do negócio.
Conclusões
No decorrer do desenvolvimento fomos retirando algumas considerações que permitam de neste momento extrair algumas conclusões sintéticas:
1. As instituições desportivas em Portugal têm um caminho a percorrer no uso das novas tecnologias, ainda há uma enorme carência de aplicação, as quais permitirão no futuro economizar alguns recursos.
2. Há uma divergência entre as boas intenções e vontades de alguns agentes desportivos e a aplicação prática das novas tecnologias no desporto.
3. Os técnicos enquanto profissionais do espectáculo devem ser os primeiros a contribuir para a evolução e eficácia da gestão desportiva, nem sempre isso acontece porque reagem muito em função do lado emotivo da decisão.
4. Com os conhecimentos que hoje se colocam ao mundo global, os desportos são vistos como um negócio de espectáculo, como tal as diferentes modalidades devem continuar a sua evolução sem ficar reféns da aprendizagem que acontecerá no futebol, como modalidade principal.
5. Ao futebol está reservado um papel importante no futuro, que é a da credibilidade e isso só acontecerá forem introduzidos mecanismos que atenuem o grau de desconfiança, mesmo que se corra o risco de perder alguma imprevisibilidade.
6. A evolução tecnológica tem que salvaguardar os valores fundamentais do espírito desportivo: competição, ética e equidade.
Florbela Calado Silva
Zeferino Boal
NOVAS TECNOLOGIAS NO DESPORTO 5
No âmbito deste capítulo, é nossa intenção alertar para duas áreas de enorme importância onde a evolução tecnológica tem tido uma importância acrescida a longo dos tempos. Uma das áreas respeita à nutrição dos atletas de alto rendimento e outra na investigação que originam a mutação do corpo humano. Não nos vamos pronunciar sobre factores relacionados com o doping, porque consideramos que este tema exige uma abordagem específica atendendo às diferentes complexidades.
No entanto importa relevar que a evolução tecnológica e cientifica no campo nutricional e vitamínico tem sido enorme. Não há praticante de alto rendimento que não tenha um acompanhamento desta natureza, seja para melhor a performance ou para procurar condições de treino.
No âmbito de treino há que referenciar o uso acentuado de software e análise estatísticas que os técnicos recorrem para melhor conhecer os seus atletas, bem como as fragilidades dos adversários. Esta prática tem evoluído para o seu uso em plena competição.
Várias questões se colocam no âmbito dos temas aqui abordados. Uma delas é se haverá limites humanos que condicionem a evolução tecnológica no desporto, outra reflexão é até que limite é possível evoluir sem colocar em causa o grau de imprevisibilidade do desporto, estaremos a caminhar para um determinado momento onde os resultados ficam programados antes da competição?
2.2. – Análise aos inquéritos
No âmbito do trabalho que nos propusemos executar, decidimos endereçar o convite a um elevado número elevado de pessoas, alguns responderam ao inquérito. Este inquérito foi elaborado de uma forma simples e muito objectiva. Infelizmente as respostas ficaram aquém das expectativa criadas inicialmente. Fizemos um esforço para abranger todas componentes dos agentes desportivos, desde os atletas até aos dirigentes, passando por atletas, jornalistas entre muitos outros, que exercem uma qualquer função no desporto.
Atendendo ao diminuto numero de respostas a nossa análise peca por defeito de consistência numa base mais alargada. No entanto, assumimos o risco de extrair alguma conclusões:
Há a opinião generalizada de o desporto e o espectáculo no geral tem bastante a lucrar com o recurso às novas tecnologias.
No futebol há a opinião divergente, de acordo com o grau de interacção no jogo. O praticante e o espectador que aspira pela vitória pugna mais facilmente pelo recurso às novas tecnologias.
Há quem intervenha no futebol que não acredita no êxito da introdução das novas tecnologias, pelo facto de estas puderem retirar a imprevisibilidade das decisões do jogo.
Aparentemente, há dois denominadores comuns: um a introdução do chip para melhorar os juízos sobre se a bola entrou ou não na baliza e o outro é a necessidade de reformar alguma mentalidades ao nível do dirigismo.
No entanto importa relevar que a evolução tecnológica e cientifica no campo nutricional e vitamínico tem sido enorme. Não há praticante de alto rendimento que não tenha um acompanhamento desta natureza, seja para melhor a performance ou para procurar condições de treino.
No âmbito de treino há que referenciar o uso acentuado de software e análise estatísticas que os técnicos recorrem para melhor conhecer os seus atletas, bem como as fragilidades dos adversários. Esta prática tem evoluído para o seu uso em plena competição.
Várias questões se colocam no âmbito dos temas aqui abordados. Uma delas é se haverá limites humanos que condicionem a evolução tecnológica no desporto, outra reflexão é até que limite é possível evoluir sem colocar em causa o grau de imprevisibilidade do desporto, estaremos a caminhar para um determinado momento onde os resultados ficam programados antes da competição?
2.2. – Análise aos inquéritos
No âmbito do trabalho que nos propusemos executar, decidimos endereçar o convite a um elevado número elevado de pessoas, alguns responderam ao inquérito. Este inquérito foi elaborado de uma forma simples e muito objectiva. Infelizmente as respostas ficaram aquém das expectativa criadas inicialmente. Fizemos um esforço para abranger todas componentes dos agentes desportivos, desde os atletas até aos dirigentes, passando por atletas, jornalistas entre muitos outros, que exercem uma qualquer função no desporto.
Atendendo ao diminuto numero de respostas a nossa análise peca por defeito de consistência numa base mais alargada. No entanto, assumimos o risco de extrair alguma conclusões:
Há a opinião generalizada de o desporto e o espectáculo no geral tem bastante a lucrar com o recurso às novas tecnologias.
No futebol há a opinião divergente, de acordo com o grau de interacção no jogo. O praticante e o espectador que aspira pela vitória pugna mais facilmente pelo recurso às novas tecnologias.
Há quem intervenha no futebol que não acredita no êxito da introdução das novas tecnologias, pelo facto de estas puderem retirar a imprevisibilidade das decisões do jogo.
Aparentemente, há dois denominadores comuns: um a introdução do chip para melhorar os juízos sobre se a bola entrou ou não na baliza e o outro é a necessidade de reformar alguma mentalidades ao nível do dirigismo.
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